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ORIENTE MÉDIO

É o fim da era Assad na Síria? Após 24 anos no poder, Bashar al-Assad teria deixado o país em meio à invasão de rebeldes em Damasco

O paradeiro atual de Assad é desconhecido e o governo sírio será supervisionado pelo antigo primeiro-ministro, Mohammed Jalali

Cartaz com a imagem de Bashar al-Assad
Assad herdou o poder do pai, Hafez Assad, e estava em seu quarto mandato, na Síria - Imagem: Joel Carillet/iStock

Após 24 anos no poder, o presidente da Síria, Bashar al-Assad‎, deixou o país neste domingo (8), segundo informações da Reuters.

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Assad, que herdou o poder do pai, Hafez Assad, e estava em seu quarto mandato, teria deixado o país após rebeldes do grupo jihadista Hayat Tahrir al-Sham (HTS) invadirem a capital Damasco.

O HTS nasceu com fortes laços com a al-Qaeda, mas vem tentando distanciar a imagem do grupo terrorista nos últimos anos.

Ainda de acordo com a agência de notícias, o paradeiro atual de Assad é desconhecido e o governo sírio será supervisionado pelo antigo primeiro-ministro, Mohammed Jalali, enquanto uma transição para o HTS é preparada.

De acordo com agências de notícias russas, uma fonte do Kremlin diz que Assad está em Moscou e recebeu asilo do país, seu aliado histórico. Mas o Ministério de Relações Internacionais da Rússia limitou-se a confirmar que Assad deixou a Síria após dar ordens para uma "transição pacífica de poder".

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Sem dar mais detalhes sobre o paradeiro dele, a pasta afirmou que as bases russas na Síria foram colocadas em "estado de alerta máximo", mas que não há ameaças sérias no momento. "Moscou está em contato com todos os grupos de oposição sírios e pede a todas as partes que se abstenham da violência".

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A reação mundial

A saída de Bashar al-Assad do país já repercute entre os principais líderes globais. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está monitorando de perto os "eventos extraordinários na Síria" e mantém contato com parceiros na região, de acordo com um comunicado publicado pela Casa Branca.

O vice-secretário adjunto de defesa para o Oriente Médio dos EUA, Daniel Shapiro, declarou, durante uma conferência de segurança em Bahrain, que o país continuará a manter presença no leste da Síria e tomará as medidas necessárias para evitar um ressurgimento do Estado Islâmico.

Já Donald Trump, que assume o comando do executivo norte-americano no próximo ano, utilizou sua própria rede social, a Truth Social, para declarar que Assad fugiu e que seu "protetor", o presidente russo Vladimir Putin, não está mais interessado em defendê-lo.

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Mais tarde, Trump também fez uma publicação no X, antigo Twitter, sobre o tema. Na postagem, o republicano voltou a alfinetar Putin: "A Rússia, por estar tão amarrada na Ucrânia, e com a perda de mais de 600 mil soldados, parece incapaz de parar esta marcha através da Síria, um país que protegeu durante anos."

Também por meio do X, Emmanuel Macron, presidente da França, celebrou o que chama de "fim do estado da barbárie". "Presto homenagem ao povo sírio, à sua coragem, à sua paciência. Neste momento de incerteza, desejo-lhe paz, liberdade e unidade."

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também divulgou um comunicado no qual diz acompanhar "com preocupação a escalada de hostilidades na Síria" e monitorar, por meio da Embaixa de Damasco, a situação dos brasileiros no país.

"Não há registro de nacionais entre as vítimas das hostilidades. O Itamaraty insta a todos nacionais que se encontrem no país a que busquem sair da Síria", diz o comunicado.

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Quem é Bashar al-Assad

Bashar al-Assad assumiu a presidência da Síria em 200 após a morte de seu pai. Vale destacar que ele não era a primeira escolha de Hafez, que treinava seu primogênito, Bassel, para assumir o poder.

Mas após a morte do irmão mais velho em um acidente de carro em 1994, Bashar — que se formou em medicina e havia deixado a Síria para especializar-se em oftalmologia no Reino Unido — voltou ao país para suceder o pai.

O político assumiu a presidência aos 34 anos e manteve a característica mão de ferro da família alauita que governa o país desde 1970. A seita é um desdobramento do islamismo xiita, o que colocou a Síria como aliada do Irã e hostil aos Estados Unidos e a Israel no cenário geopolítico global.

Essa não é a primeira vez que Assad perde partes da Síria para rebeldes. Em 2011, durante os protestos que ficaram conhecidos como Primavera Árabe, o país entrou em guerra civil.

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Grupos de oposição tomaram cidades ao longo do território no período. Assad, apoiado pela Rússia, Irã e peo Hezbollah, do Líbano, retomou o controle do país sob acusações de violações de direitos humanos, incluindo o uso de armas químicas, tortura e massacre de civis.

*Com informações da Reuters e do Broadcast

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