🔴 +35 RECOMENDAÇÕES DE ONDE INVESTIR EM MARÇO – VEJA GRATUITAMENTE

Cotações por TradingView
Carolina Gama
O PODEROSO WAGNER

Fã ou hater? Conheça o grupo de mercenários que entrou na guerra da Ucrânia e está colocando medo até em Putin

Bancado por um oligarca russo, o esquadrão de 50 mil homens desempenha um papel fundamental nos combates no leste da Ucrânia

Carolina Gama
20 de fevereiro de 2023
7:03 - atualizado às 11:53
Presidente russo, Vladimir Putin, apoiado em uma mesa, com o dedão na boca
O presidente da Rússia, Vladimir Putin - Imagem: Flickr

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, a ideia era dominar o país com uma invasão rápida e incontestável. Quase um ano depois, o que se vê é Kiev resistindo com o apoio do Ocidente e o presidente russo, Vladimir Putin, se desdobrando no front da guerra

Uma das estratégias usadas pelo chefe do Kremlin para manter a supremacia russa foi recrutar reservistas — um plano que provocou uma fuga em massa do país, já que os cidadãos em idade de combate temeram a convocação. 

Não foi suficiente, e Putin teve que lançar mão de forças paralelas para enfrentar uma Ucrânia armada pelos EUA, pela Europa e outros aliados. Uma delas é o Wagner, força liderada por mercenários que conta com o apoio de um poderoso empresário russo. 

O grupo atua recrutando imigrantes ilegais, especialmente os vindos da África, e presos, com a promessa de cidadania e liberdade caso sobrevivam aos confrontos mortais na Ucrânia. 

Wagner entra em ação

Há pelo menos seis meses, o Wagner vasculha os centros penitenciários russos em busca de centenas de prisioneiros nacionais ou estrangeiros.

Antes de ir ao front, essas pessoas são recrutadas. Em poucas semanas, elas aprendem métodos de combate comuns, que são extremamente resumidos, o que torna a missão na guerra ainda mais perigosa. 

A ação do Wagner é tão intensa que chegou a impactar a população carcerária na Rússia. Um levantamento feito em novembro pelo site Mediazona revelou que, em dois meses, o número de homens nas prisões do país teve uma queda de 23 mil, de um total de 349 mil em agosto. 

O site indicou que os números foram fornecidos pela administração penitenciária, e a queda foi verificada apenas entre os condenados homens — nada mudou para aqueles em prisão preventiva ou nas prisões femininas.

  • [TREINAMENTO GRATUITO] O Seu Dinheiro preparou 3 aulas exclusivas para ensinar tudo que você precisa saber para poder receber renda extra mensal com ações. Acesse aqui.

O tiro pela culatra de Putin

O plano de Putin parecia perfeito: trocar sentenças e ilegalidade por liberdade e cidadania após a luta na guerra da Ucrânia — mas o tiro saiu pela culatra. 

O homem forte do Kremlin não contava com dois entraves: os recrutados estavam morrendo em massa no front de batalha, desencorajando outros presos a se alistarem, e o grupo Wagner começou a ficar poderoso demais.

Muitos condenados passaram a temer a possibilidade de serem forçados a ir para a guerra, dificultando a cooptação pelo Wagner. Por isso, trabalhadores imigrantes dos países da Ásia Central passaram a se sentir vulneráveis a um possível recrutamento. 

No geral, existem cerca de 10,5 milhões de imigrantes do Uzbequistão, Tadjiquistão e Quirguistão trabalhando na Rússia, de acordo com as últimas estatísticas do Ministério do Interior da Rússia — um recurso enorme para os “headhunters” do Wagner.

Relatos da imprensa internacional indicam ainda que as autoridades russas inscrevem abertamente pessoas para se juntarem às forças armadas no centro de imigração em Moscou. Existem até anúncios nas línguas uzbeque, quirguiz e tadjique, oferecendo aos cidadãos desses países um caminho rápido para obter um passaporte russo se ingressarem nas forças armadas.

Putin entre anjos e demônios

A atuação do Wagner na Ucrânia trouxe à cena a figura de Yevgeny Prigozhin, chefe do grupo mercenário e oligarca que controla várias empresas russas. Elogiado e demonizado, é crescente o debate sobre o quão perto ele realmente está de Putin, de quais privilégios desfruta e até mesmo se ele nutre ambições presidenciais.

O presidente russo, Vladimir Putin, e Yevgeny Prigozhin em uma das fábricas do empresário - Foto: Divulgação

Apesar da notoriedade recém-descoberta, Prigozhin ainda age apenas como pessoa física — sua relação com o Estado é informal e, portanto, frágil, e pode terminar sem aviso prévio. Prigozhin nunca esteve perto o suficiente de Putin para ser confiável em nível governamental.

