Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MISTÉRIO FINANCEIRO

CVM pressiona, credores cobram: Ambipar (AMBP3) adia balanço do 3T25 em meio ao enigma do caixa

Apenas alguns meses após reportar quase R$ 5 bilhões em caixa, a Ambipar pediu RJ; agora, o balanço do 3T25 vira peça-chave para entender o rombo

Camille Lima
Camille Lima
11 de novembro de 2025
18:29 - atualizado às 16:54
Caminhões da Ambipar (AMBP3)
Caminhões da Ambipar (AMBP3). - Imagem: Divulgação

A Ambipar (AMBP3) estava prestes a chegar a um dos momentos mais delicados de sua história recente. O mercado estava ávido por números. Os investidores e credores queriam respostas. A CVM queria transparência. E, enquanto isso, todos tentam decifrar a mesma questão: onde foi parar o caixa bilionário que a empresa dizia ter há poucos meses?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas o balanço do terceiro trimestre, que estava previsto para sair nesta quarta-feira (12) e poderia trazer essas respostas, acaba de ser adiado. Essa postergação da divulgação já vinha sendo cogitada pelo mercado, aliás.

De acordo com a Ambipar, o adiamento é resultado do processo de recuperação judicial da companhia, que "impactou a conclusão dos trabalhos de revisão, pela companhia, seus assessores e auditores independentes, das informações financeiras e contábeis".

A empresa afirma ainda que as recentes alterações na diretoria financeira, com a saída do ex-CFO João Arruda, demandaram "ajustes nos processos internos de reporte e validação de informações contábeis e financeiras", o que também impactou com o cronograma.

"A companhia está envidando todos os esforços para que a finalização e revisão do 3º ITR 2025 seja concluída o mais rapidamente possível", escreveu a Ambipar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar do adiamento, a expectativa para o balanço do 3T25 segue enorme. Não apenas pelos números operacionais, mas sobretudo pelo que eles podem revelar sobre a real situação financeira da companhia.

Leia Também

A própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu ir à Justiça para exigir acesso integral ao processo de recuperação judicial da empresa, inclusive aos documentos atualmente sob sigilo.

A xerife do mercado de capitais afirmou ter grande preocupação com o nível de transparência da Ambipar — uma companhia listada na bolsa e que deveria prestar informações ao mercado. 

Onde está o caixa da Ambipar?

A principal dúvida gira em torno de uma aparente quebra de narrativa nos números divulgados pela empresa de gestão ambiental ao longo de 2025.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em junho, ela reportou um caixa consolidado de R$ 4,7 bilhões. Apenas quatro meses depois, pediu recuperação judicial alegando crise de liquidez.

O caixa da empresa, hoje sob segredo de justiça na recuperação judicial, deve ser um dos pontos mais observados do resultado. 

Entre credores e analistas, o que se sabe até agora está longe dos bilhões anunciados no balanço de junho. Logo que a crise estourou, investidores e bancos tentaram rastrear o caixa real disponível na empresa. 

Porém, as cifras encontradas, segundo fontes, giraram em torno de US$ 80 milhões — cerca de R$ 400 milhões. Muito distante dos quase R$ 5 bilhões divulgados meses antes. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A diferença monumental entre os dois valores se tornou o ponto mais sensível da crise. 

“Estamos curiosos para ver o que virá no balanço, porque realmente ainda faltam muitas peças nesse quebra-cabeça. Veremos o próximo capítulo da novela, porque não ficou nada claro quais são as razões para a empresa ter entrado com o pedido de recuperação judicial”, disse um gestor que acompanha a situação.

CVM quer mais pistas para solucionar o mistério

Para a CVM, essa mudança repentina simplesmente não fecha a conta. Um caixa robusto o suficiente para cobrir múltiplas vezes a dívida indicada no pedido inicial de proteção contra credores “destoa” totalmente da e uma situação de crise financeira, alegada pela empresa.  

