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Anna Larissa Zeferino

Anna Larissa Zeferino

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.

O CARTÃO ROXO DISPAROU

Nubank encosta na liderança e bancões perdem 20 pontos percentuais de participação no mercado de cartões de crédito

Segundo JP Morgan, market share do Nubank cresceu mais de 10 pontos percentuais nos últimos cinco anos, enquanto ‘bancões’ perderam o dobro

Anna Larissa Zeferino
Anna Larissa Zeferino
30 de agosto de 2024
16:42 - atualizado às 17:53
Logo bancos nadadores competição
Santander, Banco do Brasil, Nubank, Itaú e Bradesco. - Imagem: Wikimedia / Sites oficiais / Montagem Brenda Silva

O Nubank conquistou pelo menos metade dos clientes de cartões de crédito que os grandes bancos perderam nos últimos anos — e agora é apenas uma questão de tempo para assumir a liderança desse mercado. Pelo menos essa é a estimativa dos analistas do JP Morgan.

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Em  relatório, o banco estima que os cinco maiores bancos desse mercado — Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa — atualmente respondem por aproximadamente 60% do market share juntos. Ainda é muito, mas cinco anos atrás eles eram donos de uma fatia bem maior, de 80%. 

Ou seja, houve uma perda de cerca de 20 pontos percentuais em cinco anos – e um dos principais receptores dessa “vacância” é o Nubank.

Na contramão dos bancões, o banco digital do inconfundível cartão roxo ampliou a fatia de mercado de 2,8% para aproximadamente 14% neste período. O suficiente para ficar mais perto da liderança, pertencente ao Itaú.

Sobre as tendências do mercado bancário, os analistas do JP Morgan mencionam outros pontos de atenção. “Os desenvolvimentos do open finance, novos produtos como o PIX parcelado e a forma como os bancos reagirão a isso permanecem pontos de interrogação”, escreveram.

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Margem da liderança do Itaú diminui ao excluir cartões de crédito de ‘parceiros’

O Itaú permanece como líder absoluto do mercado de cartões de crédito. Mas a participação do maior banco privado brasileiro recuou de 33% para 24% desde 2019. Essa estimativa inclui os cartões emitidos pelo banco em parcerias com outras empresas.

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O banco possui um vasto portfólio de cartões denominados co-branded, emitidos em parceria com empresas como Latam, Magalu, Pão de Açúcar, dentre outras. 

Excluindo a participação dos produtos co-branded, os cartões de emissão “exclusiva” do nome Itaú respondem por cerca de 17% do mercado, um número muito próximo dos 14% do Nubank, ainda de acordo com as estimativas do JP Morgan. 

Itaú pode voltar a crescer, mas não o suficiente para desbancar Nubank 

A expectativa dos analistas é que o Itaú acelere o ritmo de crescimento nos cartões de crédito neste segundo semestre de 2024. 

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Há uma possibilidade de que o banco esteja diminuindo seu apetite de risco para o público “mar aberto” alcançado pelos produtos co-branded e investindo em seus cartões exclusivos da marca.

O relatório também faz menção ao desenvolvimento de um novo superapp, chamado de Itaú One, o qual pode extrair sinergias dessas parcerias (em vendas de produtos dos terceiros, por exemplo) que, atualmente, só existem na modalidade dos cartões. 

Mas, mesmo com esses investimentos, os modelos do JP Morgan preveem o Nubank se tornando maior que o Itaú em cartões de crédito dentro dos próximos anos.

Briga na bolsa

De certo modo, o mercado financeiro já vem antecipando a disputa cabeça a cabeça entre Itaú e Nubank.

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Em termos de valor geral de mercado, os dois bancos vem disputando o posto de banco mais valioso da América Latina desde a abertura de capital do Nubank, em dezembro de 2021.

Na época, no embalo do IPO em Nova York, o “roxinho” ultrapassou a liderança do Itaú pela primeira vez, apenas para perdê-la pouco tempo depois.  

Mas no último dia 28 de maio, o valor de mercado do Nubank superou R$ 297 bilhões, ultrapassando os R$ 288 bilhões do Itaú.

Pelos dados desta sexta-feira, a liderança do Nubank é mais confortável. O valor de mercado do banco digital já se aproxima dos R$ 400 bilhões, enquanto o Itaú é avaliado em pouco mais de R$ 330 bilhões.

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