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Família Trajano e Banco BTG Pactual assumem compromisso de injetar R$ 1,25 bilhão no caixa do Magazine Luiza

O aumento de capital do Magazine Luiza (MGLU3) era uma bola cantada.
Em novembro do ano passado, ao divulgar o resultado do terceiro trimestre de 2023, a varejista reportou seu primeiro lucro líquido desde o fim de 2021.
Simultaneamente, porém, o Magazine Luiza revelou um ajuste contábil de R$ 829,5 milhões no patrimônio líquido.
O ajuste foi parcialmente compensado pelo reconhecimento de R$ 507,4 milhões.
Ainda assim, a revelação acionou o alarme de um mercado traumatizado com o escândalo da Americanas (AMER3).
Logo começaram a circular rumores de que a empresa estaria negociando um aumento de capital da ordem de R$ 2 bilhões.
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Na ocasião, o diretor financeiro do Magalu, Roberto Bellissimo, negou tal necessidade.
Dois meses e meio se passaram e o Magazine Luiza anunciou na noite de domingo o compromisso da família Trajano e do Banco BTG Pactual (BPAC11) com um aumento de capital privado de R$ 1,25 bilhão.
Poderia soar como uma má notícia, mas a repercussão do anúncio é positiva tanto entre os analistas quanto entre os investidores — pelo menos neste primeiro momento.
Na última sexta-feira, MGLU3 havia fechado em R$ 2,08. E, embora o preço por ação do aumento de capital tenha ficado em R$ 1,95 — um desconto superior a 5% —, Magazine Luiza ON abriu o pregão desta segunda-feira em alta de 7%, na faixa de R$ 2,22.
O acréscimo de R$ 1,25 bilhão ao caixa do Magazine Luiza tem o potencial de aumentar em 37% o lucro por ação em 2024 e em aproximadamente 4% ao longo de 2025, calcula o JP Morgan.
O banco salienta que a estimativa para este ano é beneficiada por uma base deprimida.
Além disso, a operação dá um respiro para a estrutura de capital da varejista.
Nos cálculos do JP Morgan, a entrada do dinheiro diminui o peso das despesas financeiras e reduz a alavancagem do Magazine Luiza de 6,3x para 5,7x.
Ainda é muito, afirma o banco, mas a aceleração dos investimentos prometida pela varejista tende a impactar positivamente importantes pilares de geração de valor, como o marketplace e as áreas de anúncios e armazenamento em nuvem.
Outro fator com potencial positivo de curto prazo para MGLU3 é o grande número de posições vendidas no papel.
De acordo com o JP Morgan, os investidores vendidos no papel até a última sexta-feira cobriam 14% do free-float do Magazine Luiza.
Apesar disso, o bancão mantém recomendação neutra para o papel.
O Citi também considera positivo o aumento de capital do Magazine Luiza.
O banco chama a atenção para o contexto de taxas de juro elevadas e de intensa concorrência no setor de varejo no Brasil.
Além disso, o Citi vê a empresa em uma situação de “sólida liquidez”.
Em nota a clientes, o analista João Pedro Soares considera que “o aumento de capital deve ser visto como 'combustível extra' e não como uma urgência".
O Citi tem recomendação de compra para MGLU3, mas considera o papel um investimento de alto risco.
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