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O principal índice de ações brasileiras engatou a alta em agosto, impulsionado pela perspectiva de melhora da inflação e queda dos juros — no Brasil e nos EUA
É um pássaro? Um avião? Talvez um foguete? Não! É o Ibovespa, subindo em alta velocidade rumo ao infinito e além. Brincadeiras à parte, a realidade é que o principal índice de ações do Brasil pisou no acelerador em agosto.
O Ibovespa encerrou o pregão desta sexta-feira (29) com alta de 0,26%, aos 141.422,26 pontos — um recorde nominal (sem correção da inflação) de fechamento. Com isso, o índice chegou a 6,3% de valorização no mês e 17,6% no acumulado do ano.
Trata-se do melhor desempenho entre os investimentos acompanhados pelo Seu Dinheiro, que abarca títulos públicos, juros (por meio do CDI), debêntures, poupança, dólar, bitcoin e até ouro. Não teve para ninguém em agosto — e no ano.
Um conjunto de fatores impulsiona as ações brasileiras, segundo analistas e gestores do mercado. O primeiro é a expectativa pelo primeiro corte na Selic, possivelmente ainda em 2025. Dados recentes de melhora da inflação e desaquecimento da atividade econômica alimentam essa projeção.
Além disso, tudo indica que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) também iniciará o ciclo de afrouxamento monetário — um movimento positivo para o Ibovespa porque alimenta a tese de menos juros no Brasil.
Ao cortar suas taxas, o Fed abre uma janela de oportunidade para que o Banco Central faça o mesmo por aqui. Além disso, juros menores nos EUA significam dólar mais fraco. Dólar mais fraco implica em menos inflação no Brasil. Menos inflação no Brasil ajuda a diminuir a Selic. Este é o ciclo — ad infinitum, como o Ibovespa.
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Uma última tese que sustenta os ganhos das ações brasileiras são as eleições de 2026. Agentes financeiros estão concentrados na tese de alternância de poder que aumenta as chances de maior responsabilidade fiscal.
Pesquisas eleitorais recentes alimentaram essa possibilidade, ao mostrar o candidato da oposição Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, à frente de Lula em um cenário de segundo turno.
Muita água vai passar por debaixo dessa ponte até lá, mas um relatório da Empiricus explica o raciocínio.
“Não é possível neste momento antever o resultado do pleito. Não se trata disso. O argumento aqui é que a mera probabilidade de mudança do ciclo de economia política em direção a uma maior responsabilidade fiscal e postura pró-mercado deveria fazer preço”, afirma o relatório.
| Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
|---|---|---|
| Ibovespa | 6,28% | 17,57% |
| Ouro (GOLD11) | 1,77% | 15,93% |
| Tesouro Prefixado 2032 | 1,76% | - |
| Tesouro Prefixado 2028 | 1,52% | - |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035 | 1,47% | 12,70% |
| Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)* | 1,43% | 11,46% |
| Tesouro Selic 2028 | 1,26% | - |
| Tesouro Selic 2031 | 1,23% | - |
| CDI* | 1,16% | 9,01% |
| IFIX | 1,16% | 11,55% |
| Tesouro IPCA+ 2029 | 0,70% | 7,66% |
| Poupança antiga** | 0,68% | 5,32% |
| Poupança nova** | 0,68% | 5,32% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | -0,14% | 6,05% |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2035 | -0,37% | 6,60% |
| Tesouro IPCA+ 2040 | -0,71% | - |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | -1,04% | - |
| Tesouro IPCA+ 2050 | -1,88% | - |
| Dólar PTAX | -3,13% | -12,36% |
| Dólar à vista | -3,19% | -12,27% |
| Bitcoin | -9,40% | 1,32% |
Enquanto a leitura de juros menores puxa o Ibovespa para cima, as taxas dos títulos públicos de renda fixa vão para baixo. Neste cenário, os preços do Tesouro Prefixado são os mais afetados.
Dito isso, os três títulos Tesouro Prefixado acompanhados registraram ganhos superiores a 1% no mês. O prefixado com juros semestrais 2035 foi além: teve ganho superior ao CDI no acumulado do ano, subindo 12,7%.
O Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, segue com seu retorno intocável. Em agosto, registrou os mesmos 1,26% e 1,23% de julho nos papéis de 2028 e 2031, respectivamente.
Com os títulos indexados à inflação o cenário muda. Questões como política monetária e inflação afetam vencimentos curtos. Para os cenários mais longos, o risco-país, a credibilidade fiscal e fatores mais estruturais são predominantes.
Não por acaso, o Tesouro IPCA + 2029 foi o único que registrou valorização no preço, com uma pequena queda no prêmio de juro real ao longo de agosto. Os demais títulos acompanhados, com vencimentos a partir de 2035, registraram perdas — ou seja, as taxas subiram e os preços caíram.
O “trade Tarcísio” mencionado anteriormente aconteceu na última semana do mês. A maior parte de agosto teve como marca a melhora na popularidade do presidente Lula diante do tarifaço dos EUA. A perspectiva de um quarto mandato do petista não é avaliada como “fiscalmente positiva” pelos agentes de mercado. Com isso, o risco-país sobe — e o prêmio de risco do juro real também.
Não é exatamente uma ciência exata, mas, normalmente, quando o Ibovespa está nas alturas, o dólar está se arrastando. É o caso agora.
A moeda norte-americana registrou mais um mês de queda, com 3% de perda mensal em relação ao real. No ano, o dólar à vista acumula 12% de desvalorização. Nesta sexta-feira (29), fechou em R$ 5,4220, após um pregão de alta.
O mérito, entretanto, não é do Brasil ou do real. A situação é de demérito da moeda norte-americana. O dólar perdeu o seu posto de “ativo seguro” em meio a cenários de aversão a risco. O euro e o ouro têm ocupado essas posições nas carteiras internacionais diante das políticas comerciais e crises institucionais do governo Donald Trump.
Em agosto, o episódio mais alarmante foi a demissão da diretora do Federal Reserve Lisa Cook, de forma arbitrária, com acusações sem a apresentação de provas até o momento. Pela primeira vez, Cook desafia Trump e levará o caso aos tribunais, sem deixar sua posição.
Situações como esta, somadas às ameaças contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, às barreiras tarifárias e mais uma série de medidas, têm feito o dólar perder valor — e a Casa Branca perder credibilidade.
Toda essa turbulência também afetou o Bitcoin (BTC) neste mês. A principal criptomoeda global recuou 10% em agosto após renovar sua máxima histórica (US$ 124 mil), superando julho, quando havia ultrapassado os US$ 120 mil pela primeira vez.
Analistas afirmam que as últimas semanas foram de realização de lucros e turbulências nos EUA, que levaram a criptomoeda para baixo.
| Empresa | Código | Desempenho no mês |
|---|---|---|
| RD Saúde | RADL3 | 30,29% |
| MRV | MRVE3 | 27,56% |
| Hapvida | HAPV3 | 26,13% |
| Eletrobras | ELET3 | 23,99% |
| Minerva | BEEF3 | 22,06% |
| Empresa | Código | Desempenho no mês |
|---|---|---|
| Raízen | RAIZ4 | -17,61% |
| Rumo | RAIL3 | -12,03% |
| PRIO | PRIO3 | -10,24% |
| CVC | CVCB3 | -9,75% |
| Embraer | EMBR3 | -5,53% |
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