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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

TÁ NA ATA

Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar

Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo

Ricardo Gozzi
25 de março de 2025
12:10 - atualizado às 14:00
gabriel galipolo banco central bc presidente
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central - Imagem: Agência Brasil/Lula Marques | Montagem: Maria Eduarda Nogueira

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, sabe que está sob escrutínio. Grande parte dos agentes do mercado financeiro temem que ele não seja tão duro quanto seu antecessor, Roberto Campos Neto, no combate à inflação. No que se refere à ata da reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), o temor não encontra respaldo no teor do documento.

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Diante disso, o Ibovespa abriu em alta nesta terça-feira (25). Simultaneamente, o dólar perde força e as taxas dos DIs devolvem os prêmios dos últimos dias.

Por volta do meio-dia, a bolsa subia mais de 1% e o dólar recuava à faixa de R$ 5,68.

Na semana passada, pela terceira reunião seguida, o Copom elevou a Selic em 1 ponto porcentual.

A decisão levou a taxa básica de juros no Brasil a 14,25% ao ano, cumprindo o forward guidance emitido pelo Copom em dezembro, em meio à transição entre os mandatos de Campos Neto e Galípolo.

Na última quarta-feira, o Copom adiantou a intenção de reduzir o ritmo da alta de juros na próxima reunião, prevista para maio, em meio a sinais de desaceleração da atividade econômica.

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No entanto, a ata do encontro da semana passada mantém o tom do comunicado que acompanhou a decisão.

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“É mais um elemento que reforça a visão do Banco Central como uma instituição que tem contribuído para a redução do risco relacionado à inflação no Brasil”, disse André Muller, economista-chefe da AZ Quest, ao comentar o teor da ata.

O compromisso do Copom

Hoje, o Copom reiterou seu compromisso com a convergência da inflação para a meta.

Para tanto, é importante que a atividade desacelere, mas os sinais ainda não são tão claros quanto gostariam os diretores do BC.

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“Para além da próxima reunião, o comitê reforça que a magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, diz o documento.

Na avaliação da economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, “a ata elaborou um pouco mais sobre a recente desaceleração da atividade, mas ponderando com o possível crescimento da economia no início de 2025 devido ao agro mais forte, mantendo a avaliação de cautela nesse momento”.

O colegiado também reiterou a necessidade de harmonia entre as políticas fiscal e monetária.

O trecho está em linha com comentários feitos nos últimos anos pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

No entanto, o colegiado adverte que ações recentes do governo no crédito podem obstruir o principal canal de transmissão da política monetária.

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Diante disso, os juros precisariam permanecer em níveis mais altos por mais tempo, o que elevaria o custo da desinflação em termos de atividade econômica.

Para Rafaela Vitória, o Copom elevará a taxa Selic a 14,75% ao ano na reunião de maio e então interromperá o ciclo de alta dos juros, mas mantendo-o nesse nível até 2026.

É uma visão mais otimista do que a mediana do mercado, que projeta os juros em 15,00% no fim de 2025.

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