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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

DO INFERNO AO CÉU

Ação da Raízen (RAIZ4) salta 10% após protagonizar maiores quedas do Ibovespa hoje; o que está por trás da reviravolta?

Os investidores reagem às expectativas de que a produtora de etanol dê novos passos em busca da redução do endividamento em meio à pressão incessante dos juros elevados

Camille Lima
Camille Lima
6 de fevereiro de 2025
16:24 - atualizado às 9:07
Placa com o logo da Raízen (RAIZ4), subsidiária da Cosan que fez IPO em 2021
Raízen (RAIZ4) - Imagem: Divulgação/Raízen

A Raízen (RAIZ4) foi do inferno ao céu da bolsa brasileira nesta quinta-feira (6). Após figurar entre as maiores quedas do Ibovespa hoje mais cedo, as ações inverteram a trajetória e passaram a subir — e muito — na B3.

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Os papéis chegaram a disparar mais de 10,06% por volta das 15h40, antes de entrarem em leilão, mas logo arrefeceram os ganhos para terminar o dia em alta de 8,28%, a R$ 1,83 — liderando a ponta positiva do principal índice de ações da bolsa. 

No acumulado do ano, porém, a empresa ainda marca desvalorização de 15,3% na B3, atualmente avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões.

O motivo por trás da virada? A expectativa de que a produtora de etanol dê novos passos em busca da redução do endividamento em meio à pressão incessante dos juros elevados no Brasil.

Segundo o jornal Valor Econômico, a Raízen (RAIZ4) está considerando a possibilidade de realizar um aumento de capital como parte dos esforços para reduzir a alavancagem. Os montantes da potencial operação não foram revelados.

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  • VEJA TAMBÉM: SLC Agrícola (SLCE3) e +2 ações brasileiras são as favoritas dessa analista para buscar lucros em fevereiro; confira gratuitamente

O objetivo do potencial aumento de capital seria reduzir a pressão sobre o endividamento da Cosan (CSAN3), a holding controladora da companhia junto à Shell, antes que os juros altos estrangulem ainda mais as finanças do grupo.

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Na avaliação de Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research, um aumento de capital implicaria uma redução mais rápida da alavancagem da companhia. "Caso a venda de ativos demore, o aumento de capital realmente pode ser uma boa solução", avaliou a analista.

Vale lembrar que, no fim do último trimestre, o endividamento líquido da Raízen chegava a R$ 31,6 bilhões. Já o conglomerado Cosan somava dívidas da ordem de R$ 21,7 bilhões no fim do terceiro trimestre de 2024.

A situação financeira da Raízen (RAIZ4)

A notícia sobre um eventual aumento de capital na Raízen (RAIZ4) acontece em meio a consecutivas tentativas da Cosan (CSAN3) de reduzir o endividamento.

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Na semana passada, a holding do empresário Rubens Ometto anunciou uma oferta de recompra de até US$ 900 milhões (R$ 5,17 bilhões) de títulos de dívida internacionais (bonds) emitidos pela Cosan Luxemburgo.

Além das recompras de títulos, a subsidiária também anunciou o resgate adiantado de US$ 392 milhões (R$ 2,25 bilhões) em títulos de dívida com vencimento em janeiro de 2027. 

Poucas semanas atrás, o conglomerado de Rubens Ometto também vendeu a participação de 4,05% que a holding detinha na Vale (VALE3) por R$ 9 bilhões, como mais cedo neste mês. 

Segundo analistas e gestores consultados pelo Seu Dinheiro, as recentes medidas podem contribuir para o fechamento do desconto histórico que a Cosan enfrenta e para a recuperação das ações CSAN3 na bolsa, que acumulam queda de 57% em 12 meses.

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No entanto, a recuperação operacional da empresa depende de um cenário macroeconômico favorável e de uma reviravolta na Raízen (RAIZ4), uma de suas subsidiárias que mais levanta preocupações no mercado, que precisa voltar a ser lucrativa.    

Vale lembrar que a produtora de etanol companhia investiu pesado em crescimento e se alavancou durante um período de juros baixos, impulsionada pela demanda por projetos de investimento sustentável, como o etanol de segunda geração (E2G). 

Com a recente alta dos juros e a diminuição da atratividade de teses de crescimento de longo prazo, a Raízen enfrenta dificuldades e não tem pagado dividendos, o que reflete diretamente no desempenho do conglomerado.

Sob nova direção desde outubro de 2024, o CEO Nelson Gomes chegou com um mandato marcado pelo claro senso de urgência de colocar a empresa de volta numa trajetória de ganho de eficiência dos negócios que se traduza em desalavancagem. 

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Algumas das alavancas apontadas pelo mercado para aliviar a pressão sobre o caixa eram uma potencial venda da participação no Grupo Nós, dono da rede Oxxo no Brasil, e uma eventual parceria para o negócio de E2G, com a entrada de um sócio que esteja disposto a aportar capital.

Na visão de Monique Greco Natal, head de óleo e gás no Itaú BBA, buscar parceiros para compartilhar os investimentos no setor de E2G seria crucial para a desalavancagem da Raízen, já que cada planta demanda um investimento (capex) de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Além disso, como as expectativas do mercado para a empresa já estão baixas, novidades positivas nesse sentido poderiam abrir espaço para a apreciação dos papéis RAIZ4 em 2025.

Você confere aqui a reportagem completa com as previsões sobre o futuro da empresa e das ações da Cosan (CSAN3). 

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Procurada pelo Seu Dinheiro, a empresa afirmou que não comentará o assunto.

*Com informações do Valor Econômico.

  • VEJA TAMBÉM - Onde Investir em fevereiro? Recomendações em ações, criptomoedas, FIIs, pagadoras de dividendos e investimentos internacionais. Confira de graça:

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