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De alinhamento a feedback, veja como líderes e funcionários de alta performance se comunicam

Profissionais qualificados, de alta performance e com boa reputação interna podem enfrentar um dilema recorrente: não conseguem entender o que o chefe realmente espera delas. Alguns se veem deixados de lado em projetos estratégicos ou promoções, outros se desgastam com a política interna da empresa.
Segundo Melody Wilding, terapeuta, professora de comportamento humano e coach executiva — que já orientou profissionais do Google, da Amazon e de várias empresas da Fortune 500 —, a raiz desse problema costuma ser uma só: falta de habilidade para “gerenciar para cima”.
O tema está no centro de seu livro Managing Up: How to Get What You Need from the People in Charge, no qual Wilding defende que navegar estrategicamente a relação com superiores, e não simplesmente executar tarefas, é uma competência essencial do mercado de trabalho contemporâneo.
A expressão pode soar ultrapassada. Mas, para ela, não se trata de agradar chefes, e sim de compreender estilos, alinhar expectativas e construir influência de forma inteligente. Uma ferramenta de sobrevivência em ambientes competitivos, mas também de crescimento profissional.
Wilding organiza sua metodologia em torno de dez conversas essenciais. São diálogos que, segundo ela, diferenciam profissionais que “se viram” daqueles que assumem controle da própria trajetória. Não são interações únicas: são práticas contínuas.
Entender como o seu trabalho se conecta às prioridades do líder, o que significa “entregar valor” e quais objetivos contam de fato. É o ponto de partida para ser promovido ou reconhecido.
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Descobrir como seu chefe se comunica, toma decisões, processa informações e lida com pressão, enquanto encontra uma forma de expor suas próprias necessidades com clareza e respeito.
Sair da postura júnior de “cumprir ordens” e começar a apresentar ideias, apontar caminhos e resolver os problemas certos.
Aprender a dizer não de maneira estratégica para evitar sobrecarga sem comprometer a reputação.
Entregar críticas construtivas para cima (sem ser visto como insolente), lidar com comentários inadequados e se proteger de retaliações.
Olhar além do chefe imediato e identificar outros influenciadores, patrocinadores e tomadores de decisão.
Garantir que o trabalho e (não o esforço) seja percebido, reconhecido e recompensado. Inclui técnicas de storytelling e maneiras de reagir quando alguém tenta se apropriar da sua entrega.
Se posicionar para o próximo passo na carreira, alinhando ambições pessoais aos interesses da empresa.
Negociar salário, aumento ou benefícios sem medo e sem reforçar estigmas.
Deixar a empresa em bons termos, preservando reputação e relacionamentos, um ativo valioso demais para ser comprometido.
Wilding enfatiza que nenhuma dessas conversas funciona em modo padrão. Cada chefe é diferente e cada empresa mais ainda.
Por isso, ela descreve quatro perfis comuns de liderança: Comandante, Líder de Torcida, Zelador e Controlador, e sugere abordagens específicas para cada um, sempre preservando a autonomia do profissional e a inteligência emocional como ferramenta central.
O objetivo não é moldar-se ao chefe, mas entender como ele opera para influenciar com mais eficácia.
Um dos pilares do livro é a necessidade de clareza interna. A autora pede que o leitor imagine seu “melhor dia de trabalho possível daqui a um ano”.
A partir dessa visão, surgem prioridades, escolhas de carreira e limites, e fica mais fácil conduzir as conversas essenciais.
Segundo ela, “antes de alinhar com os outros, você precisa alinhar consigo mesmo”.
Para muitos profissionais, especialmente os de alta performance, essas conversas parecem desconfortáveis. E são — inclusive para quem já chegou ao topo da hierarquia corporativa.
Wilding recomenda começar devagar, construindo confiança e naturalidade. Um alinhamento por vez. Um limite por vez. Uma solicitação clara por vez.
O resultado, afirma, não é apenas melhorar a relação com superiores, mas mudar a forma como você se percebe dentro da organização: de alvo de decisões alheias para agente ativo da própria carreira.
No fim, gerenciar para cima não é sobre agradar chefes. É sobre obter clareza, influência e autonomia.
*Com informações da CNBC.
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