Warren Buffett deixa presidência do conselho da Berkshire: “o tempo sempre vence”; saiba quem assume
Em carta de despedida aos acionistas, o megainvestidor garantiu que a cultura do conglomerado trilionário está em boas mãos e que a essência dos negócios será preservada

Quando Gilberto Gil cantou “Não me iludo, tudo permanecerá do jeito que tem sido, transcorrendo, transformando” ele estava dizendo que o tempo é rei em qualquer situação. Nesta sexta-feira (18) Warren Buffett deu razão ao cantor e compositor brasileiro ao anunciar a saída da presidência do conselho de administração da Berkshire Hathaway.
“O tempo sempre vence”, disse Buffett aos 96 anos em carta de despedida aos acionistas.
Em sintonia com a poesia de Gil, Buffett fez questão de demonstrar total confiança na essência da empresa.
“[O tempo] foi generoso comigo. Ele me deu a oportunidade de ver a Berkshire alcançar um ponto onde estou mais confiante do que nunca sobre o que está por vir. A empresa está em excelentes mãos, e estou ansioso para continuar sendo um acionista ao seu lado", escreveu.
Howard Buffett: o guardião da cultura
Howard G. Buffett, filho do megainvestidor, assume a presidência do conselho — ele já atua como diretor da Berkshire desde 1993.
A escolha segue um plano de sucessão estabelecido há anos e atribui a Howard a missão de proteger a identidade da empresa.
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Nas palavras de Warren Buffett: "Greg comanda a empresa; Howard protegerá sua cultura e valores — ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço patrimonial. Pense em Howard como uma apólice de seguro que os acionistas possuem e esperam nunca ter que acionar".
O novo presidente do conselho possui uma trajetória marcada não apenas pela participação na Berkshire, mas também pela liderança filantrópica.
Desde 1999, ele preside a Fundação Howard G. Buffett, focada em segurança alimentar e resolução de conflitos globais, além de ter integrado o conselho de grandes multinacionais, como a The Coca-Cola Company.
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Transição consolidada e papel emérito
Como canta Gil em Tempo Rei: “mães zelosas, pais corujas”. Warren Buffett não se afastará completamente da Berkshire. Ele foi nomeado presidente emérito e continuará atuando como membro do conselho de administração e acionista ativo.
Vale lembrar que a liderança executiva do conglomerado já havia passado por sua principal mudança no ano passado, quando Greg Abel assumiu o cargo de CEO após ter o nome anunciado em maio de 2025.
Na carta desta sexta-feira (18), Warren Buffett elogiou a atuação do executivo, afirmando que Abel "superou as expectativas" e que o momento atual é perfeito para concluir a transição.
A diretoria segue com o suporte de Susan L. Decker, mantida na posição de diretora independente líder.
Com bom humor, Warren Buffett brincou sobre o peso da idade ao mencionar que celebrou recentemente seu 96º aniversário ao lado do bisneto de um ano, admitindo que o garoto "estava se movendo um pouco mais rápido" do que ele.
Ainda assim, demonstrou profunda gratidão: "Tenho servido à Berkshire desde 1965. Com mais de 70 anos, ainda tenho o melhor trabalho do mundo" — até os dias atuais, Buffett mantinha uma rotina no escritório de Omaha de cinco dias por semana.
Em julho, ele revelou ter sido o principal articulador do expressivo investimento de US$ 10 bilhões feito pela Berkshire na Alphabet, a controladora do Google, em junho, tornando a empresa de tecnologia a terceira maior posição da carteira da holding, atrás de Apple e American Express.
Desafios do novo momento e legado sem paralelo
A transição de liderança ocorre em meio a desafios no curto prazo para as ações da Berkshire. Em 2026, os papéis da companhia acumulam valorização de cerca de 1%, enquanto o S&P 500 avança mais de 10%.
O mercado agora volta as atenções para a habilidade de Abel em alocar o robusto caixa da empresa — atualmente em US$ 365,5 bilhões —, que já começou a ser utilizado com mais intensidade por meio da compra de US$ 4,5 bilhões em ações próprias no segundo trimestre.
O histórico construído por Buffett, porém, permanece como um dos maiores feitos da história corporativa global.
O investidor assumiu uma fábrica têxtil falida na Nova Inglaterra aos 34 anos e a transformou em um colosso industrial e financeiro com lucros operacionais de US$ 44,5 bilhões no último ano.
Sob sua gestão, a Berkshire entregou um retorno composto anual de 19,7% aos acionistas, praticamente o dobro do desempenho do S&P 500 no mesmo período.
A saída de Buffett da presidência do conselho marca o encerramento do capítulo mais icônico da história de Omaha — embora o tempo seja rei e traga transformações inevitáveis, a estrutura reforçada com Howard e Greg Abel deve garantir que os pilares da Berkshire continuem firmes.
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