A chance de um corte de juros mais intenso nos EUA aumentou? Economistas dizem o que esperar depois do payroll
Reação do mercado leva em consideração a revisão dos dados de postos de trabalho criados em junho e julho, segundo o payroll

O teor do relatório mensal sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos em agosto, mais conhecido como payroll, aumentou a chance de um início mais intenso do esperado ciclo de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
O indicador atenuou consideravelmente a queda verificada no pré-mercado em Nova York.
Embora a aversão ao risco não tenha sido totalmente revertida, o índice Dow Jones subia nos primeiros minutos do pregão regular.
Como veio o payroll de agosto
A economia dos EUA criou 142 mil vagas em agosto. O consenso entre os analistas era de abertura de 165 mil vagas.
Já a taxa de desocupação baixou de 4,3% em julho para 4,2% no mês passado, em linha com as estimativas.
Em reação, a maior parte dos participantes do mercado financeiro norte-americano migrou da aposta majoritária em um corte de 25 pontos-base na taxa de juros para a possibilidade de uma intervenção mais acentuada, de 50 pontos-base.
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A próxima decisão de política monetária do Fed está prevista para a tarde de 18 de setembro.
Dados do payroll para junho e julho foram revisados
O que mexeu com as projeções para os juros foram as revisões, para baixo, de dados divulgadas pela Agência de Estatísticas de Trabalho dos EUA.
Enquanto o número de postos de trabalho abertos em junho baixou de 179 mil para 118 mil, a quantidade de vagas criadas em julho passou de 114 mil para 89 mil.
“A revisão líquida de dois meses foi de 86 mil, o que significa que temos uma surpresa baixista no mercado de trabalho que ultrapassa 100 mil”, disse Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.
Economia dos EUA terá pouso forçado ou suave?
A preocupação principal dos investidores era ler no payroll de agosto o indício de uma recessão.
Para André Valério, economista sênior do Inter, isso não aconteceu.
“O mercado de trabalho americano dá mais um indício de enfraquecimento, mas sem apontar para uma recessão. Os outros dados de emprego dessa semana vão na mesma linha”, afirmou.
Payroll dá confiança para início dos cortes de juros nos EUA
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, considera o payroll de agosto “positivo” para o Fed, “pois proporciona confiança para que ele inicie o afrouxamento monetário em setembro”.
Na avaliação dos participantes do mercado, o corte de juros nos EUA em setembro é certo. A questão é a magnitude do início do ciclo de alívio monetário.
Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, considera que os números de agosto aumentam as chances de uma queda de juros mais acentuada em setembro.
“Neste momento, o Fed está mais sensível aos dados do mercado de trabalho do que à inflação”, disse ele.
Embora a aposta majoritária do mercado tenha passado para um corte de 50 pontos-base depois do payroll, quem vai decidir a extensão do início do ciclo de alívio monetário serão os diretores do Fed.
Para Rodrigo Cohen, analista da Escola de Investimentos, o “ideal” seria começar por um corte de 25 pontos-base.
Isso porque, embora em desaceleração, os indicadores atuais não mostram a economia norte-americana em direção a um “pouso forçado”.
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