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Milton Maluhy Filho afirma que o banco segue confortável com o atual nível de rentabilidade e projeta cortes na Selic a partir de 2026; veja o que esperar daqui para frente
A régua do Itaú Unibanco (ITUB4) está alta — e, se depender da administração, continuará assim. A rentabilidade acima de 20% deixou de ser um pico extraordinário e se tornou o novo piso estratégico do maior banco privado do país, segundo o CEO Milton Maluhy Filho.
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (5), o executivo deixou claro que o banco enxerga o atual patamar como sustentável, mesmo diante de juros elevados, volatilidade política e uma economia que tende a esfriar em 2026.
“Seguimos confortáveis com esse nível de rentabilidade. Não vejo, no curto prazo, nenhuma mudança de tendência dos 20%”, afirmou o executivo.
Para ele, o ROE futuro será uma equação entre capacidade de gerar valor, nível de capital e custo desse capital — e, embora fatores como juros e prêmio de risco do Brasil fujam ao controle do banco, a disciplina continua sendo a bússola.
Nas palavras de Maluhy, o compromisso central segue sendo “gerar valor no longo prazo”. “Quando você consegue crescer com qualidade, com rentabilidade e entregar resultado com consistência e com baixa volatilidade, isso tem um valor importante”, disse o CEO.
A discussão sobre dividendos extraordinários aparece com frequência quando se fala de Itaú — e não é diferente agora. Mas Maluhy fez questão de reforçar a ordem de prioridades: primeiro, fortalecer o banco; depois, distribuir excedentes.
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Questionado sobre as perspectivas para pagamentos adicionais aos acionistas, o executivo afirmou que “o importante é que o banco tem conseguido gerar capital de forma orgânica e relevante” — e a política de dividendos não mudou, ela continua valendo.
Isso significa que qualquer capital excedente que supere os níveis mínimos pode ser depositado na conta dos investidores — se essa for a melhor decisão para garantir um futuro sustentável para o banco.
Ele destacou que o banco segue gerando capital de forma consistente, mas ponderou que decidir sobre distribuição passa por entender o cenário regulatório e as necessidades de crescimento, orgânico e inorgânico.
“Nosso principal objetivo é crescer o banco e fortalecer a instituição no longo prazo. Não podemos ignorar que o capital de hoje é o que permite o crescimento futuro, orgânico e inorgânico, especialmente em meio às mudanças regulatórias.”
O cenário traçado pelo Itaú para o próximo ano é de moderação e cautela. O banco espera uma economia crescendo menos do que em 2025, pressionada por uma combinação já conhecida do mercado: política fiscal expansionista batendo de frente com juros elevados.
“É um ano em que a economia deve desacelerar, projetou o CEO.
Essa leitura leva o banco a operar com mais prudência, mas sem pisar no freio por completo. Maluhy destaca que o Itaú “não está encontrando dificuldade em encontrar oportunidades de expansão”.
Acontece que o foco continua em clientes “resilientes” na manutenção de um portfólio de crédito diversificado e sólido.
O CEO diz que, se encontrar condições favoráveis, o banco acelera; se o ambiente piorar, recua. A lógica é simples: preservar robustez sem perder oportunidades.
“O equilíbrio no portfólio dá segurança para continuarmos entregando resultados com consistência e qualidade. O banco nunca esteve tão preparado para enfrentar qualquer cenário que venha pela frente”, afirmou.
O discurso do CEO reforçou a estratégia de “principalidade”: crescer mais onde o banco é o principal parceiro financeiro do cliente, e recuar onde o risco ajustado ao retorno não compensa.
Na prática, o Itaú tem acelerado em segmentos mais sólidos e reduzido exposição onde vê menos resiliência, mantendo engajamento alto com clientes-chave.
“Vamos continuar crescendo com ênfase naqueles segmentos e clientes que são resilientes em ciclos mais longos, e onde o banco escolheu ser o principal banco. Principalidade é o nome do jogo”, disse o executivo.
