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Excesso de oferta global, disputas acionárias e responsabilidade em Alagoas pressionam a companhia, mas incentivos fiscais podem dar algum fôlego ao lucro

O ambiente está difícil para a Braskem (BRKM5), segundo o BTG Pactual. A petroquímica enfrenta um cenário global de aumento de capacidade na produção de petroquímicos, o que aumenta a oferta e pressiona os preços.
Em relatório desta quinta-feira (11), analistas pontuam que esse excesso de produção acontece justamente em um momento de demanda fraca, o que afeta ainda mais as margens.
Em 2024, entraram em operação cerca de 6,4 milhões de toneladas de polietileno (PE) e 4,5 milhões de toneladas de polipropileno (PP), principalmente na Ásia e nos EUA. Para 2025, a expectativa é de novas adições em ritmo parecido, sobretudo na Ásia e no Golfo do México.
Os preços da nafta e do propeno seguem firmes, de acordo com o banco, mas os valores dos polímeros (PE, PP e PVC) recuaram. O resultado é uma compressão significativa das margens integradas da Braskem.
Diante do cenário complicado, os analistas do BTG reduziram a projeção de preço-alvo para as ações da Braskem (BRKM5), de R$ 13 para R$ 11.
Essa combinação de fatores já afetou o desempenho da companhia no segundo trimestre do ano. O BTG revisou suas projeções de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para este e o próximo ano:
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O banco também avalia que a Braskem negocia hoje a múltiplos elevados em comparação com concorrentes globais: 12,4 vezes o Ebitda estimado para 2025 e 8,9 vezes o de 2026.
Além disso, a companhia ainda carrega riscos importantes. A empresa tem processos em aberto sobre a responsabilidade em relação ao afundamento do solo em Maceió (AL) e a indefinição sobre quem assumirá o controle acionário da empresa.
Do lado positivo, o BTG aponta o avanço do projeto de lei que recria o REIQ (Regime Especial da Indústria Química) e institui o PRESIQ (Programa Especial de Apoio à Indústria Química). O objetivo de ambos é reduzir o custo das matérias-primas petroquímicas.
Na prática, esses incentivos poderiam ser um importante catalisador para os resultados da Braskem. Pelas contas do BTG, cada 1% de benefício no REIQ/PRESIQ pode adicionar cerca de US$ 60 milhões ao Ebitda de 2026.
Ainda assim, os analistas mantêm cautela. Primeiro, porque o programa deve enfrentar resistência na aprovação — já que implica renúncia de arrecadação para a União. Depois, porque o banco acredita que, mesmo aprovado, o benefício deve vir com uma alíquota menor, entre 2% e 4%.
Os incentivos fiscais podem ajudar, segundo BTG, mas não resolvem sozinhos os problemas da petroquímica. A Braskem ainda precisará de medidas adicionais, como desinvestimentos, para melhorar de forma consistente sua geração de caixa.
Por isso, o banco mantém recomendação neutra para as ações da Braskem.
*Com informações do Money Times.
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