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Além da Casa da Moeda, o governo argentino pretende fechar outros “quatro ou cinco” órgãos públicos, mas não deu maiores detalhes sobre quais seriam
O presidente da Argentina, Javier Milei, deu mais um passo em seu programa ultraliberal de saneamento das contas públicas. O governo argentino anunciou mais cedo que deve fechar a Casa da Moeda nas próximas semanas, além de outros cinco órgãos públicos.
Com a dissolução da Casa da Moeda, responsável pela impressão do dinheiro que os argentinos usam no dia a dia, cerca de 1.100 funcionários públicos também serão demitidos. O anúncio acontece após o governo argentino também fechar a empresa pública Trenes Argentinos Capital Humano (Decahf), na última terça-feira (1º), demitindo outros 1.388 trabalhadores da instituição.
As demissões em massa do sistema público têm gerado problemas ao presidente, com greves e paralisações há alguns meses. De acordo com o governo, a emissão de moeda física agora se dará por meio de entes privados através de licitações pontuais. Inclusive, especula-se até a possibilidade de importar cédulas, como já ocorreu no passado.
Recapitulando, a instituição chefiada por Daniel Méndez fez pedidos milionários para a brasileira Nacional de Moneda, para a espanhola Timbre de España e para a China Banknote Printing and Minting Corporation em 2023, o que incomodou membros da gestão Milei.
Em tempos normais, a Casa da Moeda consegue emitir todas as cédulas em circulação na Argentina. Porém, a combinação de uma alta inflação e cortes de gastos públicos limitaram a capacidade da instituição, que passou a importar algumas cédulas.
Além da Casa da Moeda, o governo argentino pretende fechar outros “quatro ou cinco” órgãos públicos, mas não deu maiores detalhes sobre quais seriam.
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A Casa da Moeda é responsável não apenas por imprimir cédulas, mas também produzir selos postais, carimbos oficiais e outros vistos digitais, “sob rigorosos padrões de segurança”, segundo a entidade.
De fato, a Casa da Moeda apenas emite o papel que nós convencionamos chamar de dinheiro. Quem é o garantidor de que essas cédulas valem algo é o Banco Central da Argentina (BCRA), entidade que Milei já afirmou que quer extinguir.
Porém, para fechar as portas do BC argentino — e, consequentemente, extinguir o peso argentino — e dolarizar a economia, a Argentina ainda precisa de mais dólares em caixa.
Ainda que, nos últimos meses, tenha havido uma melhora do balanço orçamentário do BCRA, o país está distante de ter reservas substanciais da moeda norte-americana.
O efeito da extinção da Casa da Moeda pode ser uma perda da soberania sobre a impressão do próprio dinheiro — mas, dado que a Argentina já precisava importar algumas cédulas, esse efeito deve ser limitado.
Aqui no Brasil, o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro até tentou incluir a casa da moeda brasileira no pacote de privatizações, mas a ideia não foi para frente.
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