Bastidores da Casa Branca apontam novo favorito para o lugar de Powell; entenda a disputa pela liderança do maior banco central do mundo
Segundo matéria exclusiva da Bloomberg, Christopher Waller, crítico de Powell e defensor de cortes nos juros, ganha força entre aliados de Trump como possível sucessor na presidência do Fed

O mandato termina, a missão continua… só falta dizer quem vai assumir o leme. Com os atritos entre Donald Trump e o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, a Casa Branca vive um clima de expectativa. Todos querem saber quem será o próximo a comandar o banco central dos Estados Unidos. Segundo a Bloomberg, um nome já começa a ganhar força na disputa pela cadeira.
O mandato de Powell chega ao fim em maio de 2026. Ainda faltam cerca de nove meses, mas há tempos a tensão permeia cada declaração sobre política monetária em Washington.
Segundo reportagem exclusiva da Bloomberg, o futuro pode estar mais visível do que parece. A matéria indica que Christopher Waller, atual governador do Fed, surge como um dos principais candidatos à presidência do banco central entre os assessores de Donald Trump, que já buscam um substituto para Powell, segundo fontes próximas às discussões.
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O motivo? Waller bateu de frente com Powell e foi um dos dois membros do conselho a votar contra a decisão de manter a taxa básica de juros estável pela quinta vez consecutiva — uma pauta cara a Trump, que pressiona pela queda dos juros, hoje na faixa entre 4,25% e 4,50%.
Os assessores ficaram impressionados com a disposição de Waller em ajustar a política monetária com base em previsões, e não apenas em dados presentes, além do seu profundo conhecimento do sistema do Fed como um todo, disseram fontes à Bloomberg.
Waller já se reuniu com a equipe de Trump para discutir a função, embora ainda não tenha se encontrado diretamente com o presidente. Também estão no páreo Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, e Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca.
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“O presidente Trump continuará a indicar os indivíduos mais competentes e experientes”, afirmou o porta-voz Kush Desai. “A menos que venha do próprio presidente Trump, no entanto, qualquer discussão sobre decisões de pessoal deve ser considerada pura especulação.”
Por que a pressa?
O clima de guerra entre a Casa Branca e o Fed não é novidade.
A série de intrigas entre Trump e Powell ficou mais evidente nos últimos meses, e gira principalmente em torno da manutenção da taxa de juros americana ao longo de 2025, somada ao efeito das tarifas, que o governo argumenta serem fator de incerteza e impeditivo para uma queda do índice.
Só para ter um gostinho de como estão as relações: na última quinta-feira, Trump usou sua rede Truth Social para atacar Powell após a decisão do comitê de manter os juros entre 4,25% e 4,50% na “Super Quarta”.
Na publicação, Trump chamou Powell de “muito irritado, muito estúpido e muito político”. O republicano afirmou ainda que ele não tem condições de ocupar o cargo. “Está custando ao nosso país TRILHÕES DE DÓLARES, além de uma das reformas mais incompetentes, ou corruptas, de um prédio(s) na história da construção!”, escreveu na postagem.
“Um perdedor total”, completou.
Diante desse cenário, a ansiedade pela troca de comando no Fed ganha contornos de urgência dentro do governo.
A ironia é que foi o próprio Trump, em seu primeiro mandato, quem indicou Powell ao cargo. Ele assumiu a presidência do Fed em fevereiro de 2018, mas após a vitória de Joe Biden, Powell manteve uma abordagem sóbria e acabou reconduzido ao posto pelo presidente democrata em 2022.
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O caminho de Waller à presidência do Fed
A possível guinada para Waller ganhou força nesta terça-feira (5), quando Trump revelou que Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA e até então favorito para a indicação, preferiu não participar da disputa.
“Eu adoro o Scott, mas ele quer ficar onde está. Estou tirando ele dos nomes cogitados para o cargo, porque ontem à noite eu perguntei se havia algo que ele queria, e ele respondeu: ‘Não, quero ficar onde estou’”, disse Trump em entrevista.
Junto com o anúncio, Trump também indicou o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, e Kevin Hasset, diretor do Conselho Econômico dos EUA, como opções “muito boas”, mas também afirmou ainda ter mais dois nomes em mente.
Já a autocandidatura de Waller — intencional ou não — aconteceu ainda antes, quando, na semana passada, ele e Michelle Bowman, ambos indicados por Trump aos seus atuais cargos no Fed, votaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual, citando sinais crescentes de fraqueza no mercado de trabalho.
Essa posição contrasta com a de Powell e de outros membros do conselho, que continuam descrevendo o mercado como sólido e preferem manter cautela nas decisões, a fim de avaliar como as tarifas impostas por Trump impactaram a economia americana.
Um homem do presidente
Trump nomeou Waller para o Fed em 2020. Antes disso, ele foi diretor de pesquisa e vice-presidente executivo no Fed de St. Louis. Sua nomeação foi aprovada no Senado por uma margem apertada: 48 votos a 47.
Em 2022, Waller participou de um debate público com economistas influentes fora do Fed, como o ex-secretário do Tesouro Larry Summers. Defendeu a tese de que o banco central conseguiria reduzir a inflação pós-pandemia sem elevar significativamente o desemprego.
No fim das contas, ele acertou: a inflação caiu para abaixo de 3% e o desemprego não ultrapassou os 4,2%.
A insatisfação de Trump com Powell levanta dúvidas sobre se o próximo indicado manterá a tradição de independência do Fed. Waller, por sua vez, afirmou em abril que a independência do banco central é “fundamental para o bom funcionamento da economia dos EUA”.
No momento Trump também possui outra carta na sua cruzada pelos cortes de juros. Além do futuro presidente do Fed, o presidente dos EUA também deverá escolher um nome para a cadeira deixada por Adriana Kugler, que renunciou recentemente ao cargo de diretora do banco central americano.
“Estou feliz de ter um espaço aberto agora no Fed com a saída de Kugler”, disse Trump à imprensa na Casa Branca.
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