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RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Por que os credores da Ambipar (AMBP3) estão ‘revoltados’ com o endereço do pedido de RJ? Veja os novos capítulos da crise

Credores contestam a recuperação judicial da Ambipar (AMBP3), e dizem que a empresa buscou o Rio de Janeiro por ser um foro mais favorável; a disputa ocorre enquanto o controlador ajusta sua participação no capital da companhia

Caminhões da Ambipar (AMBP3)
Caminhões da Ambipar (AMBP3). - Imagem: Divulgação

A Ambipar (AMBP3) enfrenta uma nova fase de tensões. Após protocolar o pedido de recuperação judicial, já amplamente esperado pelo mercado, a empresa enfrenta questionamentos dos bancos credores sobre o processo. 

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A Ambipar entrou com pedido de recuperação judicial na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, alegando um passivo consolidado de cerca de R$ 10,5 bilhões. O processo também envolve a subsidiária Ambipar Emergency Response, que entrou com um pedido equivalente ao Chapter 11 (lei das falências) nos Estados Unidos.

A companhia justificou o pedido afirmando ter sido impactada por “irregularidades em operações com derivativos”, que geraram forte pressão de liquidez e culminaram na renúncia do então CFO.

A reclamação dos credores

Mas os credores vêm contestando a escolha da Justiça fluminense para o processo. Eles argumentam que a sede operacional e o principal centro de decisões da Ambipar estão no estado de São Paulo, o que poderia caracterizar o Rio de Janeiro como um “foro inadequado” e até levar à anulação do pedido.

Os credores — entre eles Banco ABC Brasil, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Sumitomo Mitsui e Itaú Unibanco — sustentam que a Ambipar simulou ter seu principal estabelecimento no Rio de Janeiro apenas para obter um foro considerado mais favorável à empresa.

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“A controladora Ambipar Participações e Empreendimentos S.A. sempre esteve sediada em São Paulo, onde se concentram as decisões financeiras e estratégicas do grupo”, afirma a petição. “A Comarca de Nova Odessa abriga a principal planta operacional do grupo, com galpões, frota de atendimento e centro de emergências, o que demonstra a pujança de suas atividades no território paulista”.

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O documento indica ainda que a definição do principal estabelecimento deve considerar o local onde se desenvolve a principal atividade econômica da empresa, e não apenas a sede formal registrada em contrato social.

Para conduzir a defesa, a Ambipar contratou o escritório Levy & Salomão Advogados, que tem como sócio Daniel Salomão, filho do ministro Luiz Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A escolha gerou desconforto entre alguns credores, que veem possível conflito de interesses, embora o ministro não tenha qualquer relação direta com o caso.

Controlador da empresa tem participação reduzida

Enquanto a disputa judicial se desenrola, o grupo controlador também sofre os efeitos da crise. A Ambipar anunciou na noite desta quarta-feira (22) que a participação do controlador Tércio Borlenghi Junior na companhia caiu de 67,68% para 59,54%.

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Em carta para Ambipar anexada ao fato relevante, Borlenghi disse que a redução de participação ocorreu de forma “indevida” e que Plural Investimentos e Opportunity seguem “excutindo” ações do controlador por meio do fundo Everest.

  • No contexto jurídico, “excutir ações” significa executar garantias — ou seja, vender ou tomar posse de ações dadas como garantia de uma dívida para recuperar valores não pagos. No caso da Ambipar, isso quer dizer que Plural Investimentos e Opportunity estão acionando as garantias pertencentes ao controlador Tércio Borlenghi Junior, por meio do fundo Everest, para reaver recursos de operações financeiras que não foram quitadas.

Borlenghi afirmou que a participação na Ambipar nos últimos dias foi reduzida em mais de 136 milhões de ações ordinárias.

*Com informações do Money Times

No vídeo abaixo, você pode conferir todo o contexto que trouxe a Ambipar, que já esteve entre as maiores empresas da bolsa, a chegar até aqui:

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