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Comitê de política monetária manteve a taxa de juros na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano, mas o que chamou atenção foi a falta de consenso em torno da decisão, algo que não acontecia desde 1993
Não é exagero dizer que ninguém esperava que o Federal Reserve (Fed) cortasse os juros na decisão desta quarta-feira (30) — até mesmo o presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a dizer minutos antes, que o banco central não mudaria a taxa neste encontro. No entanto, a divisão entre os membros do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) chamou atenção.
Michelle Bowman e Christopher Waller defenderam o corte de juros em 0,25 ponto percentuais (pp) neste encontro. A taxa, no entanto, seguiu na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano.
A dissidência é importante já que Waller está entre os possíveis candidatos a substituir Powell no comando do Fomc e do Fed.
Além disso, essa é a primeira vez desde 1993 que dois integrantes do comitê divergem do voto da maioria em uma mesma reunião, de acordo com a imprensa norte-americana.
Você pode conferir aqui a decisão do Fed desta quarta-feira (30).
Antes da reunião de hoje, Bowman e Waller já tinham sinalizado que poderiam apoiar uma redução nos juros.
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Waller chegou a dizer que um corte de 0,25 pp seria um movimento de segurança para apoiar a atividade doméstica e garantir que não haveria pouso forçado da economia dos EUA.
No mesmo sentido, Bowman apontou que a flexibilização de política monetária poderia acontecer, a depender das leituras de inflação.
"A justificativa dos dissidentes é clara: inflação em desaceleração, sinais de arrefecimento no mercado de trabalho e riscos crescentes para a atividade futura, mas as a maioria do comitê ainda não se convenceu da durabilidade desse cenário", disse Enrico Gazola, economista pelo Insper e sócio-fundador da Nero Consultoria.
André Valério, economista sênior do Inter, diz que "chama atenção é o dissenso entre os membros do comitê, com dois diretores votando pela redução na taxa de juros. Isso pode ser interpretado como um sinal ao governo Trump, dado que um desses diretores é um dos cotados para substituir Powell em 2026".
O mandato de Powell à frente do Fed termina em maio do ano que vem.
A dissidência no Fomc acontece em um momento de pressão total da Casa Branca por juros menores nos EUA.
Minutos antes de a decisão ser conhecida, Trump criticou novamente a postura de Powell, afirmando que ele está "atrasado demais" para reduzir a taxa, já que "não há inflação no momento".
O índice de preços para gastos pessoais (PCE, na sigla em inglês) — a métrica preferida do Fed para a inflação — subiu em junho para uma taxa anualizada de 2,3%, acima da meta de 2% do banco central norte-americano, e um sinal de que as tarifas podem estar elevando alguns preços.
Trump afirmou que ouviu dizer que Powell só deve cortar os juros em setembro, mas defendeu que a redução deveria ocorrer antes.
Segundo Trump, é preciso baixar as taxas para testar se há inflação, embora tenha reforçado que atualmente "não há inflação". Ele explicou que, caso a inflação apareça, então as taxas devem ser elevadas.
O republicano também ressaltou o impacto positivo das tarifas, afirmando que "temos dinheiro entrando no país que nunca pensávamos que entraria".
Além disso, Trump alertou que manter as taxas de juros altas "machuca as pessoas do país" e destacou que uma redução de 1 ponto porcentual representaria uma economia anual de cerca de US$ 365 bilhões para a economia norte-americana.
Esse é o mais recente capítulo da tentativa de interferência de Trump na política monetária norte-americana. Há meses, Trump ridiculariza Powell pela cautela em reduzir os juros — o que, segundo especialistas, impulsionaria o crescimento econômico, mas também poderia causar uma alta desenfreada dos preços ao consumidor.
A taxa seguiu inalterada como esperado pelo mercado, mas a maior rebelião interna do Fed desde 1992 marca o que deve ser a última reunião de Powell como presidente do banco central norte-americano
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