A virada da C&A (CEAB3): como a varejista calou os céticos e disparou mais de 400% na B3 — e ainda vale a pena comprar?
Varejista colheu os frutos ao melhorar a coleção e o estoque, abandonar a moda perecível, usar a precificação dinâmica e, principalmente, retomar a concessão de crédito próprio de forma saudável

Foi um daqueles momentos que ficam marcados na memória de qualquer investidor. “Eu tenho uma história triste. Eu tinha ação da C&A (CEAB3) e vendi a R$ 3…”, confessou, com um misto de arrependimento e resignação, um gestor de recursos, ao ser questionado sobre a impressionante valorização da varejista de moda nos últimos anos.
A última vez que a ação da C&A negociou nessa faixa de R$ 3 foi no início de 2023. Desde então, entrou em uma trajetória de alta consistente que surpreendeu qualquer cético. Em junho passado, bateu a máxima de R$ 19,94.
No fechamento de sexta-feira (3), o papel saía a R$ 15,14. Neste ano, a alta acumulada supera 100%. A valorização desde que o gestor vendeu a ação é de mais de 400% — sem dúvida, uma história amarga para contar.
Mas o que a C&A fez, afinal, para conquistar tantos investidores, mesmo enfrentando uma concorrência feroz — incluindo as varejistas online asiáticas?
- VEJA TAMBÉM: Tempestade à vista para a BOLSA e o DÓLAR: o risco eleitoral que o mercado IGNORA - assista o novo episódio do Touros e Ursos no Youtube
C&A (CEAB3): colhendo os frutos
Na visão de um analista, depois do IPO, em 2019, veio a pandemia, e o papel acabou ficando “meio largado, porque os resultados não eram nada de mais”. Mas eis que algumas sementes que a administração havia plantado começaram a aparecer.
“A primeira vez que compramos a ação foi depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2022. Basicamente, a C&A tinha gerado cerca de R$ 750 milhões de caixa e valia na bolsa perto de R$ 500 milhões”, disse outro gestor, comprado no papel.
Leia Também
Na época do IPO, a C&A apostava em cinco alavancas estratégicas — logística, site, novas lojas, financeira e pricing. Era uma abordagem que exigia investimentos pesados no início, com resultados esperados para o médio prazo.
Durante a pandemia e antes da taxação das varejistas asiáticas, as ações sofreram bastante, e muitos analistas acreditavam que a empresa enfrentaria dificuldades crescentes.
No entanto, a companhia reagiu: cortou despesas, recomprou sua financeira do Bradesco e começou a mostrar evolução nos resultados.

A empresa também aprimorou sua heurística de abastecimento das lojas, focando em coleções voltadas para o dia a dia e deixando de lado a moda perecível.
As reformas nas unidades físicas foram bem-sucedidas, com melhora significativa nas vendas das lojas remodeladas. Além disso, a C&A abandonou a categoria de “fashiontronics”, deixando de vender celulares, relógios e eletrônicos.
- LEIA TAMBÉM: Onde investir em outubro? O Seu Dinheiro reuniu os melhores ativos para ter na carteira neste mês; confira agora gratuitamente
Outro avanço importante foi na logística. A companhia, que antes enfrentava dificuldades na distribuição de produtos, passou a adotar o sistema de “push & pull”, com precificação dinâmica nas lojas. Os preços passaram a ser ajustados conforme a demanda, tanto para cima quanto para baixo, o que contribuiu para uma alta relevante na margem bruta, graças à redução das peças promocionais.
A C&A também estudou o modelo de negócio das concorrentes asiáticas, notadamente a Shein, cujas vendas continuam fortes no Brasil, apesar da taxação. “Mesmo assim, ainda é muito barato.”
O pulo no crédito
Um ponto principal da melhora financeira e operacional da C&A, dizem os especialistas, foi o fato de a empresa ter voltado a dar crédito. “E de uma forma muito bem feita, diga-se de passagem, com pessoas muito preparadas envolvidas num comitê”, disse um analista.
O comitê financeiro da C&A é composto pelo CEO, Paulo Correa, além de Peter Furukawa, CEO da Lojas Quero-Quero; e Jamil Saud Marque, CFO e COO do banco Neon.
- SAIBA MAIS: Ações, FIIs, dividendos, BDRs e cripto – conheça os ativos mais promissores para investir neste mês no “Onde Investir em Outubro”, do Seu Dinheiro
Em 2009, a controladora da C&A vendeu o seu banco Ibi ao Bradesco, fechando um acordo com o bancão para a venda exclusiva de seus produtos financeiros nas lojas da rede por 20 anos.
