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SETOR DE COMBUSTÍVEIS

ANP libera funcionamento de refinaria alvo da Operação Carbono Oculto; ICL manifesta preocupação com o setor

Segundo as investigações, o núcleo principal das atividades criminosas teria se associado ao Grupo Refit

Desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, a nova ofensiva da Receita Federal mira a rota clandestina do metanol. Imagem: Divulgação Polícia Federal
Desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, a nova ofensiva da Receita Federal mira a rota clandestina do metanol. Imagem: Divulgação Polícia Federal -

A Refinaria de Petróleo de Manguinhos (Refit) havia sido interditada desde setembro, quando o nome da companhia apareceu entre as investigadas na megaoperação Carbono Oculto, que identificou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Porém, neste sábado (25), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que “desinterditou parcialmente” as instalações da Refit. Quem não gostou da decisão foi o Instituto Combustível Legal (ICL), que divulgou um posicionamento em que manifestou preocupação com a liberação.

Na avaliação da entidade, a decisão representa um "retrocesso na agenda nacional de combate à fraude e pode comprometer a credibilidade institucional do sistema regulatório" e expõe uma "grave assimetria de tratamento no setor".

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O entendimento do ICL é que, enquanto novas formuladoras "estão impedidas de obter autorização para operar", a ANP liberou a Refit, apesar de "seu histórico de irregularidades".

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"Essa disparidade cria um ambiente de concorrência desleal, penaliza empresas regulares e transmite à sociedade a mensagem equivocada de que o descumprimento de normas pode ser tolerado".

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Para o ICL, num momento em que o país busca "fortalecer a arrecadação, combater o crime tributário e garantir segurança energética", decisões dessa natureza devem ser guiadas pela "transparência, pela isonomia e pela defesa do interesse público".

A decisão da ANP sobre a Refit

Segundo a nota divulgada pela a ANP, a refinaria, que está localizada no Rio de Janeiro (RJ), atendeu dez dos 11 “condicionantes apontados na fiscalização”, feita pela própria autarquia nos dias 25 e 26 de setembro, quando foi determinada a “interdição cautelar de toda a instalação produtora de derivados" da empresa.

A ANP liberou atividades nas áreas de movimentação, tancagem, expedição e carregamento de produtos. No entanto, a torre de destilação segue interditada.

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A agência aguarda comprovação da “necessidade do uso das colunas de destilação para compor produção de gasolina.”

Com a decisão, a ANP definiu que a refinaria está “liberada para realizar formulação de combustíveis, movimentação e comercialização de seus produtos e insumos.”

Refit no alvo da Operação Carbono Oculto

A Operação Carbono Oculto revelou que criminosos teriam obtido parte do domínio da cadeia produtiva do etanol, da gasolina e do diesel por meio da associação de dois grupos econômicos e por suas ligações. O esquema também envolvia operadores suspeitos de lavar dinheiro para o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

As investigações indicam uma dezena de práticas criminosas, que vão desde crimes contra a ordem econômica, passando por adulteração de combustíveiscrimes ambientaislavagem de dinheiro — incluindo o tráfico de drogas —, além de fraude fiscal e estelionato.

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A Operação Carbono Oculto investiga cinco núcleos da organização criminosa. O principal é formado pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, do antigo grupo Aster/Copape.

Segundo as investigações, eles teriam se associado ao Grupo Refit, que era conhecida anteriormente como Grupo Manguinhos, após a ANP cassar as licenças das duas principais empresas de Mourad e Beto Louco.

Apesar da cassação, os acusados continuaram a atuar em toda cadeia produtiva do setor, com as distribuidoras de combustíveis fornecendo óleo para o maquinário agrícola de usinas sucroalcooleiras.

Além disso, esses complexos distribuíam etanol e gasolina para a rede de postos do grupo, que era produzida pelas formuladoras de combustível dos acusados, antes ligadas à Copape e atualmente absorvidas pelo Grupo Manguinhos (Refit).

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*Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Brasil.

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