Americanas (AMER3) retoma busca por interessados no Hortifruti Natural da Terra e tira o pé do marketplace
A varejista havia paralisado a venda em novembro de 2023, alegando que as ofertas realizadas na época eram insatisfatórias

O rombo contábil da Americanas (AMER3) anunciado em 2023 pegou o mercado de surpresa e levou a companhia a enfrentar uma forte crise. Com um prejuízo de R$ 2,27 bilhões, o grupo se viu obrigado a se desfazer de parte do seu portfólio.
Até então, o Hortifruti Natural da Terra resistia na carteira, apesar de a alienação fazer parte do processo de recuperação judicial. Porém, nesta quarta-feira (13), a empresa está mais perto de dizer adeus à Americanas.
A varejista anunciou que está retomando a busca por interessados na compra da companhia. A Americanas paralisou a venda do Hortifruti Natural da Terra em novembro de 2023, alegando que as ofertas realizadas na época eram insatisfatórias.
O grupo chegou a divulgar um comunicado ao mercado, no qual afirmava que a operação só fazia sentido “dentro de determinados parâmetros, principalmente de preço”.
Vale lembrar que a Americanas adquiriu o Natural da Terra em 2021 em um negócio de R$ 2,1 bilhões.
Após o anúncio, as ações AMER3 iniciaram o pregão desta quarta-feira (13) em forte alta. Por volta das 11h30, os papéis da varejista subiam 6,53%, negociados a R$ 6,04. Já o Ibovespa caía 0,40%, aos 137.352 pontos.
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Além do Hortifruti Natural da Terra, a Americanas no 2T25
A retomada da alienação da empresa não foi a única novidade da Americanas na terça (12). Ontem, a varejista passou pela passarela da temporada de balanços do segundo trimestre, apresentando um prejuízo líquido de R$ 98 milhões.
O montante representa uma redução de 94,7% no prejuízo de R$ 1,865 bilhão apurado no mesmo período de 2024. O resultado, segundo a diretora Financeira (CFO), Camille Faria, reflete avanços operacionais e uma base de comparação ainda impactada por despesas financeiras no ano passado.
A executiva também afirmou, em entrevista ao Broadcast, que o prejuízo do segundo trimestre de 2024 foi afetado por um efeito contábil, uma vez que, na época, a varejista ainda estava em processo de renovação da dívida.
Isso porque, embora o plano de recuperação judicial já tivesse sido aprovado e estivesse em implementação, ainda se reconheciam juros sobre uma dívida financeira superior a R$ 30 bilhões.
“O indicador do segundo trimestre do ano passado foi contaminado por essas despesas. Mas, agora, o resultado financeiro está compatível com a alavancagem real da Americanas", disse Faria, acrescentando que a sazonalidade também favoreceu os últimos três meses devido às fortes vendas na Páscoa.
O feriado, que normalmente é a principal data do primeiro trimestre para a varejista, caiu no segundo trimestre neste ano.
Além do prejuízo, a Americanas também registrou um Ebitda (lucro antes de juros, depreciação e amortização) ajustado — ou seja, que exclui despesas relacionadas à recuperação judicial e os impactos dos aluguéis — de R$ 329 milhões. O valor representa um aumento de 1.216% na comparação anual.
Sem o ajuste, o Ebitda somou R$ 304 milhões ante resultado negativo em R$ 53 milhões no segundo trimestre de 2024.
Já a receita líquida foi de R$ 3,843 bilhões, avançando 24,7% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Segundo o documento divulgado, o resultado foi sustentado pelo crescimento de dois dígitos nas vendas em mesmas lojas (SSS) e por ações de otimização de sortimento e preços.
O presidente da Americanas, Leonardo Coelho, enfatizou que a melhora foi acompanhada de avanço de margem e queda nas despesas de vendas, gerais e administrativas (SG&A) do semestre, que ficaram abaixo de 30% da receita líquida, o menor nível desde o início da crise em 2023.
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Esqueça o marketplace, diz CEO
Em relação ao desempenho dos canais, Coelho foi direto: “esquece marketplace na Americanas”.
A companhia tem apostado em um modelo mais enxuto ao integrar o digital à operação física. Por isso, conta com menos vendedores externos no e-commerce e abandona o formato tradicional de marketplace que caracterizou a atuação on-line da Americanas no passado.
O CEO reforça que a empresa tem focado no ship from store — modelo em que as vendas online são atendidas a partir do estoque das lojas físicas — e no pick up in store — no qual o cliente compra pela internet e retira o produto na loja, sem enfrentar filas.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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