A história se repete? Com dívida de R$ 4,4 bilhões, cervejaria Petrópolis pede recuperação judicial
Segundo o Grupo Petrópolis, pedido de socorro acontece por causa da atuação desleal de concorrentes e alta dos juros

Desde janeiro tem sido comum usar o termo "foi de Americanas" como uma brincadeira para exemplificar algo que vai mal. O problema é que no noticiário corporativo isso acabou virando algo mais verdadeiro: nesta terça-feira (28), o Grupo Petrópolis seguiu o mesmo caminho da varejista e oficializou seu pedido de recuperação judicial.
O pedido foi aceito pela 5ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro, que deferiu uma medida cautelar para antecipar os efeitos do processo da Petrópolis e socorrê-la rapidamente. A ação determina a liberação dos recursos da companhia pelos bancos Santander, Daycoval, BMG e Sofisa.
Segundo a decisão, a Petrópolis precisa desse socorro imediato porque possui uma parcela de dívida no total de R$ 105 milhões, que venceu na segunda-feira (27). Em caso de calote, todo o pagamento da dívida pode ser antecipado, algo que comprometeria as finanças da fabricante da Itaipava rapidamente.
A dívida total da cervejaria chega a R$ 4,4 bilhões, sendo 48% em dívidas financeiras e 52% com fornecedores e terceiros.
De acordo com o pedido feito pela empresa, há uma necessidade de capital de giro acumulada de R$ 360 milhões para o fim deste mês. Se considerado o dia 10 de abril, esse número sobe para R$ 580 milhões.
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Culpa da concorrência e juros altos afetaram Petrópolis
No pedido protocolado mais cedo, o Grupo Petrópolis responsabiliza o cenário macroeconômico e a ação de suas concorrentes como as razões que levaram ao pedido de recuperação judicial.
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São citadas a queda de receita e de vendas da empresa, que hoje utiliza apenas 40% de sua capacidade instalada.
Segundo a reportagem de Veja, a suspeita foi levantada pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), uma entidade encabeçada pelo Grupo Petrópolis.
Assim, algumas empresas, como a Ambev e a Coca-Cola, estariam supostamente se aproveitando indevidamente de benefícios fiscais concedidos a companhias que atuam na Zona Franca de Manaus. Isso porque tais empresas são isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Segundo a CervBrasil, ao comprarem componentes para a produção de refrigerantes que são feitos na Zona Franca, as empresas podem reconhecer créditos fiscais, com base na taxa nominal de IPI. Neste caso, a Petrópolis sairia prejudicada por não fazer a mesma prática.
A Petrópolis condena, ainda, a falta de repasse dos custos de produção por parte de suas concorrentes, que a partir dessa conjuntura teriam maior poder para absorver aumentos de custo. Isso também teria machucado a saúde financeira da cervejaria.
Ações da Ambev (ABEV3) sobem na B3
Diante da situação difícil da concorrente, o reflexo nas ações da Ambev (ABEV3) fica bem claro no pregão de hoje: por volta das 13h18, ABEV3 subia 7,32%, cotada a R$ 14,95.

De acordo com dados compilados pela plataforma TradeMap, das 11 recomendações existentes para o papel, cinco são de compra, outras cinco são de manutenção e apenas uma é de venda.
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