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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

O QUE SERÁ QUE SERÁ

A inflação vem aí: por que os investidores estão em alerta nos EUA e aqui — e o que a ata do Fed conta sobre o futuro dos juros

O principal documento da política monetária norte-americana foi divulgado nesta quarta-feira (11), mas as bolsas pouco reagiram. A expectativa é pelo CPI de amanhã; saiba o que pode vir por aí

Carolina Gama
11 de outubro de 2023
16:56 - atualizado às 14:49
Dólar desfocado mostrando a inflação dos Estados Unidos
Imagem: Shutterstock

A ata do Federal Reserve (Fed) desta quarta-feira (11) não provocou uma reação exagerada dos mercados aqui e lá fora ainda que os investidores estejam ávidos por sinais do que o banco central norte-americano vai fazer com os juros daqui até o final do ano — é o índice de inflação de quinta-feira (12) que deve influenciar as bolsas

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Por isso, quase passou batido uma expressão que aparece apenas duas vezes no documento, mas que pode indicar o que vai acontecer no encontro do Fed em novembro: cautela. 

“Todos os participantes concordaram que o Comitê estava em condições de proceder com cautela e que as decisões políticas em cada reunião continuariam a basear-se na totalidade das informações recebidas e nas suas implicações para as perspectivas econômicas, bem como no equilíbrio dos riscos”, diz a ata.

A segunda vez que a expressão é usada também se refere à trajetória da política monetária daqui para frente. 

“A grande maioria dos participantes continuou a considerar a trajetória futura da economia como altamente incerta. Muitos apontaram a volatilidade dos dados e as potenciais revisões dos dados, ou a dificuldade de estimar a taxa de juros neutra, como apoio ao procedimento cauteloso na determinação da extensão do reforço adicional da política que pode ser apropriado”, afirma o documento. 

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Os juros e a cautela do Fed

Ao que tudo indica, o mercado entendeu a cautela do Fed mencionada na ata como uma pista de que a manutenção dos juros — atualmente na faixa entre 5,25% e 5,50% — virá no encontro de 1 de novembro e que um aumento da taxa ficará para dezembro, a última reunião do ano. 

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Minutos depois da divulgação do documento, as apostas de que a taxa básica permanecerá no nível atual subiram de 86,6% para 94,1%, de acordo com dados compilados pelo CME Group. 

Segundo Andrew Hunter, economista da Capital Economics para os EUA, embora a ata tenha confirmado que “a maioria dos participantes considerou que seria provavelmente apropriado mais uma alta de juros em uma reunião futura”, essa está longe de ser uma opinião unânime dentro do Fed. 

“Apesar da mensagem de que os juros devem permanecer elevados por mais tempo proveniente das projeções atualizadas do Fed no mês passado, a ata sugere que a confiança dos dirigentes nessas previsões é limitada, sendo as perspectivas ainda vistas como altamente incertas”, diz Hunter. 

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A Capital Economics acredita que o crescimento mais fraco e uma desaceleração da inflação resultarão em um corte de juros muito antes do que o Fed está atualmente sugerindo — e isso deve acontecer no início de 2024. 

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A inflação vem aí

Os investidores esperam mesmo pelos dados de inflação que serão divulgados amanhã pela manhã nos EUA. 

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) não é a métrica preferida do Fed para a inflação, mas deve trazer sinais mais sólidos do que pode acontecer nos últimos dois encontros do BC norte-americano de 2023. 

Mais cedo, o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) veio com uma alta de 0,5% em setembro, superando a estimativa da Dow Jones de um aumento de 0,3%. O número ainda representa uma desaceleração em relação ao avanço de 0,7% no mês anterior.

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Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, lembra que a ata de hoje mostrou que "a maioria dos participantes continuou a ver riscos ascendentes para a inflação", incluindo "o desequilíbrio da demanda e da oferta agregadas que persiste por mais tempo do que o esperado, bem como os riscos emanados dos mercados petrolíferos globais”. 

“Essa visão, em boa parte é marcada pelo fiasco do entendimento anterior de que a inflação nos EUA era transitória, o que não se mostrou verdadeiro, então os membros do Fed não baixarão a guarda até que tenham visto uma sequência muito mais longa de dados melhores de inflação”, disse Shepherdson. 

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