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Companhia famosa por seus produtos de limpeza entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro, alegando dívidas tributárias inconciliáveis
Propagandas históricas. Slogan marcante. Nome que é sinônimo do produto. Nada disso impediu que a Bombril acumulasse uma dívida bilionária de anos com o governo federal, que nem seu “bombril” de “mil e uma utilidades” conseguiu polir.
O jeito foi apelar para uma recuperação judicial, que agora ganhou um plano de reestruturação de passivos.
Na última terça-feira (22), a empresa de produtos de limpeza mais tradicional do Brasil comunicou ao mercado que entregou seu plano para reestruturar dívidas que somam R$ 2,3 bilhões, acumuladas desde os anos 1990.
Fundada em 14 de janeiro de 1948, a Abrasivos Bombril Ltda entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro deste ano, alegando um débito inconciliável com a Receita Federal por suposta falta de recolhimento de tributos devidos pela compra de títulos estrangeiros (Treasuries Bill americanos) durante os anos 1998 a 2001, época em que era administrada pelo grupo Cragnotti & Partners.
Além do montante devido ao governo, a empresa tem mais R$ 332,87 milhões em dívidas com bancos e fornecedores, conforme informações da Bloomberg Línea.
Apesar de ser lembrada pela esponja de aço, a companhia também é responsável por outros produtos e marcas, como o detergente Limpol, o amaciante de roupas Mon Bijou, o desinfetante Pinho Bril e o abrasivo Sapólio Radium.
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Em comunicado ao mercado, a Bombril informou que o plano foi entregue à 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e Conflitos de Arbitragem do Estado de São Paulo e estabelece termos e condições que poderão ser adotados para superar a atual situação econômico-financeira da empresa, dar continuidade a suas atividades, preservar seu valor e manter sua atividade social.
Essa não é a primeira vez que a Bombril se vê às voltas com um pedido de recuperação judicial. Em 2003, após fracasso com o lançamento de novos produtos, a empresa precisou se reorganizar financeiramente.
Entrou com um pedido de recuperação judicial que foi concluído apenas em 2006.
Já em 2013, os produtos do grupo chegaram a sumir das prateleiras de mercados devido à falta de dinheiro para produção e transporte. E no auge da crise, em 2015, a empresa acumulou dívidas de R$ 900 milhões.
Em 2017, após passar por outra grande reestruturação, a Bombril conseguiu terminar o ano no azul. A empresa chegou a registrar resultados positivos nos anos seguintes, mas não o bastante para superar totalmente as dívidas acumuladas nos anos de crise.
Atualmente, suas ações listadas na bolsa de valores estão esquecidas, ao ponto de não registrar negociações expressivas por dias.
Nesta quarta-feira (23), após a notícia da entrega do plano de recuperação judicial, os papéis BOBR4 apresentam alta de 3,5% às 11:25 (horário de Brasília), avaliados em R$ 1,77.
A recomendação do BTG é de compra, com preço-alvo de R$ 40. “Do ponto de vista de valuation, a Azzas está sendo negociada a cerca de 7x P/L para 2026, um nível significativamente descontado em relação aos pares do setor”, afirma o banco
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