O que a queda das ações da SLC Agrícola (SLCE3) na B3 hoje tem a ver com a onda de calor provocada pelo El Niño
As chuvas abaixo da média histórica no Cerrado e as altas temperaturas "frustraram" os planos e a companhia anunciou mudanças na produção

O calorão de novembro e do início deste mês provocado pelo efeito El Niño não mudou apenas os hábitos das pessoas que precisam enfrentar as altas temperaturas. O fenômeno climático também levou a SLC Agrícola (SLCE3) a revisar para baixo suas estimativas.
As chuvas abaixo da média histórica no Cerrado e as altas temperaturas levaram a produtora de grãos a reduzir as projeções para a safra de 2023/2024 — o que não agradou os investidores.
A companhia informou que deixará de semear soja em 16 mil hectares em Mato Grosso. Sendo assim, o potencial produtivo da soja representa uma redução de 7,3% em relação à estimativa inicial.
Por sua vez, a empresa deve transferir a área de plantio de soja + algodão 2ª safra para algodão de primeira safra — com melhor potencial produtivo nesse período, de cerca de 1% a mais na comparação com o guidance anterior.
Também a área do milho 2º safra sofrerá uma redução de 7,7 mil hectares em relação ao inicialmente projetado, devido ao replantio de 19 mil hectares de soja.
De acordo com a SLC, não houve alterações no custo por hectare, "pois o aumento de custo devido ao replantio será compensado pela redução de custos nas áreas que sofreram com a seca".
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Em reação, às ações da SLC Agrícola (SLCE3) lideraram as perdas do Ibovespa na primeira parte da sessão, com baixa de quase 5%. Contudo, por volta das 15h30 (horário de Brasília), os papéis reduziram as perdas para perto de 1%, a R$ 37,66. Acompanhe o que movimenta os mercados nesta terça-feira (5).
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O que esperar de SLC Agrícola agora?
A revisão de estimativas com a redução da produtividade, porém, não era totalmente inesperada, segundo o BTG Pactual.
Os analistas do banco afirmam que a estratégia da SLC em reduzir a produção da soja e antecipar o plantio de algodão é uma das saídas alternativas com a expectativa de que chuvas mais fortes nas próximas semanas.
“O algodão plantado em boas condições normalmente produz margens unitárias mais
elevadas por unidade de terra plantada”, escrevem os analistas do BTG.
Embora a empresa tenha afirmado que os custos devem ficar inalterados mesmo com a mudança de culturas produtivas, a revisão das estimativas terá impacto negativo sobre o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortização e depreciação, na visão do banco.
Para o BTG, a estimativa de Ebitda para 2024 passaria de R$ 2,5 bilhões para R$ 2,3 bilhões, o que equivale a uma redução de 9%.
O Bank of America (BofA) também projeta uma queda no Ebitda da SLC no ano que vem, mas da ordem de 7%.
O banco norte-americano manteve a recomendação de venda para os papéis SLCE3. Na visão do banco, as condições climáticas adversas poderão impactar negativamente o desempenho operacional do próximo ano.
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