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BTG, Perfin e a holding da família Ometto são os investidores-âncora, e já garantiram a compra do lote inicial em acordo de investimentos
A Cosan (CSAN3), conglomerado com negócios nos setores de açúcar, energia, logística e outros, pode ver até R$ 10 bilhões entrarem no seu caixa. A empresa irá emitir novas ações para trazer dinheiro dos principais acionistas e, assim, fortalecer sua posição na empresa.
Depois de aprovação no conselho, o conglomerado protocolou na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a emissão de oferta pública de 1,45 bilhão de novas ações ordinárias. Existe ainda a possibilidade de um acréscimo de até 25% nesse volume caso haja demanda, ou seja, de emissão de mais 362,5 milhões de ações.
Haverá uma segunda oferta de ações subsequente, e as duas ofertas serão limitadas à emissão de até 2 bilhões de novas ações. Essa capitalização foi anunciada em setembro.
O processo será coordenado pelo BTG Pactual Investment Banking, como coordenador líder, Bradesco BBI, Santander e Itaú BBA. Também haverá um esforço de colocação das ações no exterior.
Dona da Raízen, da Rumo Logística e da empresa de gás Compass, entre outros negócios, a Cosan vinha sofrendo com o alto endividamento. No fim do ano passado, a empresa tinha dívidas de R$ 23,5 bilhões e registrou prejuízo de R$ 9,4 bilhões, para uma receita anual de R$ 44 bilhões.
Parte dessa emissão já tem compradores fechados - bem como o preço.
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BTG, Perfin e a holding da família de Rubens Ometto são os investidores-âncora, e já garantiram a compra desse lote inicial em acordo de investimentos, o que representa uma captação de R$ 7,25 bilhões, considerando o preço fixado em R$ 5 por ação. Esse é um desconto de mais de 18% em relação ao valor do fechamento de ontem, de R$ 6,16.
Haverá ainda uma segunda oferta pública de ações, destinada a investidores profissionais. As duas ofertas somadas não poderão ultrapassar a emissão de 2 bilhões de novas ações.
O preço das ações será definido depois de um processo de Bookbuilding - em que a companhia sonda com potenciais investidores quantas ações eles poderiam comprar e a que preço. Os investidores-âncora não irão participar desse processo e, portanto, não determinarão o preço por ação.
A emissão de ações mais que dobraria o número de ações que a empresa tem hoje. Atualmente, a companhia tem 1,87 bilhão de ações emitidas - 36% estão na mão dos controladores.
O conselho aprovou ainda o aumento do limite do capital para até 8 bilhões de ações ordinárias para viabilizar essas ofertas.
Essa é a etapa inicial de uma estrutura estratégica para captar recursos para a Cosan, para fortalecer sua estrutura de capital, renegociar e pagar dívidas e reduzir sua alavancagem.
Além de ajudar a rechear o caixa da empresa, a transação também fortalece os principais acionistas, que firmaram um acordo de acionistas de 20 anos, prevendo avanços na sucessão de Rubens Ometto no conglomerado.
Nos termos do acordo, a Aguassanta, veículo de investimentos de Ometto, permanece com 50% + 1 das ações vinculadas ao acordo de acionistas por um período de seis anos.
Uma das polêmicas dessa oferta é a diluição dos acionistas minoritários. Em setembro, quando a oferta foi anunciada, a XP Investimentos afirmou que, como a transação terá desconto e os acionistas minoritários não poderão participar na mesma proporção que sua participação atual — a estrutura limita a participação de outros investidores a 27,5% da oferta —, esses pequenos investidores serão diluídos mesmo se decidirem participar do aumento de capital.
No caso dos acionistas que comprarem uma participação equivalente no free float na segunda oferta, o efeito será de pelo menos 7,5%. Já para os investidores que não se comprometerem com nenhum novo capital, a diluição poderia subir até 17,3%, segundo a XP.
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