Quando buscou proteção contra os credores, a Ambipar informou uma dívida de curto prazo de R$ 616 milhões. Pouco tempo depois, no pedido de recuperação judicial, a empresa disse possuir dívidas de aproximadamente R$ 10,5 bilhões.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Tal discrepância reforça a necessidade de informações sobre a real disponibilidade de caixa e a natureza das obrigações vencidas que motivaram o pedido, uma vez que além da divergência temporal, parece subsistir também uma discrepância material nas informações apresentadas”, disse a autarquia. 

De fato, parece contraditório que uma companhia que ostentava uma posição de caixa bilionária corresse o risco de uma crise de liquidez tão profunda e súbita ao ponto de ter precisado recorrer à recuperação judicial — ainda mais quando o endividamento listado na RJ é de algumas centenas de milhões de reais.

É por isso que a CVM quer ter acesso a “documentos cruciais”, como demonstrações contábeis especiais elaboradas para instruir o pedido de RJ, contratos com bancos e fornecedores e atas de deliberação interna que autorizaram a reestruturação judicial. 

Segundo a Ambipar, parte desses documentos já foi entregue — aqueles não protegidos por sigilo — e o restante será divulgado quando o juiz responsável encerrar a tramitação sob segredo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O regulador, porém, contesta esse argumento. Para a autarquia, relatórios de fluxo de caixa e dados financeiros essenciais não possuem natureza sigilosa, especialmente quando envolvem uma empresa listada em bolsa.

O polêmico e misterioso FIDC da Ambipar

Outro capítulo nebuloso envolve as aplicações financeiras do caixa da Ambipar — mais especificamente, uma suposta estrutura de FIDC (fundo de investimento em direitos creditórios) associada à empresa.

Esse FIDC teria realizado movimentações que, segundo o Pipeline, chegaram à casa de R$ 1,2 bilhão pouco antes do pedido de RJ. O fundo também teria aumentado as provisões para inadimplência nesse período. 

A ausência de informações públicas sobre aprovação da operação pelo conselho de administração, bem como sobre possíveis ligações com partes relacionadas, acentuou ainda mais a desconfiança do mercado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ambipar em recuperação judicial

Enquanto isso, a recuperação judicial avança. No fim de outubro, a Justiça do Rio de Janeiro deferiu o pedido da Ambipar, dando início ao chamado stay period  — tempo em que a empresa fica “blindada” contra execuções e cobranças — de 180 dias. 

Esse período de proteção pode ser prorrogado por mais 180 dias, caso o juiz entenda que as negociações com credores ainda não estejam maduras. 

Nesse intervalo, a companhia terá de apresentar um plano detalhado de reestruturação financeira, incluindo prazos, garantias, prioridade de pagamentos e estratégias para reorganizar suas operações.

A companhia argumenta que buscou a RJ para proteger-se de um efeito cascata de vencimentos antecipados, mas não tem conseguido dissipar o ceticismo. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Credores afirmam que encontraram apenas uma fração do caixa anunciado. E o mercado, por enquanto, tenta entender como a empresa transita de “caixa bilionário” para “crise financeira” em tão pouco tempo.

O plano de recuperação judicial, que deve detalhar todas as informações sobre as dívidas e reorganização operacional, ainda não foi apresentado.

O mercado em compasso de espera — e de desconfiança — no 3T25

Nesse contexto, o balanço do terceiro trimestre ganha um peso adicional. 

A expectativa para o resultado é grande — e nervosa. Não há clareza sobre o que será efetivamente divulgado, já que parte dos dados está sob sigilo judicial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Analistas como Felipe Sant’Anna, da Axia Investing, alertam que o balanço pode trazer mais perguntas do que respostas e a possibilidade de novas disputas não estão descartadas. 

“Há uma nebulosidade na empresa, no caixa, nos relatórios e no próprio relatório trimestral. Todos nós aguardamos com muita ansiedade para saber o que vem aí. Mas o acionista já pode esperar uma bomba, uma granada sem pino, porque se a própria CVM não tem acesso aos documentos, imagine o investidor minoritário”, disse o analista.