Mas essa situação começou a mudar após a anexação da Crimeia. Os conflitos em Donbass, como é conhecida a região leste da Ucrânia, mais o impasse da Rússia com o Ocidente abriram espaço para táticas geopolíticas cinzentas que as instituições oficiais teriam dificuldade em oferecer. 

O oligarca começou a usar ferramentas informais de influência — mercenários e mecanismos de mídia — que eram novas na Rússia e permitiam que o país operasse fora de vista e sem ser responsabilizado.

Prigozhin atingiu o alvo: se o governo fosse incapaz de resolver certas tarefas — ou não quisesse ser visto na execução delas —, essas ferramentas quase estatais poderiam preencher a lacuna. Putin gostou da abordagem, que também está sendo usada na guerra na Ucrânia.

O chefe do Kremlin concordou em terceirizar certas funções do governo, mas não legitimou Prigozhin. Pelo contrário, o presidente russo, vislumbrando a ascensão do empresário, começou a ordenar, nas últimas semanas, que o Wagner tirasse o pé do acelerador no front de batalha. 

Segundo especialistas, por enquanto Prigozhin não está preparado para desafiar Putin. Mas — e esse é um importante mas — eles lembram que é difícil se manter sólido no poder quando seu exército está passando pelo sangrento moedor de carne da guerra.

E os especialistas vão além: a guerra transforma os homens em monstros, e a imprudência e o desespero de Putin para vencer na Ucrânia podem expor fraquezas e abrir brechas para rivais no campo de batalha e na política. 

*Com informações da BBC, da CNN e da rfi.fr

Compartilhe

QUEM AVISA, AMIGO É

Fed: o novo recado do banco central dos EUA aos mercados sobre o corte de juros

1 de março de 2024 - 19:51

O alerta do Fed foi feito em relatório que deve ser apresentado ao Congresso norte-americano na próxima semana e também chama atenção para as guerras

FALTOU CONSENSO

A palavra da discórdia: por que a reunião do G20 no Brasil terminou sem um comunicado conjunto

1 de março de 2024 - 10:18

Divergências geopolíticas impediram ministros das Finanças e presidentes de BCs do G20 de chegarem a uma declaração conjunta

CÂMBIO PARA CAMBIAR

O milagre de Milei? Dólar livre cede 15% na Argentina em fevereiro — a queda mais acentuada em 20 anos

29 de fevereiro de 2024 - 19:26

Entenda os motores por trás da tendência que contrasta com uma economia na qual a inflação estimada para o mês está projetada em 15%

TIC TAC TIC…

A guerra nuclear é inevitável? O alerta de Putin após a provocação da França e da Otan

29 de fevereiro de 2024 - 17:00

O presidente da Rússia fez um discurso à nação nesta quinta-feira (29) e deixou bem claro que está preparado para o que der e vier para conter o Ocidente

CÂMBIO

O dólar já era? Se depender da Rússia, sim. A proposta de Putin para Brasil, China e outros emergentes “esquecerem” de vez a moeda americana

28 de fevereiro de 2024 - 20:01

Moscou também já estaria testando uma nova tecnologia de pagamento que pode sinalizar a criação de uma moeda do Brics

G-20

Yellen no Brasil: as principais declarações da chefona do Tesouro dos EUA na passagem por aqui

27 de fevereiro de 2024 - 17:45

Ela, que já foi presidente do Federal Reserve, participou hoje de encontro promovido pela Amcham Brasil e falou sobre o potencial de crescimento brasileiro, inflação nos EUA e outros temas que o Seu Dinheiro resumiu para você

SUÉCIA NA OTAN

Sinuca de bico para Putin: como a Europa deixou a Rússia sem “ângulo para bater” em um cenário de guerra mundial

26 de fevereiro de 2024 - 19:35

Quem fez a jogada que deixou o chefe do Kremlin com pouca margem de manobra foi a Hungria; entenda o que aconteceu dessa vez

Eleições nos EUA

Trump é inevitável? Ex-presidente americano derrota Nikki Haley em casa por vasta margem e caminha para virar o candidato republicano

25 de fevereiro de 2024 - 11:01

Donald Trump vence as primárias republicanas no estado da Carolina do Sul, berço político da oponente Nikki Haley, por 60% dos votos

2 anos da guerra

Ocidente demonstra apoio a Kiev no 2º aniversário da guerra entre Ucrânia e Rússia; Zelensky assina acordos com Itália e Canadá

24 de fevereiro de 2024 - 20:18

Líderes do Ocidente foram à capital ucraniana neste sábado, pelo aniversário da guerra; ajuda dos EUA e da União Europeia ao país, no entanto, passa por dificuldades

THE FINAL COUNTDOWN

Contagem final? Como Trump pode consolidar indicação republicana antes do tempo e encarar Biden em novembro

23 de fevereiro de 2024 - 19:55

A vitória de Trump na Carolina do Sul escreveria o capítulo final de uma das histórias políticas mais importantes da última década

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies