A Petrobras (PETR4) vai subir os preços da gasolina e do diesel? Apesar da alta do dólar, dois fatores podem impedir um novo reajuste agora, segundo o Santander
Estimativas do banco apontam que a estatal está vendendo combustíveis com desconto de 7% para a gasolina e 12% para o diesel em relação ao preço de paridade de importação (PPI)

A recente alta nos preços internacionais dos combustíveis e a desvalorização do real ampliaram a defasagem no preço praticado pela Petrobras (PETR4) em relação ao valor de paridade de importação (PPI). Esse cenário já acendeu o alerta no mercado sobre a possibilidade de novos reajustes da gasolina e do diesel nos postos do país.
De acordo com um novo relatório divulgado nesta quinta-feira (9), o Santander acredita que a estatal deve aumentar os preços por aqui no curto prazo, principalmente o da gasolina.
Segundo estimativas do banco, a defasagem em relação ao PPI é de 7%, enquanto o diesel é vendido com desconto de cerca de 12%.
Spreads de crack e a alta nos preços internacionais
O Santander explica que os preços dos combustíveis no exterior subiram devido à alta demanda, especialmente no Golfo do México, onde o aumento foi de 10% e 12%, respectivamente.
A demanda, impulsionada principalmente pela onda de frio nos Estados Unidos e na Europa, gerou uma maior necessidade de combustíveis e aumentou as tensões políticas, como as discussões sobre as sanções ao Irã, um dos maiores produtores de petróleo.
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Enquanto isso, o real permaneceu relativamente estável, o que agravou a diferença entre os preços internos e internacionais, de acordo com os analistas do banco.
Por conta disso, o Santander estima que os spreads de crack (a diferença entre o preço do petróleo bruto e o valor dos derivados) são de US$ 3 por barril para a gasolina e US$ 15 por barril para o diesel.
Esses spreads são usados como indicador da rentabilidade das refinarias, mostrando quanto elas ganham ao processar petróleo bruto e transformá-lo em derivados, como gasolina e diesel. Quanto maior o spread, maior o lucro das refinarias.
No caso da Petrobras, os spreads de crack estão abaixo das médias históricas, segundo o Santander. Isso porque, nos últimos 12 anos, a média histórica da companhia é de aproximadamente US$ 10.
Vale lembrar que o último reajuste feito pela estatal nos combustíveis foi em julho de 2024, quando a Petrobras aumentou o preço da gasolina em 7%. No caso do diesel, o último aumento foi de 7% e ocorreu em dezembro de 2023.
Além disso, a companhia alterou sua política de preços em maio de 2023, com o argumento de que seria capaz de garantir a rentabilidade da empresa e a execução de seu plano de investimentos, sem repassar a volatilidade cambial ao mercado interno.
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O que pode impedir um aumento nos preços?
Nos cálculos dos analistas do Santander, a Petrobras precisaria aumentar os preços da gasolina e do diesel em aproximadamente 7 e 8% para restaurar os spreads de crack para as médias históricas.
Entretanto, o banco pondera que o reajuste anual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis, previsto para fevereiro deste ano, e a possibilidade de importação de diesel por outros participantes do mercado podem fazer com que a empresa mantenha os preços sem alterações, de acordo com os analistas.
“Acreditamos que a Petrobras tem mais chances de ajustar os preços da gasolina, enquanto o diesel pode permanecer inalterado; no entanto, o aumento do ICMS em 1º de fevereiro pode impedir a Petrobras de aumentar os preços, em nossa opinião”, afirma o Santander.
“Dito isso, observamos que os preços dos combustíveis irão aumentar nas bombas em 1º de fevereiro, devido ao aumento do ICMS, o que diminui nossa confiança de que a Petrobras ajustará os preços internos antes dessa data.”
É hora de comprar a ação da Petrobras (PETR4)?
Com reajuste no horizonte ou não, o Santander manteve a classificação “outperform” para as ações da Petrobras, equivalente a recomendação de compra para PETR4.
O preço-alvo para a ação da Petrobras ao final de 2025 é de R$ 51, o que indica um potencial de valorização de cerca de 41% em relação ao fechamento anterior da ação.
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