O preço que o mundo vai pagar pela guerra entre Israel e Hamas — FMI diz o que precisa acontecer lá para abalar a economia global
Embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha indicado nesta terça-feira (10) que ainda é cedo para avaliar os efeitos colaterais da guerra na Faixa de Gaza sobre a economia mundial, as autoridades estão de olho, especialmente, no petróleo
Um novo risco para a economia mundial surgiu com o conflito entre Israel e o Hamas. Embora a reação dos mercados globais tenha sido mais drástica na abertura das negociações de segunda-feira (9), o primeiro dia útil após os ataques do grupo extremista, a ameaça ainda existe.
Embora o Fundo Monetário Internacional (FMI) tenha indicado nesta terça-feira (10) que ainda é cedo para avaliar os efeitos colaterais da guerra sobre a economia mundial, as autoridades estão de olho, especialmente, no petróleo.
Segundo o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, o Fundo está monitorando a situação. Ele observou que os preços do petróleo subiram cerca de 4% nos últimos dias, refletindo preocupações de que a produção ou o transporte da commodity possam ser interrompidos.
Cálculos do FMI mostram que um aumento de 10% nos preços do petróleo reduziria o crescimento global em 0,2% no ano seguinte e aceleraria a inflação ao redor do mundo em 0,4%.
Já as projeções do Fundo indicam que o preço do barril de petróleo deve terminar 2023 em uma média de US$ 80,5 o barril, e continuar caindo até uma média de US$ 72,7 em 2026.
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Israel, petróleo caro e inflação
Esse é um trio de peso para a economia global. Os bancos centrais ao redor do mundo vem travando uma batalha contra a aceleração da inflação desde o ano passado, colocando as taxas de juros em patamares não vistos em décadas.
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A possibilidade de uma nova disparada do petróleo só piora o cenário e afasta qualquer chance de juros mais baixos neste momento. O Seu Dinheiro explica em uma matéria especial como a guerra entre Israel e Hamas pode mexer com os seus investimentos.
"A economia global mostra resiliência. Não foi abalada pelos grandes choques que sofreu nos últimos dois ou três anos, mas também não está indo muito bem", disse Gourinchas.
“Vemos uma economia global que está mancando e que ainda não está acelerando”, acrescentou o economista-chefe do FMI.
Segundo o Fundo, a inflação global desacelerou para 5,3% no segundo trimestre deste ano ante os 11,6% do mesmo período do ano passado. Já o núcleo foi a 4,9% no trimestre encerrado em junho deste ano, ante um pico de 8,5% registrado em 2022.
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Uma economia cambaleante
O crescimento global mais forte está sendo estrangulado pelo impacto persistente da pandemia de covid-19, pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelo aumento das taxas de juros.
O FMI aponta ainda os fenômenos climáticos extremos e a redução do apoio fiscal ao redor do mundo como freios de uma expansão mundial mais sólida.
As projeções do fundo para 2023 e 2024, respectivamente, são as seguintes:
- Economia mundial: +3,0% e +2,9%
- EUA: +2,1% e +1,5%
- Zona do Euro: +0,7% e +1,2%
- Reino Unido: +0,5% e +0,6%
- Japão: +2,0% e +1,0%
- China: +5,0% e + 4,2%
- Brasil: +3,1% e +1,5%
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