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A primeira entrevista para a Fox News, o discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos e uma conversa com a imprensa no Salão Oval — nada escapa à língua afiada o presidente dos EUA

O terceiro dia de Donald Trump terminou com um papo entre amigos — mas o quarto dia foi repleto de declarações para lá de controversas, para dizer o mínimo.
Em uma entrevista concedida à Fox News no fim da noite de quarta-feira (22), o presidente norte-americano direcionou sua metralhadora giratória aos “inimigos internos”.
Horas depois de perdoar um criminoso condenado à prisão perpétua por narcotráfico, Trump criticou os perdões “preventivos” concedidos por Joe Biden nos estertores de seu mandato.
Um dos beneficiados por Biden foi o ex-secretário de saúde, Anthony Fauci, criticado por Trump desde a pandemia por contrariar seu negacionismo em relação ao novo coronavírus.
“Uma pena que ele não tenha perdoado a si mesmo”, disse Trump sobre Biden antes de acrescentar que “não descarta” a possibilidade de investigar seu antecessor.
A Fox News é conhecida dentro e fora dos EUA por seu apoio irrestrito a Trump. Essa fama se consolidou no primeiro mandato do republicano.
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A entrevista conduzida por Sean Hannity foi a primeira exclusiva concedida por Trump a partir do Salão Oval desde sua posse, na segunda-feira (20).
No melhor esquema “levanta que eu chuto”, Trump ameaçou condicionar qualquer ajuda de Washington à Califórnia por causa dos recentes incêndios florestais a uma mudança das políticas locais de manejo dos recursos hídricos.
Ele acusou o governador californiano, Gavin Newson (democrata, claro), de reter a água em reservatórios no norte do Estado para proteger peixes “inúteis” ao invés de usá-la para apagar os incêndios.
Isso, segundo Trump, teria feito secar a água dos hidrantes. Em grande medida, porém, a escassez de água deveu-se a cortes no fornecimento de energia elétrica provocados pelos incêndios.
Também falou em punir as cidades situadas em regiões de fronteira que não cooperarem com sua agenda anti-imigrantes.
Trump prometeu ainda liberar arquivos confidenciais referentes ao assassinato de John Kennedy. A morte do ex-presidente norte-americano é envolta em incontáveis teorias da conspiração.
Sobre a polêmica em torno de um suposto uso do TikTok para que a China espione usuários norte-americanos, Trump deu a entender que a preocupação sobre o tema seria exagerada.
Mas o crème de la créme viria mesmo nesta quinta-feira (23).
Trump tinha um compromisso oficial: participar, remotamente, do Fórum Econômico Mundial de Davos. E foi usando o palco suíço que o republicano disse que o príncipe saudita Mohammad bin Salman “era um cara legal”.
A declaração (de amor?) aconteceu horas depois de a Arábia Saudita anunciar que pretende investir US$ 600 bilhões nos Estados Unidos nos próximos quatro anos.
Mas, nem assim, Trump perdoou o príncipe. Em dado momento do discurso, o republlicano pediu que “o cara legal” ajudasse a baixar os preços e custos do petróleo, apresentando um plano para aumentar a produção norte-americana.
O morde e assopra do presidente norte-americano acabou rendendo um comentário cheio de ironia do CEO da Blackstone, Stephen Schwarzman, que também estava no mesmo painel de Trump em Davos.
“Tenho certeza que o príncipe saudita ficará feliz com seus comentários”, disse Schwarzman, arrancando um sorriso sem graça de Trump.
Mas, como dizem, o melhor sempre fica para o final — pelo menos o final do dia para quem acompanha o Diário dos 100 dias de Trump.
Relembrando o que fazia no primeiro mandato, o presidente norte-americano assinou uma série de decretos no Salão Oval da Casa Branca — um deles sobre o mercado de ativos digitais, que você pode conferir aqui — e, como de costume, falou com os repórteres.
Questionado sobre outro assunto espinhoso, a taxa de juros nos EUA, Trump não titubeou: “Eu sei mais de juros do que o Fed”.
A declaração pode ser inusitada para alguns, mas é um sinal de alerta para o mercado, que teme intervenções da Casa Branca e a instabilidade da política monetária norte-americana.
Defensor de juros baixos e crítico contumaz de Jerome Powell, Trump acendeu o fogo da panela de pressão do Fed — que realiza em cinco dias a primeira reunião do ano.
Agora, é esperar para ver se essa relação vai passar do ponto.
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