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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Crédito privado

9 títulos de renda fixa isentos de imposto de renda para investir em novembro, segundo o Itaú BBA

Banco recomenda oito debêntures incentivadas e um CRI para superar o Tesouro Direto no médio/longo prazo

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
1 de novembro de 2023
12:21 - atualizado às 11:35
Trem da Rumo Logística
Trem da Rumo Logística. - Imagem: Rumo/Divulgação

O Itaú BBA divulgou, nesta quarta-feira (1º) sua carteira recomendada de títulos de renda fixa privada isentos de imposto de renda para os investidores pessoas físicas, os chamados papéis incentivados.

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São cinco recomendações de debêntures de infraestrutura para o público geral, acessíveis a qualquer investidor; e quatro indicações para os investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras, sendo três debêntures incentivadas e um Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Lembrando que debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas, e CRIs são títulos utilizados para captar recursos para financiar o mercado imobiliário.

Além de levar em conta critérios de qualidade do crédito e liquidez dos títulos, o Itaú BBA foca a sua análise naqueles papéis cuja remuneração, para quem os adquirir hoje e levá-los ao vencimento, seja capaz de superar o título público Tesouro IPCA+ de prazo equivalente, uma vez que a rentabilidade dos papéis recomendados também costuma ser indexada à inflação.

Veja as recomendações de renda fixa privada isenta de IR para novembro:

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Carteira recomendada para o investidor em geral

Para os investidores em geral, foram mantidas as mesmas empresas emissoras da carteira recomendada para outubro e praticamente os mesmos papéis. Houve mudanças apenas na indicação de uma das debêntures da Rota das Bandeiras e no papel da Rumo.

Leia Também

TítuloCódigoData de vencimentoClassificação de risco (rating)Taxa indicativa de retorno
Debênture CARTCART1215/12/2024brAA+ (S&P)8,4% + IPCA
Debênture RumoRUMOA215/02/2029brAAA (S&P) / AAA(bra) (Fitch)6,8% + IPCA
Debênture Rota das BandeirasCBAN5215/07/2034br.AAA (Moody's) / AAA(bra) (Fitch)7,3% + IPCA
Debênture Rota das BandeirasCBAN1215/07/2034br.AAA (Moody's) / AAA(bra) (Fitch)7,4% + IPCA
Debênture CSN MineraçãoCMIN2215/07/2037brAAA (S&P) / AAA(bra) (Fitch)7,0% + IPCA

Carteira recomendada para investidores qualificados

Já para a carteira de qualificados, foram mantidas, em relação ao mês passado, as debêntures da Manaus Ambiental e da CSN Mineração, além do CRI do Grupo Mateus. O CRI da Hypera e o CRA da Vamos foram substituídos pela debênture da Holding do Araguaia.

TítuloCódigoData de vencimentoClassificação de risco (rating)Taxa indicativa de retorno
Debênture Manaus AmbientalMNAU1315/06/2025AA-.br (Moody's)7,5% + IPCA
Holding do AraguaiaHARG1115/10/2036brAAA (S&P)7,1% + IPCA
CRI Grupo Mateus22C136214117/07/2034AAA(bra) (Fitch)7,1% + IPCA
Debênture CSN MineraçãoCMIN2115/07/2036brAAA (S&P) / AAA(bra) (Fitch)7,5% + IPCA

Onde investir em novembro: ações, dividendos, FIIs, BDRs, criptomoedas - Veja indicações gratuitas

