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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BET QUE NÃO É BET?

Bilionária brasileira que fez fortuna sem ser herdeira quer trazer empresa polêmica para o Brasil

Semanas após levantar US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos, a fundadora da Kalshi revelou planos para desembarcar no Brasil

Camille Lima
Camille Lima
22 de dezembro de 2025
11:30 - atualizado às 12:46
Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi.
Luana Lopes Lara, fundadora da Kalshi. - Imagem: Reprodução/Instagram

E se, em vez de investir em ações ou outros títulos, o investidor pudesse literalmente ganhar dinheiro com previsões sobre o futuro? Essa é a proposta da Kalshi, empresa americana que construiu um mercado em torno de eventos que ainda não aconteceram — e agora mira um país que adora apostas: o Brasil

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O interesse da startup — que se apresenta como um mercado de previsões — pelo mercado brasileiro surge em um momento especialmente favorável para a empresa, cuja natureza que remete a uma casa de apostas, ainda que não se apresente como tal, desperta polêmicas.  

Há poucas semanas, a Kalshi levantou US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos que elevou sua avaliação para US$ 11 bilhões, algo em torno de R$ 61 bilhões pelo câmbio atual.  

O novo fôlego financeiro acelerou a estratégia de expansão internacional e colocou os holofotes sobre a fundadora brasileira da empresa, Luana Lopes Lara.  

Segundo a Forbes, Luana conquistou o posto de bilionária “self-made” mais jovem do mundo, ou seja, alguém que construiu a própria fortuna sem herança. O patrimônio da empresária está avaliado em US$ 1,3 bilhão (R$ 7,2 bilhões). 

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Em entrevista ao Valor Econômico, Luana confirmou que o Brasil está no radar. Segundo ela, a companhia pretende acelerar o crescimento fora dos Estados Unidos e vê o país como um dos destinos prioritários, ainda que os planos estejam em estágio inicial.  

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“Ainda não temos nada para anunciar, mas esperamos que, no início do ano que vem, consigamos divulgar alguma novidade e começar a operar no Brasil”, afirmou. 

"Não existe nada parecido com a Kalshi no Brasil. Ou existem casas de apostas, ou existem mercados de derivativos, que é exatamente o que havia nos EUA antes da Kalshi existir. Não sabemos exatamente e estamos começando agora a analisar como o sistema funciona. Vamos tentar encontrar uma forma de levar o produto para o Brasil, mantendo o nosso modelo de funcionamento, que é o mercado em si”, disse na entrevista ao Valor. 

Com o caixa reforçado, a empresa afirma que os recursos do novo aporte serão direcionados principalmente à expansão da integração com corretoras e à formação de novas parcerias com veículos de comunicação.  

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Mas, afinal, o que exatamente faz a Kalshi — e por que ela desperta tanto interesse? 

O que é a Kalshi? 

Fundada em 2018 por Luana e seu sócio, Tarek Mansour, a Kalshi se define como uma empresa de mercado de previsões focada na negociação de contratos atrelados ao resultado de eventos futuros. 

A ideia para o negócio nasceu de uma simples constatação. “Tarek e Luana observaram que muitas decisões financeiras eram motivadas por previsões sobre eventos futuros. No entanto, perceberam uma lacuna no mercado: não havia uma maneira direta para as pessoas negociarem com base nos resultados desses eventos”, diz a própria empresa, no site. 

A proposta foi criar uma plataforma mais direta e acessível, na qual os usuários pudessem negociar posições relacionadas a acontecimentos específicos.  

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O mercado de apostas de sim e não 

Na prática, o funcionamento é binário: os investidores compram contratos de “sim” ou “não” para determinado evento. Se o evento ocorrer, o contrato paga US$ 1; se não, paga zero. 

A plataforma permite que os usuários apostem em diferentes temas e situações. Vão desde indicadores da economia dos Estados Unidos, como inflação e taxa de juros, até esportes, cultura e eventos climáticos.  

Por exemplo, uma das principais apostas na plataforma é quem será o próximo vencedor das eleições presidenciais dos EUA. Mas temas como “qual a temperatura mais alta registrada em Nova York hoje” também ganham força. 

Hoje, porém, o coração do negócio ainda bate no esporte: mais de 90% do volume negociado na plataforma vem de apostas esportivas, segundo a Forbes

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"A visão da Kalshi é permitir que as pessoas capitalizem em suas opiniões, negociem no âmbito do cotidiano e protejam-se dos riscos relacionados a elas”, disse a empresa. 

Mas essa proposta só foi possível porque a Kalshi obteve autorização dos reguladores para operar neste segmento em 2020.  

startup se tornou a primeira bolsa totalmente regulamentada nos EUA exclusivamente a contratos de eventos, ao ser oficialmente designada como Mercado de Contratos Designado (DCM, na sigla em inglês) pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), o regulador do mercado de derivativos no país. 

É bet? É bolsa? É corretora? 

Ainda assim, uma dúvida que acompanha a empresa desde o início persiste: afinal, a Kalshi é uma bet, uma bolsa de valores ou um modelo de negócios híbrido dos dois? 

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A associação com casas de apostas é quase inevitável. No fim das contas, o usuário coloca dinheiro em previsões sobre o futuro.  

Mas a fundadora faz questão de rebater essa leitura. “Não somos uma casa de apostas”, costuma afirmar. Para ela, a lógica do negócio se aproxima muito mais da de uma corretora ou de uma bolsa de valores. 

Segundo a brasileira, a diferença está no incentivo econômico do negócio. Na Kalshi, a empresa não aposta contra o usuário. Ela só cria o mercado em que compradores e vendedores negociam entre si.  

“A Kalshi funciona como uma bolsa de valores, onde as pessoas compram e vendem com base em sua previsão do futuro. E é mais do que esportes. Pode ser sobre economia, política, saúde, qualquer evento futuro mensurável”, disse a empresária, em entrevista à Exame

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“O que é importante entender é que a Kalshi não está apostando contra você, ela apenas cria o mercado onde você pode negociar com outros usuários”, acrescentou.  

Em uma casa de apostas tradicional, o usuário aposta contra a própria plataforma, que estrutura probabilidades de forma a manter vantagem.  

Kalshi enfrenta disputas regulatórias 

Essa linha tênue entre aposta e mercado financeiro, porém, trouxe desafios para a Kalshi desde o começo.  

Apesar da autorização inicial da CFTC, em 2020, a Kalshi esbarrou em barreiras regulatórias alguns anos depois. No fim de 2023, o regulador rejeitou os contratos eleitorais da empresa, por considerá-los semelhantes a jogos de azar. 

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Porém, a companhia recorreu da decisão e, em setembro de 2024, obteve uma vitória importante: a Justiça autorizou a Kalshi a oferecer contratos eleitorais legais nos EUA. 

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