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Além da melhora de resultados, o fato de se tornar uma boa e frequente pagadora de proventos é mais um fator que deve ajudar os papéis a subir, agora que a disputa com o governo ficou para trás
Uma das maiores desconexões entre preço e fundamentos que tenho observado na bolsa brasileira é a Eletrobras (ELET3).
Desde que foi privatizada, a companhia tem conseguido entregar uma série de melhorias que estão ao seu alcance, como redução nas despesas gerenciáveis (PMSO), diminuição de bilhões de reais nos estoques de compulsórios, entre outras evoluções que inclusive têm se refletido nos resultados.
No entanto, o preço das ações não evoluiu de acordo com os resultados nos últimos anos, como você pode verificar no gráfico abaixo.
Como você já deve saber, se os resultados melhoram e o preço da ação não sobe, ocorre uma compressão de múltiplos e os papéis ficam mais baratos.
Neste momento, a Eletrobras negocia por menos de 6x Valor da Firma/Ebitda, níveis bem mais baixos que em 2022 e menores até do que víamos no governo Dilma, quando a elétrica estava praticamente quebrada.
Qual o motivo dessa desconexão? O embate de quase dois anos com o governo.
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Quando voltou à presidência, em 2023, Lula passou a contestar duramente a privatização da Eletrobras, tentando reverter alguns pontos cruciais para o bom funcionamento da companhia, como por exemplo a limitação de votos do governo.
Durante esse tempo todo, a grande evolução de resultados da Eletrobras que comentamos ficou em segundo plano, porque nada daquilo teria importância caso o governo voltasse a dar as cartas na companhia.
Felizmente para os acionistas, esse problema parece resolvido.
Ao anunciar o acordo com a União na semana passada, a Eletrobras retirou uma série de riscos que pairavam sobre sua tese. Mesmo com uma cadeira a mais no conselho, o governo permanece com voto limitado a 10%, e portanto, não tem poder para decidir os rumos da companhia.
Existem outros pontos positivos no acordo, como a retirada da obrigação de futuros investimentos da Eletrobras em Angra 3, que elimina riscos de aportes bilionários.
Mas o importante é que depois de dois anos focado na briga com o governo, o mercado poderá voltar a prestar atenção na melhora de resultados.
Outro ponto positivo, que passou despercebido por conta de toda a confusão, é uma possível mudança na dinâmica de pagamento de dividendos.
O primeiro sinal favorável aconteceu na virada do ano, quando, em fato relevante, a Eletrobras disse estar avaliando o pagamento de proventos trimestrais.
Dado que atualmente a companhia distribui dividendos anualmente, isso mostra que ela está mais confortável com os resultados e com o balanço para assumir um compromisso de remuneração mais frequente.
Essa já seria uma boa notícia, mas, além disso, a empresa aproveitou para antecipar para janeiro os proventos referentes ao exercício de 2024.
O que chamou a atenção é que, mesmo com grandes chances de distribuir mais dividendos no restante de 2025, o montante pago neste ano até aqui já é igual ao que foi distribuído em 2024 inteiro e também é maior que 2023 e 2022.
Além da melhora de resultados, o fato de se tornar uma boa e frequente pagadora de dividendos é mais um fator que deve ajudar os papéis a se valorizar, agora que a disputa com o governo ficou para trás.
Inclusive, a Eletrobras é um dos destaques da Carteira de Dividendos de março. Se quiser conferir a carteira completa de forma gratuita, deixo aqui o convite.
Um abraço e até a próxima semana!
Ruy
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