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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NEOBANCOS

Nubank deixa PicPay e Inter comendo poeira e se torna o banco digital “queridinho” da América Latina — mas saturação está próxima, segundo o BofA

Na visão do BofA as perspectivas para o setor de “neobancos” são mornas, e a indústria deve passar por uma estagnação

Camille Lima
Camille Lima
1 de fevereiro de 2024
18:31 - atualizado às 17:52
Nubank e Inter
Imagem: Montagem Seu Dinheiro com imagnes Shutterstock

Há quem diga que modas são passageiras, mas, no caso dos “bancos que não existem”, como o Nubank e o PicPay, a popularidade veio para ficar. Acontece que o sucesso do mercado de bancos digitais foi tamanho que o setor está próximo de atingir a saturação — e quem diz isso é o Bank of America. 

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Desde 2012, os aplicativos das fintechs conquistaram 1 bilhão de downloads na América Latina. Só nos últimos cinco anos, o número de usuários ativos cresceu três vezes, para cerca de 180 milhões — equivalente a quase 80% da população —, segundo o relatório do BofA. 

A indústria de “neobanks” também se consolidou ao longo dos últimos anos, com os 5 principais players representando 70% da base de usuários.

Para ter uma dimensão, só o Nubank é responsável por aproximadamente um terço de todos os usuários ativos, com um total de 58 milhões.

Na visão do BofA, porém, as perspectivas daqui para frente são mornas: a indústria deve passar por uma estagnação — e, se analisarmos o desempenho passado, apenas um banco digital parece dar sinais de ser o vencedor no futuro.

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“A indústria começa a dar sinais de saturação, com os downloads em desaceleração e a base de utilizadores se mantendo relativamente estável ao longo dos últimos dois anos.”

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A briga dos bancos digitais por usuários 

Nos últimos anos, o setor de fintechs enfrentou três principais desafios, segundo o Bank of America. O primeiro deles foi o efeito das mudanças regulatórias, que passaram a exigir maior capital e impactar negativamente as receitas dos bancos digitais.

O aumento das taxas ainda pressionou os custos de financiamento das instituições, enquanto a concorrência mais forte resultou na consolidação de players maiores.

Com isso, desde 2021, o número de downloads de aplicativos de bancos digitais mostrou uma queda constante, saindo de um pico de cerca de 250 milhões há três anos para cerca de 160 milhões em 2023. 

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As corretoras também foram afetadas pelas taxas mais altas nos últimos anos. A base de usuários ativos de corretoras digitais atingiu um pico de 6,3 milhões em 2021 e caiu para 5,7 milhões em 2023.

Para o BofA, o número também foi impactado pela fraqueza em aplicativos focados em negociação, como a Clear. 

Marcas como XP e BTG, que possuem uma oferta de produtos mais ampla, “foram mais resilientes”, segundo os analistas. “Os downloads estão 50% abaixo do pico de 2021, mas apresentaram sinais de melhoria em 2023.”

Mas uma fintech foi na contramão desse movimento e parece ter fundamentos para seguir como campeão do mercado de bancos digitais: o Nubank. 

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Nubank é o queridinho entre os bancos digitais?

Enquanto a maioria das fintechs passou por uma redução na base de clientes ativos — com uma queda de 12 milhões só no ano passado —, o Nubank tem adicionado cerca de 10 milhões de usuários ativos mensais todos os anos desde 2019. 

“O crescimento do Nu é apoiado pelo fato de que ele tem liderado em número de downloads nos últimos 3 anos”, destacam os analistas.

O banco do cartão roxo ainda conta com a maior base de usuários ativos entre todos os neobancos e mantém vantagem de quase 2,5 vezes em relação ao segundo colocado na lista de maiores players do mercado de fintechs — o PicPay, com 23,7 milhões de usuários.

Veja a base de usuários mensais dos cinco maiores bancos digitais:

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Banco digitalUsuários AtivosSetembroOutubroNovembroDezembro% Variação Anual% Variação Outubro-Dezembro
Nubank55.91858.18358.17058.37922%21%20%
PicPay24.24924.19723.75323.166-10%-10%-11%
Mercado Pago17.02417.57819.06819.21220%24%24%
Inter18.10518.35118.16417.9877%4%2%
Banco C613.70313.56013.73513.181-6%-7%-9%
Fonte: Bank of America

O Nubank também manteve os mais altos níveis de envolvimento do cliente — apoiados pelo negócio de cartão de crédito. 

O Inter ocupa o segundo lugar no ranking, ajudado pelo elevado número de produtos disponíveis, na visão do BofA. 

“É importante ressaltar que tanto o Nu quanto o Inter construíram com sucesso bases de depósitos sólidas, validando um elevado número de contas que são as principais dos seus clientes”, afirma o Bank of America.

Segundo o BofA, a tendência daqui para frente permanece em um aumento da competição e uma maior concentração no setor financeiro.

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Os analistas projetam que o foco dos bancos digitais passe a ser a busca por se tornar o banco principal dos clientes, considerado a chave para a monetização dos negócios, o que provavelmente levará a uma maior consolidação e a uma concorrência mais acirrada.

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