Quem é o Wagner Group, o grupo de mercenários que lutou pela Rússia e agora desafia Putin
O grupo mercenário, que conta com o apoio de um poderoso empresário russo, era um importante aliado da força russa no front contra os ucranianos, na guerra travada há mais de um ano

Um dos maiores temores da Rússia voltou à assombrar o presidente do país, Vladimir Putin, com a iminência de uma guerra civil. O Wagner Group afirmou neste sábado (24) ter assumido o controle das instalações russas na cidade de Voronezh.
O grupo mercenário, que conta com o apoio de um poderoso empresário russo, era um importante aliado da força russa no front contra os ucranianos, na guerra travada há mais de um ano.
Nas últimas horas, porém, de 'parceiro', o Wagner passou a 'traidor', nas próprias palavras de Putin. Isso porque o líder do movimento, Yevgeny Priogozhin, acusou a liderança militar russa de ataque aos acompanhamentos do grupo com uma "grande quantidade" de morte de mercenários.
Ele ainda prometeu "responder a essas atrocidades", o que elevou a tensão dentro do território russo.
Putin, por sua vez, manifestou sua indignação nas primeiras horas da manhã deste sábado (24). Em discurso televisionado, o presidente prometeu punir todos os envolvidos na "rebelião armada" e os acusou de traição com "uma facada nas costas".
“O que estamos enfrentando é precisamente a traição. A ambição excessiva e os interesses investidos levaram à traição. A traição de seu país, de seu povo e da causa pela qual os soldados e comandantes do Grupo Wagner lutaram e morreram, lado a lado com nossas outras unidades”, disse Putin.
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Por fim, o Ministério de Defesa da Rússia negou as acusações do Wagner Group e afirmou que os comentários de Prigozhin são uma "propaganda informativa".
Afinal, que é Wagner Group?
O grupo atua recrutando imigrantes ilegais, especialmente os vindos da África, e presos, com a promessa de cidadania e liberdade caso sobrevivam aos confrontos mortais na Ucrânia.
Relatos da imprensa internacional indicam ainda que as autoridades russas inscrevem abertamente pessoas para se juntarem às forças armadas no centro de imigração em Moscou. Existem até anúncios nas línguas uzbeque, quirguiz e tadjique, oferecendo aos cidadãos desses países um caminho rápido para obter um passaporte russo se ingressarem nas forças armadas.
Antes de ir ao front, essas pessoas são recrutadas. Em poucas semanas, elas aprendem métodos de combate comuns, que são extremamente resumidos, o que torna a missão na guerra ainda mais perigosa.
E, há pelo menos nove meses, o Wagner vasculha os centros penitenciários russos em busca de centenas de prisioneiros nacionais ou estrangeiros — o que impactou, inclusive, a população carcerária russa.
As tropas do movimento paramilitar foram as únicas forças russas capazes de avançar na Ucrânia nos últimos meses e assumir o controle da cidade de Bakhmut no mês passado.
Yevgeny Priogozhin: o líder
Yevgeny Priogozhin é próximo de Putin desde os anos 1990. Ex-presidiário, ele se tornou um oligarca rico com contratos de catering — serviços de de fornecimento de refeições coletivas, semelhante ao 'buffett' em eventos — com o Kremlin, o que lhe rendeu o apelido de 'chef de Putin'.
Mas, a notoriedade de Priogozhin começou a ganhar força na última década, em meio aos conflitos em Donbass, como é conhecida a região leste da Ucrânia, para a anexação da Crimeia.
O oligarca começou a usar ferramentas informais de influência — mercenários e mecanismos de mídia — que eram novas na Rússia e permitiam que o país operasse fora de vista e sem ser responsabilizado.
Com a guerra na Ucrânia, Priogozhin conquistou ainda mais poder, a ponto de ser uma das personalidades mais poderosas e populares da Rússia — o que permitiu que o Wagner Group abrisse centros de recrutamento em todo o país.
Putin em fuga?
De acordo com a imprensa internacional, há rumores de que Vladimir Putin, havia "escapado" de Moscou em um avião que teria decolado do aeroporto da capital russa em direção à região de Tver — onde o presidente possui uma de suas residências. Essas informações foram obtidas a partir de monitoramento de dados no site Flight Radar.
Em meio às especulações, o porta-voz do governo russo disse que Putin está trabalhando em seu escritório, no Kremlin.
Bandeira de paz temporária
Por volta das 15h (horário de Brasília), o líder do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, afirmou que os combatentes mercenários deveriam recuar a fim de evitar "derramamento de sangue", em mensagem de áudio, segundo a agência de notícias Reuters.
Pela manhã deste sábado, o grupo paramilitar postou vídeos com uma rendição de 180 militares russos na fronteira de Bugaevka, na Rússia. E, ainda de acordo com as tropas mercenárias, cerca de 25 mil combatentes do Wagner já estavam armados.
Minutos antes do anúncio do recuo de Wagner, o gabinete do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, disse que havia negociado um acordo com Prigozhin para reduzir a escalada da situação. A informação foi transmitida pelo canal oficial do Telegram da Presidência bielorrussa.
Cerca de uma hora depois, próximo às 17h (horário de Brasília), o governo russo confirmou o acordo intermediado por Belarus. O Kremlin anunciou que não processará o líder do Wagner e nem punir os demais membros que participaram da rebelião.
O acordo entre o grupo e Moscou prevê o exílio de Prigozhin em Belarus, bem como a sua saída do front na Ucrânia e São Petersburgo. Além disso, os mercenários que não aderiram a revolta do grupo serão integrados ao Ministério de Defesa russo.
*Com informações de CNN, CNBC, Dow Jones Newswires/Broadcast.
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