Raízen (RAIZ4) nega aumento de capital e diz que continua a avaliar opções para otimizar a estrutura financeira
O objetivo do potencial aumento de capital seria reduzir a pressão sobre o endividamento da Cosan (CSAN3)

A Raízen (RAIZ4) viveu uma montanha-russa na bolsa no final da semana, indo de maior queda a maior alta do Ibovespa em um curto espaço de tempo.
O motivo foi a divulgação de uma reportagem do jornal Valor Econômico, que alegava que a produtora de açúcar e etanol estaria considerando a possibilidade de realizar um aumento de capital como parte dos esforços para reduzir a alavancagem. Os montantes da potencial operação não foram revelados.
O objetivo do potencial aumento de capital seria reduzir a pressão sobre o endividamento da Cosan (CSAN3), a holding controladora da companhia junto à Shell, antes que os juros altos estrangulem ainda mais as finanças do grupo.
No entanto, a Raízen veio a público na sexta-feira (8) para passar a história a limpo e deixar tudo às claras para os investidores.
“A administração da Raízen esclarece que avalia continuamente alternativas para a otimização de sua estrutura de capital, como parte de sua estratégia. No entanto, até o momento, não há qualquer decisão sobre um potencial aumento de capital da Companhia”, esclareceu a companhia, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
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Vale lembrar que, no fim do último trimestre, o endividamento líquido da Raízen chegava a R$ 31,6 bilhões.
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Já o conglomerado Cosan somava dívidas da ordem de R$ 21,7 bilhões no fim do terceiro trimestre de 2024.
A situação financeira da Raízen (RAIZ4)
A Cosan tem feito vários esforços para reduzir o endividamento.
Na semana passada, a holding do empresário Rubens Ometto anunciou uma oferta de recompra de até US$ 900 milhões (R$ 5,17 bilhões) de títulos de dívida internacionais (bonds) emitidos pela Cosan Luxemburgo.
Além das recompras de títulos, a subsidiária também anunciou o resgate adiantado de US$ 392 milhões (R$ 2,25 bilhões) em títulos de dívida com vencimento em janeiro de 2027.
Poucas semanas atrás, o conglomerado de Rubens Ometto também vendeu a participação de 4,05% que a holding detinha na Vale (VALE3) por R$ 9 bilhões, como mais cedo neste mês.
Segundo analistas e gestores consultados pelo Seu Dinheiro, as recentes medidas podem contribuir para o fechamento do desconto histórico que a Cosan enfrenta e para a recuperação das ações CSAN3 na bolsa, que acumulam queda de 57% em 12 meses.
No entanto, a recuperação operacional da empresa depende de um cenário macroeconômico favorável e de uma reviravolta na Raízen (RAIZ4), uma de suas subsidiárias que mais levanta preocupações no mercado, que precisa voltar a ser lucrativa.
Vale lembrar que a produtora de etanol companhia investiu pesado em crescimento e se alavancou durante um período de juros baixos, impulsionada pela demanda por projetos de investimento sustentável, como o etanol de segunda geração (E2G).
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Com a recente alta dos juros e a diminuição da atratividade de teses de crescimento de longo prazo, a Raízen enfrenta dificuldades e não tem pagado dividendos, o que reflete diretamente no desempenho do conglomerado.
Sob nova direção desde outubro de 2024, o CEO Nelson Gomes chegou com um mandato marcado pelo claro senso de urgência de colocar a empresa de volta numa trajetória de ganho de eficiência dos negócios que se traduza em desalavancagem.
Algumas das alavancas apontadas pelo mercado para aliviar a pressão sobre o caixa eram uma potencial venda da participação no Grupo Nós, dono da rede Oxxo no Brasil, e uma eventual parceria para o negócio de E2G, com a entrada de um sócio que esteja disposto a aportar capital.
Na visão de Monique Greco Natal, head de óleo e gás no Itaú BBA, buscar parceiros para compartilhar os investimentos no setor de E2G seria crucial para a desalavancagem da Raízen, já que cada planta demanda um investimento (capex) de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.
Além disso, como as expectativas do mercado para a empresa já estão baixas, novidades positivas nesse sentido poderiam abrir espaço para a apreciação dos papéis RAIZ4 em 2025.
Procurada pelo Seu Dinheiro, a empresa afirmou que não comentará o assunto.
*Com informações do Valor Econômico.
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