Depois do hiato causado pelo shutdown, Payroll de setembro vem acima das expectativas e reduz chances de corte de juros em dezembro
Os Estados Unidos (EUA) criaram 119 mil vagas de emprego em setembro, segundo o relatório de payroll divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Departamento do Trabalho

Os Estados Unidos (EUA) criaram 119 mil vagas de emprego em setembro, segundo o relatório de payroll divulgado — com atraso por causa do shutdown — nesta quinta-feira (20) pelo Departamento do Trabalho.
O número veio bem acima do esperado pelo mercado, uma vez que a expectativa era de que seriam abertos 50 mil novos postos, segundo a mediana das projeções coletadas pelo Broadcast.
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O dado de emprego dos EUA
A variação no total de empregos em julho foi revisada de 79 mil para 72 mil, uma queda de 7 mil postos. Em agosto, a revisão foi ainda maior: de 22 mil para queda de 4 mil, uma redução de 26 mil postos. Com essas revisões, o total de empregos nos meses de julho e agosto somados é 33 mil menor do que havia sido inicialmente reportado.
O desemprego foi de 4,4% em setembro, enquanto o número de desempregados fechou o mês em 7,6 milhões. Já a taxa de participação da força de trabalho e a métrica emprego-população foram de 62,4% e 59,7%, respectivamente.
Em relação aos rendimentos, os ganhos médios por hora do trabalhador norte-americano, de US$ 36,67, subiram 0,2% na comparação mensal e avançaram 3,8% em relação ao mesmo mês de 2024.
Payroll reduz chance de corte de juros nos EUA em dezembro
Os números mostraram um mercado de trabalho ainda aquecido, o que aumenta a pressão sobre a reunião de dezembro do Federal Reserve.
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“As 119 mil contratações registradas em setembro superaram as expectativas do mercado, que projetava 51 mil admissões no mês, e representam um forte crescimento em relação ao dado revisado de agosto”, afirma Claudia Moreno, economista do C6 Bank. “De maneira geral, esse relatório trouxe números mais positivos, que indicam que o mercado de trabalho ainda mantém certo fôlego.”
Apesar de a taxa de desemprego ter subido de 4,3% para 4,4% em setembro — acima do esperado, que era 4,3% —, ela permanece baixa em termos históricos nos EUA. Os salários avançaram 0,2% no mês e acumulam alta de 3,8% em 12 meses.
“Com esse crescimento em ritmo forte, a tendência é de que os preços continuem pressionados, especialmente no setor de serviços, que costuma ser diretamente impactado pelo aumento da renda da população”, destaca Moreno.
Segundo a economista, o bom ritmo de contratações nos últimos meses reforça a visão de que a atividade econômica americana segue robusta, o que tende a manter a inflação pressionada. Outros indicadores recentes, como o PMI de serviços — um termômetro da atividade no setor —, corroboram essa leitura.
Moreno lembra ainda que, antes da última decisão de juros, os membros do Fed demonstravam maior preocupação com uma possível deterioração do mercado de trabalho do que com a inflação, mas agora alertam para uma possível pausa no ciclo de afrouxamento monetário.
“A ata da última reunião de política monetária sugere que as preocupações em relação à alta dos preços têm aumentado. Esse cenário, junto com os dados de hoje, diminui a chance de um corte de juros na reunião de dezembro”, conclui.
A ata do Fomc
A ata da reunião de outubro do Fed, divulgada na véspera, mostrou que, embora o banco central tenha decidido cortar os juros em 0,25 ponto percentual, os dirigentes seguem divididos sobre os próximos passos da política monetária. A redução foi aprovada apesar da preocupação persistente com a inflação, que voltou a subir ao longo do ano e continua elevada na avaliação de boa parte dos membros do comitê.
Para as próximas reuniões, o cenário permanece incerto. A maioria dos dirigentes considera que novos cortes poderão ser apropriados à medida que a política monetária se aproxima de uma postura mais neutra. Ainda assim, vários membros sinalizaram que outro corte de 25 pontos-base em dezembro não está garantido.
Parte dos participantes vê espaço para uma nova redução caso a economia evolua conforme projetado, enquanto muitos defendem a manutenção dos juros no nível atual até o fim do ano.
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