A Petrobras (PETR4) vai mudar de novo? As declarações de Lula sobre lucro e impostos da estatal — “Haddad vai ficar feliz”
O presidente discursou na cerimônia de posse de Magda Chambriard, que assume o comando da petroleira — e deu pistas sobre o que pretende fazer com a empresa daqui para frente

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu Jean Paul Prates do comando da Petrobras (PETR4), o investidor ficou de orelha em pé — o temor de interferência política voltava a assombrar a estatal que tinha acabado de sair do imbróglio da distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas. Desde então, as declarações do petista sobre a petroleira voltaram aos holofotes do mercado.
Nesta quarta-feira (19), Lula voltou a falar da Petrobras — dois dias depois de a estatal fechar um acordo com a Receita Federal para encerrar uma pendência tributária de quase R$ 20 bilhões.
Dessa vez, o petista tinha um motivo: a cerimônia de posse da nova presidente da estatal, Magda Chambriard. O evento aconteceu no Rio de Janeiro.
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A Petrobras vai pagar imposto sim
No momento em que a equipe econômica trabalha para recompor a base fiscal e aumentar a arrecadação, Lula fez questão de dizer que a Petrobras é uma das fontes de receitas para o governo.
"Quanto mais Petrobras for lucrativa, mais imposto vai pagar e mais [ministro Fernando Haddad] vai ficar feliz", disse. "Ninguém quer que a Petrobras perca dinheiro, quero que seja uma empresa lucrativa", acrescentou.
A declaração acontece depois que a estatal fechou um acordo de R$ 19,8 bilhões com a Receita Federal para encerrar pendências com o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O Seu Dinheiro contou tudo sobre o caso.
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Os investimentos: a menina dos olhos de Lula
Lula avaliou que a descarbonização da economia não será motivo para a perda de relevância da Petrobras, que na avaliação dele é uma "empresa de energia".
O portfólio de investimentos da estatal tem focado também em fontes renováveis, uma defesa da gestão do atual governo.
"Os que quiseram destruir a Petrobras jamais conseguiram", afirmou Lula, que também falou do papel da empresa na cadeia de produção de combustíveis e em setores como fertilizantes.
"Interromper investimento em gás natural e fertilizantes foi um dos grandes retrocessos do País. A Petrobras pode ajudar o País a enfrentar a guerra entre Rússia e Ucrânia", acrescentou.
Para Lula, a nova gestão da Petrobras não tem "medo de desafios", em referência ao plano estratégico de investimentos da empresa. O plano referente ao período de 2024 a 2028 tem previsão de investimentos na casa de US$ 102 bilhões.
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Com a palavra, a nova presidente da Petrobras
No discurso de posse de Chambriard, Lula depositou parte do êxito do Brasil à Petrobras, afirmando que se a empresa der certo, o País também dará certo.
“Tem uma certeza na minha cabeça: se a Petrobras der certo, o Brasil dá certo; se a Petrobras der errado, significa que o Brasil também vai dar errado”, disse Lula. “Eu torço, luto e morro para que o Brasil dê certo.”
No discurso, o petista elogiou a nova presidente da estatal. Segundo ele, Chambriard tem a competência e todas as credenciais para tocar os desafios da companhia.
Quando chegou sua vez de falar, Chambriard afirmou que o Lula lhe deu a missão de movimentar a Petrobras porque a empresa é capaz de movimentar o Produto Interno Bruto (PIB).
“A missão dada pelo presidente foi a de movimentar a Petrobras, porque ela impulsiona o PIB do País. Ele me pediu para gerir a Petrobras com respeito à sociedade brasileira”, disse.
“Ele me disse que tem grande carinho pela Petrobras, que a sociedade brasileira ama a Petrobras, e que não quer confusão nessa empresa”, acrescentou.
Chambriard disse que a sensação é de “volta para casa”, uma vez que atuou por mais de 20 anos na empresa.
“O que vamos fazer está registrado no Plano Estratégico, e tem potencial para gerar centenas de milhares de empregos diretos e indiretos, além de recursos em tributos e participações especiais à União Federal”, afirmou.
Ao comentar pela primeira vez o acordo entre Petrobras sobre passivos tributários, Chambriard, disse que o acerto foi "ganha-ganha" para a estatal e para o governo.
A Petrobras desconto em cobranças bilionárias da ordem de mais de R$ 40 bilhões da Receita Federal e vai desembolsar R$ 11,95 bilhões.
"Foi muito benéfico para a empresa e para o governo. O mercado entendeu que o acordo foi benéfico para a empresa porque tudo que li, tudo que chegou a mim, continha uma percepção positiva, inclusive com as ações subindo no dia seguinte", disse.
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