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Em meio à reestruturação operacional e de dívidas, a publicação dos números trimestrais agora está programada para acontecer apenas em 19 de dezembro
Os investidores ansiosos para entender em que pé estão as finanças da AgroGalaxy (AGXY3), em recuperação judicial, terão que esperar mais tempo para conhecer os números do novo balanço trimestral da empresa.
A varejista de insumos agrícolas para o agronegócio anunciou o “adiamento excepcional” da divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2024.
A publicação, antes prevista para 13 de novembro, agora está programada para acontecer apenas em 19 de dezembro deste ano.
“Este adiamento decorre exclusivamente do processo de reestruturação interna que a companhia atravessa, especialmente após o recente pedido de recuperação judicial, com redução temporária da força de trabalho dedicada à coleta e consolidação dos dados financeiros, aumento substancial da demanda da auditoria externa, e outras demandas relacionadas ao processo de recuperação judicial”, escreveu a empresa, em comunicado enviado à CVM.
Segundo a AgroGalaxy, o atraso na publicação deve permitir o “tempo necessário” para atender aos requisitos técnicos de registros e divulgação necessários durante processos de reestruturação operacional e de dívidas.
A ideia é que o prazo maior para a divulgação do balanço ainda atenda às exigências adicionais da auditoria externa e garanta a apresentação dos dados “de maneira detalhada e precisa, mantendo a qualidade das informações financeiras”.
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Relembre os últimos resultados da AgroGalaxy no 2T24:
A reação inicial às notícias foi positiva. As ações iniciaram o pregão em alta e avançavam 2,56% por volta das 13h21, ainda cotadas na casa dos centavos, a R$ 0,40. No ano, os papéis ainda amargam desvalorização de 89%.
Vale lembrar que a AgroGalaxy (AGXY3) entrou com pedido de recuperação judicial em meados de setembro de 2024.
Com dívidas de R$ 3,7 bilhões, a companhia de insumos agrícolas e suas subsidiárias tiveram a reestruturação de débitos com credores aceita pela Justiça no início deste mês.
A partir da decisão da Justiça, todas as ações de execução contra a empresa estão suspensas, como arrestos, penhora de bens, apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens ou outras ações que podem comprometer o patrimônio da AgroGalaxy.
A reestruturação de dívidas com credores veio na esteira de uma debandada no alto escalão da empresa, com a renúncia do diretor-presidente, Axel Jorge Labourt, e de cinco membros do conselho de administração.
Segundo a companhia, a crise de liquidez “impactou a capacidade de geração de caixa das empresas e as impediu de honrar suas obrigações nas condições originariamente acordadas com seus credores”.
O pedido de reestruturação de dívidas revelou um passivo total de R$ 3,7 bilhões e US$ 160 milhões. O valor inclui obrigações com instituições financeiras, produtores rurais e fornecedores.
É importante lembrar que a AgroGalaxy foi uma das empresas que estrearam na B3 na última safra de IPOs da bolsa brasileira, em 2021.
No entanto, desde a abertura de capital, as ações da companhia de insumos agrícolas praticamente evaporaram, com desvalorização acumulada de 96%. Só em 2024, os papéis recuaram 89% na bolsa.
Neste mês, a empresa ainda anunciou novas medidas de reestruturação estratégica e operacional para focar em maior potencial de geração de caixa.
Entre as mudanças, esteve a redução no número de lojas, silos e pontos comerciais em mais de 50%, de 169 para 74 unidades, localizadas nas regiões Sul, Sudeste, Cerrado Oeste e Cerrado Leste do país.
“Além disso, houve uma otimização do portfólio de produtos e serviços, ajustando o mix de vendas para atender melhor às demandas do mercado e fortalecer a competitividade”.
A força de trabalho também foi enxugada, passando de 1.700 para 1.150 colaboradores na nova estrutura, considerando funcionários diretamente ligados às unidades fechadas e ao suporte administrativo.
Segundo a AgroGalaxy, as ações têm como foco a otimização de custos e sinergias operacionais, com o objetivo de gerar receitas suficientes para honrar compromissos da empresa com clientes, fornecedores, parceiros, credores, e os colaboradores.
“A companhia vem em uma trajetória de melhora em todos os indicadores. Então não é só crescer, mas com rentabilidade”, disse o diretor em entrevista ao Seu Dinheiro
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