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VIRADA NOS MERCADOS

Medo se espalha por Wall Street depois do relatório de emprego dos EUA e nem a “toda-poderosa” Nvidia conseguiu impedir

A criação de postos de trabalho nos EUA veio bem acima do esperado pelo mercado, o que reduz chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) em dezembro; bolsas saem de alta generalizada para queda em uníssono

Wall Street diante de um gráfico vermelho de queda
Wall Street - Imagem: Canvas Pro

Enquanto a B3 descansou neste feriado, Wall Street viveu um dia cheio de emoções. No começo do dia, um pregão de fortes altas tomava forma nas bolsas de Nova York, impulsionadas pelo resultado robusto da Nvidia no terceiro trimestre, que aliviou os temores sobre uma possível bolha no setor de Inteligência Artificial.

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No entanto, um dado divulgado com um mês de atraso entrou no caminho do ‘oba-oba’ nos mercados lá fora: o payroll de setembro. O relatório de emprego dos EUA foi divulgado hoje (20) pelo Departamento do Trabalho, com um mês de atraso graças à paralisação (shutdown) do governo norte-americano.

Os Estados Unidos (EUA) criaram 119 mil vagas de emprego em setembro, bem acima dos 50 mil novos postos de trabalho que o mercado esperava, segundo a mediana das projeções coletadas pelo Broadcast.

Com isso, nem mesmo a toda poderosa Nvidia foi capaz de segurar as pontas para as bolsas lá fora. O Nasdaq fechou o pregão na liderança das perdas, com desvalorização de 2,16%. Já o S&P 500 registrou queda de 1,56% no mesmo horário. O Dow Jones, por sua vez, caiu 0,84%.

E, mesmo com as negociações na B3 paradas pelo feriado, dá para ter um gostinho do que esperar no pregão da sexta-feira (21): o EWZ, ETF que reúne as ADRs de empresas brasileiras — considerado o Ibovespa em dólar — perdeu 1,82%.

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Por que o payroll mexeu tanto com Wall Street?

Basicamente, um dado tão mais forte do que o esperado pelo mercado reduz as esperanças de cortes nos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) em dezembro.

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Isso porque os números mostraram um mercado de trabalho ainda aquecido, o que aumenta a pressão sobre a reunião do mês que vem da autoridade monetária. 

“Os mercados esperavam um corte em dezembro, mas a narrativa aparentemente mudou”, afirmou Jeff Kilburg, da KKM Financial à CNBC Internacional.

Para a economista Cláudia Moreno, do C6 Bank, o dado indica que o mercado de trabalho ainda mantém o fôlego. “As 119 mil contratações registradas em setembro superaram as expectativas do mercado e representam um forte crescimento em relação ao dado revisado de agosto”, afirma.

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Apesar de a taxa de desemprego ter subido de 4,3% para 4,4% em setembro — acima do esperado, que era 4,3% —, ela permanece baixa em termos históricos nos EUA. Os salários avançaram 0,2% no mês e acumulam alta de 3,8% em 12 meses.

Segundo a economista do C6, o bom ritmo de contratações nos últimos meses reforça a visão de que a atividade econômica americana segue robusta, o que tende a manter a inflação pressionada. Outros indicadores recentes, como o PMI de serviços — um termômetro da atividade no setor —, corroboram essa leitura.

Moreno lembra ainda que, antes da última decisão de juros, os membros do Fed demonstravam maior preocupação com uma possível deterioração do mercado de trabalho do que com a inflação, mas agora alertam para uma possível pausa no ciclo de afrouxamento monetário.

“A ata da última reunião de política monetária sugere que as preocupações em relação à alta dos preços têm aumentado. Esse cenário, junto com os dados de hoje, diminui a chance de um corte de juros na reunião de dezembro”, conclui.

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A ata da reunião de outubro do Fed, divulgada na véspera, mostrou que, embora o banco central tenha decidido cortar os juros em 0,25 ponto percentual, os dirigentes seguem divididos sobre os próximos passos da política monetária. 

A redução foi aprovada apesar da preocupação persistente com a inflação, que voltou a subir ao longo do ano e continua elevada na avaliação de boa parte dos membros do comitê.

*Com informações do Money Times

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