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Otávio Preto

Otávio Preto

Formado em Jornalismo pela PUC-SP, atua como repórter no Money Times e no Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como analista de mídias sociais, com experiência em produção de conteúdo para diferentes plataformas digitais. Antes disso, foi repórter no site Monitor do Mercado.

MORTICÍNIO CAPRINO

Como um surto de varíola animal ameaça a produção (e o preço) de queijos feitos com leite de cabra e ovelha

A varíola animal já levou ao abate de milhares de cabras e ovelhas na Grécia, reduzindo a oferta de leite, pressionando o preço do queijo feta e levantando críticas à resposta do governo

Otávio Preto
Otávio Preto
6 de dezembro de 2025
11:44 - atualizado às 7:34
Cabras
Surto de varíola em rebanhos de cabras e ovelhas provoca abates em massa e ameaça a produção de queijos tradicionais como o feta na Grécia. - Imagem: CanvaPro

Um surto de uma doença altamente contagiosa entre cabras e ovelhas tem provocado uma drástica redução no rebanho a Europa, acendendo a luz vermelha para o impacto na produção de queijos tradicionais, como o feta. A perda em larga escala de animais já causa pressão sobre a oferta de leite e pode inflar os preços dos queijos derivados neste final de ano.

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O principal país afetado pela doença até o momento é a Grécia, que desde agosto de 2024 vem registrando cada vez mais casos.

Queijo feta - Reprodução

Vírus contagioso paralisa criação de cabras e ovelhas

A doença — descrita como uma “peste da ovelha e da cabra” — tem se espalhado rapidamente. Para conter a epidemia, autoridades sanitárias exigem o abate completo dos animais infectados e a descontaminação das áreas afetadas. Só na Grécia, estima-se que já foram sacrificados mais de 417 mil ovinos e caprinos — o que representa cerca de 4 a 5% do total do rebanho nacional.

Todo esse cenário gera uma crise de matéria-prima para os fabricantes de queijos que dependem exclusivamente do leite de ovelha ou cabra, como é o caso do feta – que demanda cerca de 80% de todo leite desses animais produzido no país.

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Vale dizer que o feta é protegido por uma denominação de origem na União Europeia – ou seja, podem até produzir um queijo semelhante fora da Grécia, mas ele não será feta.

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Para se ter uma ideia da economia que gira em torno do laticínio, só no ano passado os gregos exportaram cerca de € 785 milhões — equivalente a R$ 4,8 bilhões —, segundo dados da Associação Grega de Exportadores.

Desabastecimento e especulação no preço do queijo

Devido à menor oferta de leite, produtores alertam para risco de desabastecimento.

Mesmo com mensagens iniciais garantindo que havia leite suficiente, casos recentes de novos surtos e mais abates já forçam parte da indústria a reduzir a produção.

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Com o desequilíbrio entre oferta e demanda, a expectativa é de que os preços dos queijos subam. Especialistas em mercado lácteo e comércio afirmam que a falta prolongada de matéria-prima pode causar escassez já nas próximas semanas ou meses, especialmente em mercados internacionais onde o feta e outros queijos de leite de cabra/ovelha são importados em grande volume, informa a britânica BBC.

Para além dos impactos econômicos, o governo grego também tem sido criticado pela resposta ao morticínio dos animais.

Um Comitê Científico Nacional para o Manejo e Controle da Varíola Ovina e Caprina só foi criado no fim de outubro — 14 meses depois da detecção do primeiro caso. Até lá, nenhuma zona de confinamento havia sido estabelecida nas regiões onde os surtos iniciais foram registrados, no final do verão de 2024. Críticos afirmam ainda que o serviço veterinário estatal opera com quadro de pessoal reduzido, o que teria dificultado a resposta inicial.

Enquanto isso, denúncias agravaram a situação: agricultores foram presos por transportar ilegalmente animais para áreas consideradas livres da doença, e relatos locais dão conta de que animais infectados foram enterrados em campos sem notificação às autoridades.

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Diante das críticas, um porta-voz do Ministério do Desenvolvimento Rural e da Alimentação disse à BBC: “Implementamos o plano para erradicar a varíola ovina desde o início, conforme previsto nos protocolos europeus.”

Segundo ele, o país chegou a registrar quase zero casos na primavera de 2025, mas a decisão de instaurar o comitê científico só em outubro foi tomada porque muitos agricultores descumpriram as medidas de biossegurança, provocando uma nova explosão de casos.

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