O gestor da WFlow, Guilherme Viveiros, afirmou que se surpreenderia se a divulgação de resultados realmente ocorresse na data marcada. “Em caso positivo, tenho dúvidas se responderá a todas as questões que motivaram o pedido de recuperação judicial”, disse.

Quando os resultados forem divulgados, o gestor aposta que a Ambipar concentrará a atenção nos números e nas margens operacionais. Nos últimos trimestres, ela apresentou sucessivos resultados negativos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Além disso, é provável que, quando a divulgação ocorrer, a auditoria faça várias ressalvas. De antemão, considero pouco provável que tenhamos respostas conclusivas sobre o que, de fato, ocorreu na Ambipar”, disse Viveiros.

Segundo um gestor de ações, o balanço do terceiro trimestre também poderá fornecer mais pistas sobre se os resultados anteriores da Ambipar eram “minimamente fidedignos”.

“A parte operacional vinha muito bem, tanto em crescimento quanto em margem operacional. Se essa parte era verdade, tinha que haver algo muito errado nos números de endividamento e caixa para ter justificado a RJ”, disse o gestor.

Mas, até que o balanço venha à tona, a pergunta continua ecoando: onde foi parar o caixa da Ambipar?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
TENDÊNCIA GLOBAL

BTG Pactual entra na disputa pelos mercados de previsão com nova plataforma; veja como vai funcionar

27 de março de 2026 - 16:08

BTG Trends permite operar cenários de alta ou queda em ativos e decisões de juros dentro de ambiente regulado

CHECK-UP AMARGO

Dasa (DASA3) tem prejuízo de quase R$ 1 bilhão e ações vão para a UTI na maior queda da bolsa; papéis chegam a recuar 19%

27 de março de 2026 - 13:02

A empresa de saúde e diagnósticos sofre com leitura negativa do mercado após balanço do quarto trimestre de 2025; entenda os impactos do desinvestimento e as dúvidas sobre a joint venture com a Amil

FINAL DOS RUMORES?

Petrobras (PETR4) afasta ruído político e diz que não há fato novo sobre recompra da Refinaria de Mataripe

27 de março de 2026 - 12:31

Companhia destaca que qualquer decisão de investimento passa por análises técnicas e processos formais, tranquilizando investidores da bolsa

SKINS EM CRISE

A conta chegou para a Epic Games, criadora de um dos games mais jogados do mundo; por que a empresa que inventou o Fortnite demitiu mais de mil funcionários

27 de março de 2026 - 12:06

Epic Games, empresa criadora do Fortnite, faz corte brutal na equipe e coloca a culpa no principal game da casa

INCERTEZA SOBRE CONTINUIDADE

Braskem (BRKM5) tem prejuízo de R$ 10,28 bilhões no 4T25, alta de 82%, alavancagem dobra, e auditoria expressa preocupação

27 de março de 2026 - 9:10

O balanço da companhia foi aprovado sem ressalvas pela auditoria da KPMG; no entanto, houve o registro de uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional da companhia”.

NO RASTRO DA CRISE

Mais uma peça cai: Banco Central decreta liquidação extrajudicial do conglomerado Entrepay em meio à crise do Banco Master

27 de março de 2026 - 8:44

Regulador cita fragilidade financeira e irregularidades; grupo já estava no radar de investigações

RETORNO AO ACIONISTA

Dividendos à vista: Hypera (HYPE3) anuncia R$ 185 milhões em JCP e conclui aumento de capital

26 de março de 2026 - 19:47

Data de corte se aproxima enquanto caixa turbinado muda o jogo para quem pensa em investir na ação da farmacêutica

PROVENTOS NO RADAR

Acionista da Copel (CPLE3) vai encher o bolso? BTG calcula bolada em dividendos e diz o que fazer com as ações

26 de março de 2026 - 19:36

Projeções de proventos ganham fôlego com revisão do banco; veja o que muda para o investidor

NOVA ESTRUTURA

A nova aposta do Bradesco (BBDC4): como nasce a BradSaúde e o que muda no grupo segurador

26 de março de 2026 - 17:44

Nova estrutura separa operações e cria uma “máquina” dedicada a um dos segmentos mais promissores do grupo; veja o que muda na prática

RESULTADOS PRESSIONADOS

JBS (JBSS32) encara custos altos no gado e no milho, mas ainda é preferida do BTG no setor; entenda o que move a ação

26 de março de 2026 - 17:01

A JBS ainda considera que o cenário de oferta de gado nos EUA seguirá difícil em 2026, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário

MENOR E MAIS LEVE

Americanas (AMER3) sai da recuperação menor e com foco em lojas físicas; ela tem forças para correr atrás da concorrência?