Sobre as empresas e as razões para as recomendações

  • CART: a Concessionária Auto Raposo Tavares (CART) é responsável pela administração e exploração do corredor rodoviário Raposo Tavares, que totaliza 834 quilômetros entre Bauru e Presidente Epitácio, no estado de São Paulo. A concessão assinada com o Governo do Estado de São Paulo tem vencimento em 2039. Para o Itaú, as características do segmento de concessões rodoviárias possibilitam alta previsibilidade para a geração de caixa da empresa, que também tem planos de investimentos moderados, destinados sobretudo a revitalizações.
  • Rumo: é a maior operadora ferroviária do Brasil, com concessões tanto em malhas ferroviárias como terminais portuários e de contêineres. Historicamente, a companhia tem mantido métricas de crédito conservadoras, apesar dos altos investimentos realizados, o que os analistas do Itaú esperam que continue ocorrendo no futuro próximo.
  • Rota das Bandeiras: é a concessionária responsável pela administração do Corredor Dom Pedro, que liga o Vale do Paraíba com a Região Metropolitana de Campinas (RMC) e o Circuito das Frutas. A concessão foi firmada com o Estado de São Paulo em abril de 2009 e tem validade por 30 anos. A receita da companhia está fortemente ligada ao ciclo econômico, mas os reajustes tarifários atrelados à inflação e sua localização numa região com PIB per capita elevado lhe conferem forte resiliência aos choques de demanda. A companhia espera concluir a maior parte dos seus investimentos em 2023, o que deve contribuir para uma gradual redução da sua alavancagem líquida nos próximos anos.
  • CSN Mineração: a mineradora controlada pela CSN atua na produção e venda de minério de ferro. Como segunda maior exportadora da commodity do Brasil, tem exposição a moedas fortes, com as exportações representando a maior parte da receita. Tem sido beneficiada pelo preço elevado do minério de ferro e recentemente anunciou um pacote de investimentos para expansão de R$ 31,3 bilhões para os próximos 12 anos. Para o Itaú, sua forte estrutura de capital deve sustentar o plano de investimentos e permitir que a alavancagem se mantenha em níveis adequados.
  • Manaus Ambiental: a concessionária é responsável pelos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto na capital do Estado do Amazonas desde julho de 2000. Para o Itaú, as características do setor contribuem para a estabilidade dos fluxos de caixa, por se tratar de setor regulado e serviço essencial. A companhia possui um extensivo plano de investimentos, o que pode pressionar sua liquidez, mas os analistas acreditam que conseguirá manter métricas de crédito adequadas, devido à sua capacidade de geração de caixa.
  • Grupo Mateus: a rede de supermercados é a terceira maior do varejo alimentar brasileiro, além de líder nas regiões Norte e Nordeste. Possui um forte plano de expansão, focado sobretudo na abertura de lojas de atacarejo. Também iniciou sua incursão n Apesar disso, tem baixa alavancagem e uma posição de caixa robusta, capaz de tolerar o ambiente de juros altos. Também atua na venda de produtos de primeira necessidade, gerando demanda estável. A redução da inflação tem sido benéfica para o negócio.
  • Holding do Araguaia: é uma subsidiária da Ecorodovias, uma das maiores operadoras de rodovias do Brasil, com mais de 4,7 mil quilômetros sob administração por meio de 11 concessões, além de um ativo portuário. A Ecorodovias tem compensado o vencimento de suas concessões maduras com extensões e novas concessões. Para os analistas, investimentos devem pressionar a alavancagem da companhia no curto prazo, mas a geração de caixa dos ativos deve contribuir para a gradual recuperação das métricas de crédito.

Alguns pontos de atenção sobre os títulos de renda fixa privada

Vale lembrar que, embora sejam recomendações mensais, as carteiras de títulos de renda fixa de crédito privado funcionam de maneira um pouco diferente das carteiras recomendadas de ações.

Trata-se das recomendações que apresentam bom risco-retorno para compra naquele momento, e o objetivo costuma ser que o investidor fique com o papel até o vencimento.

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Assim, alterações na carteira de um mês para outro não necessariamente representam uma recomendação de venda dos títulos retirados da seleção.

Além disso, cada instituição financeira recomenda os ativos disponíveis para os seus próprios clientes na sua plataforma. É possível que um título oferecido por uma não seja encontrado em outras, por exemplo. E, caso seja possível encontrar um mesmo título em diferentes instituições financeiras, as condições de remuneração também podem variar de uma para outra.

Finalmente, não se esqueça de que, ao investir em títulos de renda fixa de crédito privado, você está exposto ao risco de crédito das empresas emissoras, isto é, à sua saúde financeira, que depende da sua capacidade de gerar caixa e do seu endividamento.

Esses papéis não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como CDBs, LCIs e LCAs, e são tipicamente mais arriscados que os títulos do Tesouro Direto.

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