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Putin sem culpa? Cúpula do G20 condena a guerra na Ucrânia — sem citar a Rússia

Em um documento de 76 itens, a "Declaração dos Líderes de Nova Déli" destaca o sofrimento humano e outros aspectos negativos do conflito

Cúpula do G20
Da esquerda para direita: presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; Primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa e; Presidente dos EUA, Joe Biden - Imagem: Divulgação/Planalto/Ricardo Stuckert

Os líderes do G20, que se reuniram na Índia neste sábado (9), chegaram a um consenso sobre a declaração conjunta sobre a necessidade do desenvolvimento sustentável, da cooperação econômica e científica, de ações contra desigualdade e da redução do sofrimento causado pelas guerras.

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Em um documento de 76 itens descritos em um pouco mais de 80 parágrafos, a "Declaração dos Líderes de Nova Déli", entretanto, omitiu palavras do comunicado do ano passado que condenavam abertamente a agressão russa contra a Ucrânia.

Neste ano, os líderes preferiram destacar o sofrimento humano e outros aspectos negativos do conflito, "no que diz respeito à segurança alimentar e energética global, às cadeias de abastecimento, à estabilidade macrofinanceira, à inflação e ao crescimento, o que complicou o ambiente político para os países, especialmente os países em desenvolvimento e menos desenvolvidos que ainda estão a recuperar da pandemia de Covid-19".

A expressão “a maioria dos membros condenou veementemente a guerra” estava entre as mudanças. Em vez disso, os Estados membros do G20 concordaram em apoiar-se nos princípios da Carta das Nações Unidas sobre a integridade territorial e contra o uso da força.

"Todos os Estados devem abster-se da ameaça do uso da força ou procurar a aquisição territorial contra a integridade territorial e a soberania ou a independência política de qualquer Estado. O uso ou ameaça de uso de armas nucleares é inadmissível."

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Vale ressaltar que a declaração conjunta não menciona a Rússia.

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À beira da falta de consenso

Apesar do líderes do G20 não condenarem expressamente a agressão da Rússia à Ucrânia, o consenso para a Declaração foi considerado um passo importante na colaboração internacional.

Isso porque existia o temor de que as divisões mais profundas sobre o conflito atrapalhassem o progresso em questões como a segurança alimentar e a cooperação global em matéria de mudanças climáticas. 

A posição endurecida dos países do G20 em relação à guerra impediu, por exemplo, um consenso nas 20 reuniões ministeriais do grupo este ano, deixando aos líderes a tarefa de encontrar uma solução agora. 

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Como o previsto o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, não estiveram presentes no encontro. O chefe chinês foi representado pelo primeiro-ministro Li Qiang.

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G20: Pontos de acordo

A declaração considera a crise global, e aponta um comprometimento com o trabalho digno e políticas de proteção social. “Aumentaremos os nossos esforços para a eliminação do trabalho infantil e do trabalho forçado ao longo das cadeias de valor globais”.

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Consta, inclusive, na declaração, um compromisso de apoiar os trabalhadores migrantes e os refugiados “garantindo o pleno respeito pelos direitos humanos e pelas suas liberdades fundamentais, independentemente do seu estatuto migratório”.

Ao fim do extenso documento, os líderes assumem o compromisso com o G20 como o principal fórum para a cooperação econômica global com base no consenso, em que todos os membros participam em condição de igualdade.

“Esperamos nos encontrar novamente no Brasil em 2024 e na África do Sul em 2025, bem como nos Estados Unidos em 2026, no início do próximo ciclo”.

Houve o consenso também de que as emissões globais de gases com efeito de estufa continuam a aumentar, com alterações climáticas, perda de biodiversidade, poluição, seca, degradação dos solos e desertificação, ameaçando vidas e meios de subsistência.

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“Desafios globais como a pobreza e a desigualdade, as alterações climáticas, as pandemias e os conflitos afetam desproporcionalmente as mulheres e as crianças, bem como os mais vulneráveis.”

Um entendimento presente no texto é que nenhum país deveria ter de escolher “entre combater a pobreza e lutar pelo planeta”.

Os países se comprometem a encontrar “modelos de desenvolvimento que implementem transições sustentáveis, inclusivas e justas a nível mundial, sem deixar ninguém para trás”.

Por fim, os líderes entendem que devem haver ações concretas para “acelerar um crescimento forte, sustentável, equilibrado e inclusivo”.

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*Com informações de Agência Brasil e CNBC

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