26 de março de 2026 - 15:03

No entanto, enquanto ela olhava para dentro de seu negócio, as concorrentes se movimentavam. Agora, ela precisará correr se quiser se manter como uma competidora relevante no jogo do varejo brasileiro

IMERSÃO MONEY TIMES

Como o Magazine Luiza (MGLU3) conseguiu lucrar mais com IA do que a dona do ChatGPT e o próprio Google?

26 de março de 2026 - 11:54

Em participação no Imersão Money Times, em parceria com a Global X, Caio Gomes, diretor de IA e dados do Magalu, explica quais foram as estratégias para adoção da tecnologia na varejista

VAI DECOLAR PARA LONGE

Adeus, Gol (GOLL54): empresa vai sair da bolsa nesta sexta-feira e tem data para ser extinta; relembre a ‘novela’ da companhia

26 de março de 2026 - 11:26

Após a recuperação judicial nos Estados Unidos, quase fusão com a Azul e OPA, a companhia vai voar para longe da bolsa

ADEUS, PENNY STOCK

Marisa (AMAR3) recebe enquadro da B3 por ação abaixo de R$ 1, e avalia fazer grupamento; presidente do conselho renuncia

26 de março de 2026 - 10:14

Com papéis na casa dos centavos, varejista tem prazo para reagir; saída de presidente do conselho adiciona pressão

REESTRUTURAÇÃO EM CURSO

Casas Bahia (BHIA3) dá novo passo na virada financeira e levanta R$ 200 milhões com FIDC de risco sacado

26 de março de 2026 - 9:33

Após reduzir alavancagem, varejista busca agora melhorar a qualidade do funding; entenda

SAIU DO FUNDO DO POÇO?

Americanas (AMER3) pede fim da recuperação judicial, vende Uni.Co e reduz prejuízo em mais de 90%

26 de março de 2026 - 8:57

A Americanas estava em recuperação judicial desde a revelação de uma fraude bilionária em 2023, que provocou forte crise financeira e de credibilidade na companhia. Desde então, a empresa fechou lojas, reduziu custos e vendeu ativos

AINDA PRECISA VOTAR

A torneira dos dividendos vai fechar? A proposta da Equatorial (EQTL3) que pode mudar a distribuição aos acionistas

25 de março de 2026 - 19:59

Companhia propõe cortar piso de distribuição para 1% do lucro e abre espaço para reter caixa; investidor pode pedir reembolso das ações

ATENÇÃO, ACIONISTA

Dividendos e JCP: Bradesco (BBDC4) anuncia R$ 3 bilhões em proventos; veja quem mais paga aos acionistas

25 de março de 2026 - 19:25

Pagamento anunciado pelo banco será realizado ainda em 2026 e entra na conta dos dividendos obrigatórios

BARATA OU ARMADILHA?

Mesmo a R$ 1, Oncoclínicas (ONCO3) ainda tem espaço para cair mais: o alerta do JP Morgan para as ações

25 de março de 2026 - 17:02

Após tombo de mais de 90% desde o IPO, banco vê espaço adicional de queda mesmo com papel aparentemente “barato” na bolsa; entenda

O QUE FAZER COM AS AÇÕES?

Não é hora de colocar a mão no fogo pela Hapvida (HAPV3): por que o Citi ainda não comprou o discurso de virada da empresa

25 de março de 2026 - 16:09

Apesar de sinalizar uma possível virada operacional e reacender o otimismo do mercado, a Hapvida (HAPV3) ainda enfrenta ceticismo do Citi, que reduziu o preço-alvo das ações

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia