Direcional (DIRR3) ou MRV (MRVE3): veja qual das duas entregou o melhor balanço no segundo trimestre — e qual a recomendação para as ações
A Direcional cumpriu com as expectativas e teve um balanço considerado forte, enquanto a MRV entregou números classificados como “mistos”

Duas das maiores incorporadoras de baixa renda brasileiras, conhecidas pela atuação dentro do programa Minha Casa Minha Vida e com ações listadas na bolsa brasileira, divulgaram o balanço do segundo trimestre na noite de ontem: Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3).
Mas apenas uma delas conseguiu convencer completamente com a performance financeira do período e é uma unanimidade entre os analistas das principais casas e bancos de investimentos.
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A Direcional cumpriu com as expectativas e teve um balanço considerado forte, enquanto a MRV entregou números classificados como “mistos” — com um desempenho operacional bom ofuscado pelas despesas mais altas.
A performance das ações reflete a avaliação dos analistas: por volta das 11h30, os papéis MRVE3 recuavam 2,5% e registravam uma das maiores quedas da bolsa nesta terça-feira (13), enquanto DIRR3 avançava 1,6%.
Confira abaixo os destaques da cada uma das incorporadoras e a recomendação para as ações.
MRV (MRVE3) dá prejuízo no segundo trimestre
A MRV&Co teve um prejuízo líquido de R$ 71 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro de R$ 181 milhões reportado no mesmo período do ano passado.
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Já no critério ajustado, o resultado ficou positivo em R$ 29 milhões, alta de 60% na mesma base de comparação e acima das previsões da XP.
De acordo com a corretora, o número foi impulsionado pelo crescimento dos ganhos com a MRV Incorporação — divisão brasileira que inclui o MCMV e a Sensia — e com a Luggo, focada em imóveis residenciais para locação.
Por outro lado, a Resia, incorporadora norte-americana da MRV, pesou no resultado com um prejuízo líquido de R$ 61 milhões, acima do prejuízo de R$ 44 milhões reportado no trimestre imediatamente anterior.
A operação nos Estados Unidos é justamente um dos pontos de atenção para a XP. De acordo com a corretora, o lucro líquido da Resia deve continuar fraco pois é impactado por um cenário ainda incerto para as vendas do portfólio nos EUA.
Ainda assim, os analistas afirmam que os resultados da MRV foram “levemente positivos” graças ao “sólido desempenho operacional, crescimento positivo da receita e uma margem bruta que continua em recuperação”.
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É hora de comprar as ações MRVE3?
O BTG Pactual também analisou o balanço e reconhece que a virada financeira da MRV está demorando mais que o previsto, mas afirma que há sinais de melhora.
“Embora a Resia esteja lutando para vender o estoque, os projetos estão bem locados, então a empresa provavelmente irá vendê-los e gerar caixa assim que o mercado melhorar”, destacam os analistas. O BTG recomenda compra para a MRV, com preço-alvo de R$ 17 por ação.
O Goldman Sachs, por outro lado, optou por manter a recomendação neutra para os papéis e o preço-alvo de R$ 8,50. “Vemos a criação de valor futuro impulsionada pela desalavancagem, algo desafiador dados os desafios contínuos em torno da geração de caixa”, diz o banco de investimentos.
Direcional (DIRR3) quebra recorde no 2T24
Já a Direcional reportou um lucro líquido de R$ 146 milhões no segundo trimestre, com crescimento de 50% sobre o mesmo período do ano passado e margem líquida de 17,3%.
A receita líquida também avançou 39% ante o 2T23 e atingiu os R$ 844 milhões, cifra que representa o recorde para um trimestre na companhia.
O BTG Pactual ressalta que a incorporadora conseguiu crescer as vendas ao mesmo tempo em que expandiu as margens, “o que é uma grande conquista”.
“Isso reforça que o programa Minha Casa Minha Vida nunca esteve tão forte e que a Direcional está bem posicionada para capturar essa demanda, com um banco de terrenos grande, execução impecável e alta lucratividade.”
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Ações DIRR3 são uma das queridinhas dos analistas
O banco de investimentos manteve a recomendação de compra para as ações DIRR3 com base no operacional e financeiro positivos. O preço-alvo é de R$ 27 por papel.
A XP também recomenda compra para a Direcional. De acordo com a corretora, a melhora no giro dos ativos deve permitir a expansão da velocidade de vendas (VSO).
“Acreditamos que a manutenção desse cenário de VSO mais forte deve impulsionar uma melhor dinâmica de geração de caixa no futuro, o que poderia continuar deixando espaço para um sólido pagamento de dividendos.”
Por fim, o Goldman Sachs também ficou com uma “impressão forte” pós-balanço da companhia e manteve a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 33. A tese do banco é que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) crescente da Direcional deve levar o valuation das ações a patamares ainda mais elevados.
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