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Crise, que crise? China traça um cenário bem mais colorido para a economia do que a visão do mercado

Em mensagem durante o Fórum Boao para a Ásia, China fez referências apenas limitadas à crise no setor imobiliário

Imagem com bandeira da China e montagem representando a economia do país
China - Imagem: Shutterstock

Alguém aí falou em crise? Quem se basear apenas nas mensagens do governo da China durante o Fórum Boao para a Ásia certamente vai ter uma visão bem mais otimista para o futuro do gigante asiático do que a expectativa do mercado e de economistas estrangeiros.

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Entre as mensagens do governo chinês líderes políticos e econômicos globais, estiveram constatações como:

  • a economia da China está avançando com força;
  • atingir a meta de crescimento deste ano será muito fácil;
  • o problema da economia global não é o excesso de produtos chineses baratos que chegam a outros mercados, e sim a demanda externa insuficiente.

Ocorreram referências apenas limitadas a crise no setor imobiliário da China. Em vez disso, a mensagem geral era de que quaisquer problemas enfrentados pelo país serão apenas "percalços na estrada".

Além disso, a visão do governo é a de que o futuro da economia global está se virando inevitavelmente para a China e para a Ásia, enquanto se afasta do Ocidente liderado pelos Estados Unidos.

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Durante o evento, autoridades chinesas reforçaram que todos os países "serão bem-vindos ao trem de desenvolvimento" da China, cujo foco será em tecnologia, inovação e transição verde nos próximos anos.

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Faltou combinar com o mercado

O tom otimista contrasta com a visão mais pessimista de alguns economistas sobre perspectivas para a China. Eles apontam preocupações com efeitos da crise do setor imobiliário e com a falta de estímulos do governo para impulsionar o consumo doméstico.

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A longo prazo, também existem temores sobre os desafios demográficos na China. Isso porque o país passa por uma redução da população, além do crescente antagonismo com os EUA e aliados ocidentais.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, espera que o crescimento da China desacelere para cerca de 3,4% antes do final da década. Parece bom, mas é bem inferior aos cerca de 5% atuais e próximo de 8% na década anterior à pandemia.

Vice-presidente do China Center for International Economic Exchanges e ex-funcionário do FMI, Zhu Min aponta que a China precisa se acostumar a um crescimento mais lento conforme a economia amadurece.

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Os economistas estrangeiros também temem que a China esteja mais uma vez se apoiando excessivamente em investimentos e exportações em seu esforço para reacender um crescimento mais rápido. Isso está gerando resistência e cautela por parte dos governos estrangeiros, que veem um excesso de produtos chineses inundando seus mercados domésticos.

China e expansão externa

Contudo, no próprio fórum em Boao, algumas autoridades disseram que o país não está investindo o suficiente.

"É fundamental manter uma certa intensidade para compensar o declínio no investimento causado pelo setor imobiliário e permitir que os estímulos contribuam mais para o crescimento deste ano", afirmou o reitor da Escola Guanghua de Gerenciamento da Universidade de Pequim, Liu Qiao.

Enquanto algumas autoridades criticaram medidas protecionistas, outras ofereceram soluções. Entre elas, incentivar as fábricas chinesas a investirem no México e no Sudeste Asiático para contornar as tarifas ocidentais.

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Os participantes se aglomeraram em sessões para ouvir sobre o progresso da China em inteligência artificial (IA), veículos de tecnologia verde e outras áreas em que ela está desafiando o Ocidente.

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*Com informações do Estadão Conteúdo

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