Sem tocar no nome da Americanas (AMER3), executivos da Via (VIIA3) e Mercado Livre (MELI34) enxergam novo momento para o setor de varejo, com mais juros e desconfiança
Hoje, Via (VIIA3) e Mercado Livre (MELI34) brigam para ocupar o espaço que vai sendo deixado pela concorrente

Há pouco mais de um mês não há como falar de varejo sem tocar no nome da Americanas (AMER3), afinal, o rombo revelado pela varejista acendeu um alerta em todo o setor, que já vinha sofrendo com juros altos e agora tem o drama do crédito escasso — misturado à desconfiança — como uma das principais dificuldades. Esquivando-se de comentar de maneira mais profunda a polêmica que envolve a concorrente, executivos da Via (VIIA3) e do Mercado Livre (MELI34) analisaram esse cenário durante o evento CEO Conference, realizado pelo BTG Pactual nesta terça-feira (14).
Para eles, os juros altos, que já castigavam as varejistas, somaram-se de maneira brutal ao acesso mais difícil ao crédito. Assim, a época de muitas vendas como visto durante a pandemia ficou para trás junto com os juros baixos, obrigando o mercado a separar "o joio do trigo", como disse Stelleo Tolda, um dos fundadores e conselheiro do Mercado Livre.
Mas, isso não é necessariamente ruim — e pode levar a uma consolidação saudável do setor de varejo, acreditam eles.
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"Enxergamos esse evento que acabou de acontecer [o caso da Americanas] como um desafio de curto prazo, que assustou todo o sistema financeiro. Mas, é uma grande oportunidade no médio e longo prazos porque há muito share [participação de mercado] para ser capturado", disse Roberto Fulcherberguer, presidente da Via, que também é dona da Ponto e da Casas Bahia.
Hoje, uma das principais discussões quando se olha para o setor está na concessão de crédito às varejistas, uma vez que os bancos podem ficar mais seletivos conforme a percepção de risco aumenta. Um dos efeitos é que elas podem até conseguir esse crédito, mas com juros ainda mais altos, capazes de compensar esse risco.
A alta dos juros e os impactos para Via (VIIA3) e Mercado Livre (MELI34)
Para Stelleo Tolda, do Mercado Livre, a situação das varejistas já vinha mudando sensivelmente antes mesmo do escândalo da Americanas, já que a Selic está em 13,75% e deve permanecer assim por mais tempo que o previsto.
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"Estamos falando de spread de crédito, que fica mais caro ainda não só porque o juro aumentou, mas porque o risco de crédito é maior", afirmou.
Os executivos concordam que a fase de juros baixos foi responsável por uma competição intensa entre os diversos players do mercado, mas que essa realidade deve ficar no passado e obrigar as empresas a encontrarem caminhos de atuação.
Além dos juros, o endividamento das famílias e a inflação são outros dois inimigos do setor de varejo.
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