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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

AÇÕES DO VAREJO PARA 2026

Não é por falta de vontade: por que os gringos não colocam a mão no fogo pelo varejo brasileiro — e por quais ações isso vale a pena?

Segundo um relatório do BTG Pactual, os investidores europeus estão de olho nas ações do varejo brasileiro, mas ainda não estão confiantes. Meli, Lojas Renner e outras se destacam positivamente

Bia Azevedo
Bia Azevedo
16 de dezembro de 2025
18:45 - atualizado às 17:47
Pessoa colocando a mão no fogo por algumas ações do varejo
Varejo - Imagem: Montagem Seu Dinheiro com imagem Canvas Pro e divulgação

Se gato escaldado tem medo de água fria, o investidor de varejo, depois de anos apanhando, aprendeu a temer o cenário macroeconômico, ainda mais quando a palavra que dita esse jogo é imprevisibilidade — e isso vale especialmente para os gringos.

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Segundo um relatório do BTG Pactual, os europeus estão bastante interessados nas ações brasileiras do setor, mas não sentem a confiança necessária para colocar a mão no fogo por isso.

De acordo com os analistas, com base em reuniões recentes, no meio do caminho o que não falta são pedras. A principal delas é que as preocupações sobre desaceleração na economia seguem assombrando, agravadas pela volatilidade do ano eleitoral que se aproxima.

“A mensagem tem sido consistente entre os investidores internacionais ao longo dos últimos meses: o posicionamento está cada vez mais concentrado em um grupo restrito de nomes de alta liquidez, como Mercado Livre (MELI34), RD Saúde (RADL3), Lojas Renner (LREN3) e, em menor grau, Assaí (ASAI3)”, escreve o time de análise do banco.

Eles também mencionam que o efeito da liquidez sustentou o crescente apetite estrangeiro pela Smartfit (SMFT3), que se beneficiou da melhora nos volumes de negociação e de uma visibilidade mais ampla construída ao longo dos últimos dois anos.

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As ações do varejo que valem a pena para 2026

A RD Saúde segue como uma das posições compradas mais consensuais entre os investidores de mercados emergentes, apoiada por fatores cíclicos e estruturais.

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O sentimento melhorou desde as reuniões na Europa em março, quando pesavam preocupações com a concorrência com gigantes do e-commerce no segmento de higiene pessoal, demanda moderada em algumas categorias de medicamentos e inflação mais fraca dos preços do setor.

Desde então, a percepção mudou: os resultados do segundo e do terceiro trimestres vieram acima do esperado, reforçando a capacidade da companhia de ganhar participação de mercado mesmo em um ambiente mais desafiador.

Além disso, os remédios para emagrecimento (GLP-1), como Ozempic, têm dado um belo de um gás nas vendas da companhia.

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A RD já obtém cerca de 9% de suas vendas desse segmento — e, na visão do BTG, isso é apenas o começo. O banco projeta que o mercado brasileiro de GLP-1 movimentará R$ 9 bilhões em 2026, impulsionado por novos pacientes e pela entrada dos genéricos.

Com escala logística e capilaridade física, a RD deve capturar uma participação expressiva desse salto, segundo os analistas.

Já a Lojas Renner continua a ser vista como uma combinação equilibrada de crescimento e dividend yield, mas o entusiasmo dos investidores não melhorou de forma relevante desde o início do ano.

“Investidores estrangeiros reconhecem o forte valor da marca Renner e a produtividade superior das lojas, mas o crescimento moderado do setor — também refletido no desempenho da C&A no segundo semestre de 2025 — limita o espaço para revisões positivas no curto prazo”, dizem os analistas em relatório.

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Segundo o banco, cada vez mais, os investidores compartilham a avaliação de que os fundamentos permanecem sólidos, porém menos atraentes em relação aos níveis históricos — o que aponta para uma recuperação gradual, e não abrupta.

“A partir daqui o desempenho das ações passa a depender do ritmo de normalização do consumo e da execução em relação às metas divulgadas pela companhia”, destaca o BTG.

O Assaí por sua vez continua como um debate difícil. Os investidores concordam que o posicionamento competitivo de longo prazo da companhia, a penetração do formato de lojas e a liderança em custos permanecem intactos.

Ainda assim, segundo o BTG, a percepção geral entre os gestores é dominada por pressões de curto prazo, decorrentes do consumo mais fraco da população de baixa renda e da desaceleração da dinâmica de preços.

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Discussões políticas recentes — incluindo revisões do Bolsa Família para 2025 e a proposta de isenção de imposto de renda para rendimentos de até R$ 5 mil — podem oferecer algum suporte incremental à demanda. Os investidores, no entanto, avaliam que esses efeitos seguem ofuscados pelo cenário cíclico imediato.

Assim, parte dos investidores de longo prazo permanece engajada, mas ainda hesitante em ampliar a exposição até que catalisadores mais claros se materializem.

E o Mercado Livre?

Segundo o BTG, os investidores reconhecem a predominância do Mercado Livre no Brasil — inclusive em categorias de baixo valor médio — e sua capacidade consistente de superar os concorrentes.

No entanto, a competição no Brasil aumentou significativamente. Tanto a Amazon quanto a Shopee dobraram as apostas por aqui, o que reduziu muito as vantagens que o Meli tinha em logística e custos.

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A avaliação entre os investidores globais é que essa dinâmica deve persistir nos próximos trimestres, ao menos, remodelando as expectativas de margem e moderando o nível de convicção, mesmo entre investidores de longo prazo.

“A direção estratégica do MELI segue amplamente admirada, mas a nova realidade competitiva impõe um perfil de risco-retorno mais equilibrado. A liderança permanece indiscutível — mas o custo disso aumentou de forma estrutural”, diz o relatório.

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