Mais uma vitória para a Ambipar (AMBP3): Justiça do Rio de Janeiro prorroga blindagem contra credores
A prorrogação da medida cautelar suspende pagamentos da companhia até que haja uma decisão sobre o pedido de recuperação judicial da Ambipar

Após finalmente entrar com pedido de recuperação judicial, a Ambipar (AMBP3) teve uma nova vitória nos tribunais cariocas. A empresa informou na noite de sexta-feira (24) que a 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro prorrogou a medida cautelar que suspende pagamentos da companhia.
A medida havia sido concedida em setembro e tem por objetivo proteger a empresa temporariamente, com uma validade de 30 dias, de exigências de credores.
Vale lembrar que foi justamente esta ação judicial que deu início a uma crise de confiança no mercado em relação à capacidade da Ambipar de pagar suas dívidas, desembocando no pedido de recuperação judicial no Brasil e nos Estados Unidos.
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De acordo com o fato relevante divulgado ontem, a extensão dos efeitos ocorre “até que sejam esclarecidos determinados fatos considerados necessários pelo Juízo para que possa ser proferida uma decisão em relação ao processamento do pedido de recuperação judicial da Ambipar e de suas afiliadas”.
Caso o pedido de RJ seja aceito, a companhia pode ganhar fôlego para organizar um plano de pagamento.
O pedido de recuperação judicial
A Ambipar apresentou à Justiça do Rio de Janeiro um relatório gerencial de seu fluxo de caixa, em envelope lacrado e sob sigilo, conforme consta no pedido de recuperação judicial. O documento inclui projeções financeiras para os próximos dois anos, segundo informações do Broadcast.
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A empresa, que possui uma das maiores dívidas do mercado — de quase R$ 11 bilhões —, detalha o destino do caixa de R$ 4,7 bilhões registrado no segundo trimestre, dos quais afirma ter R$ 2 bilhões disponíveis imediatamente.
De acordo com a agência de notícias, entre os maiores credores da Ambipar estão os bancos Santander e Banco do Brasil. Só com os bancos, a companhia soma dívidas no valor de R$ 2 bilhões.
A crise da Ambipar
O colapso da companhia começou no dia 22 de setembro, quando os bonds da Ambipar com vencimento em 2031 desabaram no mercado internacional, pouco antes de a empresa ter anunciado a sua sétima emissão de debêntures, no valor de R$ 3 bilhões.
A Ambipar havia emitido esses títulos de dívida pelo Deutsche Bank em dólar. Para se proteger da volatilidade do câmbio, já que suas receitas são em reais, a empresa contratou um contrato de swap com o banco, transformando, na prática, sua dívida em dólar em uma obrigação em real.
O problema veio com um aditivo contratual que vinculava o derivativo à performance dos próprios títulos. Quando o preço desses títulos verdes começou a cair, esse aditivo foi acionado, e o Deutsche Bank exigiu um depósito de US$ 35 milhões.
Essa exigência gerou um risco de efeito dominó na Ambipar, que poderia gerar um rombo de R$ 10 bilhões no caixa da empresa. Isso porque quase todos os contratos financeiros da Ambipar contêm cláusulas de vencimento cruzado, em uma espécie de efeito cascata de cobrança entre os credores.
Foi aí que a empresa correu para a Justiça para se proteger disso, com uma medida que funciona como um passo anterior à recuperação judicial.
O Seu Dinheiro gravou um vídeo explicando de um jeito rápido e fácil o que aconteceu com a Ambipar, compartilhe com seu amigo investidor que ainda não entendeu o caso:
*Com informações do MoneyTimes.
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