O que está em jogo para Trump com a demissão de Lisa Cook, diretora do Fed?
As tentativas de interferência do republicano no banco central norte-americano adiciona pressão sobre a autarquia, que vem sendo cobrada pelo início da queda de juros nos EUA

Nem mesmo o discurso de Jerome Powell durante o Simpósio de Jackson Hole abrindo caminho para o corte de juros nos Estados Unidos foi capaz de tirar o Federal Reserve (Fed) da panela de pressão de Donald Trump. O republicano voltou a colocar o banco central norte-americano sob sua mira ao demitir a diretora Lisa Cook.
Apesar de Trump afirmar que a decisão tem efeito imediato, Cook aparentemente não pretende sair do cargo. Em comunicado divulgado por meio de seu advogado, a diretora do Fed declarou que “não há causa legal” para que o republicano a remova da função. O Seu Dinheiro contou os detalhes do embate aqui.
Agora, a decisão de destituir Cook do cargo de diretora do Fed deve ser contestada nos tribunais. Porém, essa não é apenas mais uma disputa entre os dirigentes da autarquia e Trump: o presidente norte-americano tem muito a ganhar caso a vaga de Lisa Cook, que possui mandato até 2038, fique disponível.
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Trump em busca de controle
A principal crítica de Trump aos diretores do Fed é a demora para dar início a um ciclo de cortes de juros, que atualmente se encontram na faixa de 4,25% e 4,50% ao ano.
O presidente dos Estados Unidos fez ofensas públicas a Powell e chegou a chamá-lo de “Sr. Tarde Demais” por diversas vezes, em meio às pressões para redução das taxas.
O Fed vem resistindo. Desde dezembro o banco central norte-americano mantém os juros inalterados, embora tenha começado a sinalizar que o afrouxamento está cada vez mais próximo. A última reunião de política monetária, realizada no mês passado, foi marcada por uma divergência histórica, com dois diretores defendendo o início de cortes.
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Só que Cook não era um deles. Ela estava entre os dirigentes que optaram pela manutenção da taxa. Vale lembrar também que a diretora foi indicada ao cargo pelo ex-presidente Joe Biden, em 2022.
Atualmente, a maioria do conselho do Fed é composta por nomes que não foram indicados por Trump. Porém, com a demissão de Cook, o republicano estaria a caminho de reverter esse cenário.
Isso porque dois dos sete atuais diretores da autarquia, Christopher Waller e Michelle Bowman — os dois dissidentes da reunião de julho —, foram indicados pelo presidente norte-americano. Vale lembrar que Trump também indicou Powell para presidir o Fed em 2017, apesar de já ter ameaçado demiti-lo.
Há ainda uma outra cadeira vaga que será ocupada por um aliado do republicano: o cargo de Adriana Kugler, que renunciou no início deste mês. Trump já indicou Stephen Miran, presidente do Conselho de Consultores Econômicos, como novo diretor do Fed.
Se Miran for confirmado pelo Senado e se Trump conseguir demitir Cook, o presidente norte-americano passará a ter uma maioria de quatro a três indicados no conselho do banco central dos EUA.
Em conjunto com cinco presidentes regionais que atuam em rodízio, o conselho compõe o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que define a taxa básica de juros no país.
No entanto, o conselho controla sozinho diversas outras taxas, incluindo os juros pagos sobre as reservas que os bancos mantêm no Fed.
Os riscos para o Federal Reserve
A interferência de Trump no Fed adiciona pressão a um mercado que já vive incertezas devido ao tarifaço implementado pelo republicano aos parceiros comerciais dos EUA.
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Isso porque um banco central independente é capaz de controlar melhor a inflação sem influência política, tomando medidas impopulares com mais facilidade para combater a alta dos preços.
Além disso, as decisões da instituição passam a ser mais previsíveis. Assim, se o Fed fosse mais influenciado pela política, os mercados teriam mais dificuldade em antecipar e entender as medidas da autarquia monetária.
*Com informações da CNBC.
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