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Banco estatal tem passado por revisões de analistas depois de apresentar resultados ruins no primeiro trimestre do ano e agora paga o preço
É tempo de vacas magras para o Banco do Brasil (BBAS3). Desde a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, as ações do BB passaram a ser reavaliadas por analistas, devido às perspectivas mais negativas para o lucro nos próximos meses.
Não foi diferente com o Itaú BBA.
Em relatório desta terça-feira (10), os analistas Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranhard diminuíram o preço-alvo das ações BBAS3 para 2025 e também passaram a projetar um pagamento de dividendos menor do que o esperado anteriormente.
A mudança reflete uma visão mais cautelosa em relação ao desempenho do banco, devido a uma piora na qualidade do crédito que não se limita ao agronegócio — embora seja um segmento importante, que representa cerca de um terço da exposição total de crédito do BB.
A deterioração do crédito no Banco do Brasil é impulsionada por múltiplos fatores, segundo o Itaú BBA.
No agronegócio, questões econômicas e comportamentais do setor estão impactando a performance de empresas que têm crédito com o BB.
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O relatório aponta que um novo arcabouço legal tem facilitado a recuperação judicial para produtores individuais, de modo que, combinado ao histórico recente de renegociações e rolagem de dívidas criaram um “risco moral" de pagamentos.
“As condições da colheita estão evoluindo bem, mas a disposição para pagar parece ter diminuído”, diz o relatório.
Além do agro, a qualidade do crédito também está piorando nos segmentos varejo e corporativo. Renegociações realizadas entre 2023 e 2024 acabaram resultando em inadimplência e provisões maiores em 2025.
E essa tendência negativa deve fazer com que os próximos trimestres sejam piores que o primeiro trimestre de 2025, que já causou um grande alarde entre investidores.
Diante deste cenário, o Itaú BBA precisou incorporar um volume considerável de provisões adicionais em seus modelos, estimadas em aproximadamente R$ 24 bilhões para 2025.
Esse aumento nas provisões teve um impacto direto nos resultados do Banco do Brasil.
As estimativas de lucro foram reduzidas em 33% para 2025 e 24% para 2026, caindo para R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões, respectivamente. Consequentemente, as projeções para o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) também foram ajustadas para baixo (12,8% em 2025 e 14,5% em 2026).
Essa perspectiva de lucros menores leva a um prejuízo importante para os acionistas: a projeção de payout (percentual do lucro distribuído) foi reduzida para cerca de 30%, em comparação com a orientação anterior de 40% a 45%.
O Itaú BBA reiterou uma recomendação neutra para as ações do Banco do Brasil.
Com a revisão dos lucros e o aumento das provisões, o preço-alvo para as ações BBAS3 foi reduzido de R$ 29 para R$ 25 por ação.
Já os dividendos caíram de uma perspectiva de 9% de dividend yield para 5,8% em 2025 e 2026 e 8,7% em 2027.
Apesar da avaliação atual parecer descontada — negociando a 5,05 vezes o preço/lucro de 2025 —, os analistas indicam que a incerteza e os resultados mais fracos devem impedir uma reavaliação positiva no curto prazo.
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