De acordo com Maluhy, o trabalho de aumentar o nível de engajamento dos nossos clientes e “perpetuar a relação no longo prazo” será determinante para o tamanho do avanço das carteiras do Itaú daqui para frente.
O CEO do Itaú fez questão de rebater a fala de que os bancos ganham com juros altos e preferem que a Selic siga nas alturas.
“Existe uma percepção equivocada. Preferimos muito mais operar no mercado com juros de um dígito do que de dois. Quando os juros são prolongados em um nível alto, restritivo, você começa a colocar pressão na inadimplência e na capacidade de expandir a carteira”, afirmou.
Segundo ele, juros altos por tempo demais elevam a inadimplência, esfriam o crédito e dificultam o crescimento.
“No fundo, juros baixos são estruturalmente bons para todos, inclusive para os bancos. É nesse cenário que os bancos crescem mais, em que você cria valor para a indústria, estimula a economia, gera emprego, produtividade e aumenta o PIB.”
A fala do CEO vem na esteira de uma nova cutucada do ministro da Fazenda. Nesta semana, Fernando Haddad voltou a atacar o atual patamar de juros, afirmando que a Selic deve cair “apesar da pressão dos bancos”.
O Itaú espera o início dos cortes já em janeiro de 2026, com redução de 0,25 ponto percentual (p.p) na primeira reunião, e que a Selic encerre o ano em 12,75%.
Maluhy também foi categórico ao afastar o risco de uma crise de crédito envolvendo grandes empresas.
“Não estamos vendo um cenário de credit crunch, um evento bastante rigoroso no mercado de crédito. Mas, com juros mais altos e alguns setores e empresas mais alavancadas, há algumas empresas com mais dificuldade do que outras”, afirmou.
Ele reconheceu casos pontuais — incluindo um evento corporativo de inadimplência já provisionado no balanço do 3T25 — mas reforçou que o banco está confortável com suas reservas de capital e provisões.
“Não vemos um cenário de crise de crédito, mas isso vai depender muito de por quanto tempo estruturalmente a taxa de juros vai se manter nesse nível”, acrescentou o executivo.
No balanço do Itaú do 3T25, a inadimplência de curto prazo chamou a atenção do mercado, com um caso corporativo pressionando os indicadores iniciais. Porém, o banco afirma que trata-se de um evento antigo, de mais de uma década atrás, e que já foi devidamente provisionado.
“Esse atraso relevante que apareceu no curto prazo é um caso de dez anos atrás, não é um caso novo”, afirmou. “Continuamos confortáveis com o nível de provisionamento.”
O Itaú segue reduzindo agências e quadro de funcionários como parte da meta de eficiência até 2028 — e, neste trimestre, uma polêmica rodada de demissões de funcionários do banco em home office estampou os noticiários. O banco nunca confirmou o número oficial de demissões. Na época, o Sindicato dos Bancários afirmou que cerca de mil bancários foram cortados, enquanto, na internet, ex-funcionários mencionaram quase 5 mil desligamentos.
Questionado sobre se o ritmo de diminuição das operações físicas e das reduções de funcionários deve continuar, o CEO foi menos direto.
Embora, no trimestre, demissões e fechamento de unidades tenham entrado na conta, Maluhy insistiu que o ritmo de ajustes dependerá do comportamento dos clientes.
“Todo o nosso footprint, o tamanho da nossa rede, dos nossos investimentos, e a eficiência, vão depender muito da demanda e de como os clientes querem ser servidos. Todo o resto é consequência da jornada de uma instituição 100% voltada para atender os clientes”, afirmou.
Em um horizonte mais longo, houve, sim, uma redução importante do número de agências físicas do Itaú. O banco veio diminuindo o footprint físico desde a pandemia, com clientes cada vez mais digitais.
“Os próprios clientes procuram muito menos as agências hoje do que procuravam no passado. Mas, onde a agência ainda tiver papel preponderante no relacionamento, continuaremos entregando valor dessa forma”, disse o CEO.
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