Em 2021, a C&A anunciou a recompra do direito de oferecer serviços e produtos financeiros até então explorados de forma exclusiva pelo Bradesco. Em junho deste ano, encerrou definitivamente a parceria com o banco da Cidade de Deus.

O analista aponta que quando eles fizeram esses movimentos, geraram dúvidas na cabeça dos investidores. “A Renner estava secando o crédito e passando por problemas de inadimplência por ter ido competir com Nubank no mar aberto”, disse.
A C&A, no entanto, tem vendas menores do que a Renner e conseguiu crescer a carteira de crédito de forma saudável. “Os mais céticos achavam que ia dar tilt em algum momento e que as vendas do vestuário só aconteciam por isso. Mas não deu esse tilt e as vendas continuaram crescendo”.
- LEIA TAMBÉM: Os leitores do Seu Dinheiro recebem todos os dias as notícias mais quentes do mercado. Quer receber também? Cadastre-se aqui
Lojas Renner ainda à frente
Apesar dos frutos operacionais, a Renner ainda lucra quase três vezes mais do que a C&A — a ação da Renner (LREN3) acumula valorização de 21% em 2025.
O mercado começou a prestar atenção na C&A quando viu que o gap de produtividade das lojas em relação à Renner, que era 30% pré-pandemia, chegou a bater 50% em 2022-23. Agora, voltou para um patamar mais na casa dos 30%. Ou seja, uma loja da C&A vende por metro quadrado 60% a 70% do que a Loja da Renner vende.
A evolução das vendas é um indicador-chave para avaliar o momento de entrada na ação. A base da C&A era fraca, e a empresa chegou a registrar prejuízo. “Quem comprar a ação da C&A hoje tem que apostar que esse gap de vendas para a Renner vai fechar novamente. É uma aposta mais difícil, já que agora a ação andou muito”, ponderou um gestor.
Nesse meio tempo, a Lojas Marisa enfrentou uma reestruturação, o que também pode ter favorecido um incremento nas vendas da C&A. “Eu acho difícil fazer essa conta de share na vírgula. O mercado em si é muito grande e pulverizado”, diz outro gestor.
- CONFIRA: Você sabe o que está em alta? Cadastre-se para receber as newsletters do Lifestyle do Seu Dinheiro, antenada em comportamento e consumo
Vento que venta lá…
Nos resultados do segundo trimestre, as varejistas de vestuário tiveram forte crescimento, de dois dígitos, nas vendas nas mesmas lojas. “Fica difícil justificar que foi inteiramente por méritos ‘micro’ da gestão. Alguma coisa ‘macro’ também tem de ter contribuído. Talvez o próprio clima frio”, disse um gestor.
A expectativa em torno dos próximos resultados da C&A é alta. Nos últimos anos, a empresa cresceu partindo de uma base fraca, mas agora o ponto de partida é mais elevado. Em um evento recente com empresas do setor, promovido por um banco de investimentos, a maioria sinalizou que setembro foi “um pouco mais fraco”.
Para outro gestor, esse final de ano será difícil para o varejo como um todo. “A base de vendas nas mesmas lojas do ano passado é muito forte. O mercado espera um desaquecimento, ainda mais com esse juro alto. A conversa é boa com algumas empresas, que não estão vendo sinal de desaceleração forte. Mas aí você fala com bancos, com supermercados… e o cenário parece outro…”, disse.
Controlador da C&A (CEAB3) vende ações
A disparada das ações da C&A também chamou atenção da Cofra, holding da família Brenninkmeijer, que controla a companhia. Em novembro do ano passado, a Cofra vendeu 13% de participação na empresa num leilão na bolsa R$ 11,52 por ação. Desde então, a controladora tem 52,33% do capital da varejista.
- LEIA TAMBÉM: Quer se antenar sobre tendências, turismo e estilo de vida? Receba gratuitamente as newsletters do Lifestyle do Seu Dinheiro; cadastre-se aqu
“Nessa cotação, não me espantará se a Cofra vender mais um pedaço, ainda que deixe de ter o controle. Acredito que isso não seria um problema para eles, que têm pouca influência na gestão local”, disse um analista. “Para mim, uma nova venda é questão de tempo.”
Paulo Correa é o CEO da C&A há dez anos — ele entrou na companhia em 2004, como diretor. Laurence Beltrão Gomes é o CFO — ocupou o mesmo posto na Renner (2013-2020).
“Eles têm um discurso muito coerente e vêm fazendo um baita trabalho. Enfrentaram Renner, Shein, todas as blusinhas importadas. É difícil cravar um único ponto de destaque. Melhoraram venda, margem, coleção, com mais alinhamento do time de criação. A única opção deles era virar o jogo. Ou acertavam ou acertavam. E conseguiram.”
Para o analista, outro mérito da gestão foi que, em vez de ficar “reclamando com o governo” para a taxação das concorrentes online asiáticas, a C&A estudou os modelos para entender o que daria para adaptar no país do processo produtivo das concorrentes internacionais. “Eles reduziram o tamanho dos pedidos e, consequentemente, a remarcação. E tiveram uma conexão melhor no online.”
ATENÇÃO, INVESTIDOR
INBR32 dá adeus à B3: prazo para decidir o destino dos BDRs do Inter termina nesta sexta-feira; veja as opções
15 de outubro de 2026 - 10:50ESTRUTURAS INTACTAS
O negócio caiu, mas a ação subiu: por que a disparada dos distratos não assusta os investidores de Tenda (TEND3) e Cury (CURY3)
15 de outubro de 2026 - 6:06ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: dona da Vivo (VIVT3) vai distribuir R$ 450 milhões em proventos; confira os prazos
14 de outubro de 2026 - 19:14EM MEIO À EUFORIA
O Bradesco saiu de moda na bolsa? O rali eleitoral tem seus queridinhos — e BBDC4 ficou de escanteio
14 de outubro de 2026 - 19:03PARA ALÉM DAS ACADEMIAS
Juros são o maior desafio da Smart Fit (SMFT3), segundo o CEO. Como a líder do setor fitness tem crescido nesse cenário?
14 de outubro de 2026 - 17:45SAÚDE NA BOLSA
Ações de saúde pegaram carona na eleição; agora, UBS BB revela o que pode vir pela frente para Rede D’Or, Hapvida e outras
13 de outubro de 2026 - 19:51DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?
Vencedores e vencidos pelos juros: o mapa do BTG para a sua carteira com a Selic menor
13 de outubro de 2026 - 19:21ESPAÇO PARA FATURAR BILHÕES
O jogo virou para o Magazine Luiza (MGLU3)? Itaú BBA eleva recomendação para compra com alívio nos juros e crise na Casas Bahia (BHIA3)
13 de outubro de 2026 - 12:45DESALAVANCAGEM EM FOCO
CSN (CSNA3) põe siderúrgica alemã à venda; negócio de R$ 3,1 bilhões vai resolver sua dor de cabeça bilionária?
12 de outubro de 2026 - 10:59ESTRATÉGIA DE EXPANSÃO
Bradseg quer crescer sem entrar na guerra de preços dos seguros, diz CEO; veja onde está a aposta da companhia
12 de outubro de 2026 - 10:03NA ERA DA IA
Seu próximo gerente pode ser uma IA: veja como Bradesco e Santander estão se preparando e se os apps de banco vão acabar
12 de outubro de 2026 - 7:02O QUE ESTÁ EM JOGO?
Raízen (RAIZ4) quer listar subsidiária na B3 em meio a plano bilionário de reorganização
10 de outubro de 2026 - 9:08ATENÇÃO, ACIONISTA!
Dividendos e JCP: Santander (SANB11) distribuirá R$ 1,5 bilhão aos acionistas; saiba quem mais paga
9 de outubro de 2026 - 19:34Conteúdo Market Makers
Bancos vão investir R$ 3 bilhões em inteligência artificial e soluções de dados em 2026: O que eles já descobriram que você ainda não aplica?
9 de outubro de 2026 - 13:00Conteúdo Empiricus
Qual a importância de saber o valor real da sua empresa? Conheça uma forma gratuita de calculá-lo
9 de outubro de 2026 - 12:00ENERGIA NA MIRA
Não é a Taesa (TAEE11): Ação paga bons dividendos, mas não é a favorita do Itaú BBA; veja as elétricas preferidas do banco
9 de outubro de 2026 - 9:37NOVAS FRONTEIRAS
Quer investir na China sem sair da B3? BTG Pactual Asset fecha parceria com gigante chinesa para preparar novos ETFs
9 de outubro de 2026 - 5:01RECOMENDAÇÃO
O pior já passou para a SLC Agrícola (SLCE3)? Bancos elevam projeções para 2027, mas fazem alerta aos investidores
8 de outubro de 2026 - 17:33Conteúdo Empiricus
Com R$ 210 bilhões em operações em 2026, mercado de M&A mira as médias empresas, mas este erro pode comprometer o valor da negociação
8 de outubro de 2026 - 17:01A VENCEDORA DOS JUROS BAIXOS