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Natura vai consultar acionistas sobre diminuição de conselho, reestruturação nas diretorias e remuneração de executivos
Costuma-se dizer que em time que está ganhando não se mexe. Mas e quando ele está perdendo de lavada? Para a direção da Natura (NTCO3), a hora de mexer no time é agora.
Numa tentativa de reverter os resultados fracos recentes e espantar a desconfiança dos investidores, a Natura deu na noite de domingo (26) um novo passo em seu processo de reestruturação.
O conselho de administração da companhia propôs aos acionistas alterações para torná-la mais enxuta.
A Natura pretende reduzir o tamanho de seu conselho de administração.
O número de conselheiros passará de 13 para nove se os acionistas aprovarem a proposta.
Além disso, a empresa pretende criar a figura do diretor-presidente.
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Na manhã de hoje, cinco conselheiros apresentaram suas cartas de renúncia, entre eles o CEO Fábio Barbosa.
As renúncias terão efeito a partir de 26 de abril, quando será realizada a assembleia geral da Natura.
Em comunicado divulgado hoje (27) pela manhã, a empresa informou que, se aprovada a proposta, Fábio Barbosa deixará sua posição no conselho e passará a atender como diretor-presidente.
Também estão previstas alterações no número de diretorias. Isso inclui a extinção do cargo de diretor de Operações e Compras Globais.
A figura do diretor-presidente é uma novidade no organograma da Natura.
Na prática, isso significa uma separação dos cargos de presidente do conselho e CEO.
Ao menos no papel, isso costuma ser tratado como uma melhora em termos de governança.
"A redução do Conselho de Administração visa uma estrutura corporativa mais enxuta para a holding, permitindo maior autonomia às unidades de negócios e apoiando, ainda mais, sua trajetória de crescimento para continuar entregando valor de longo prazo aos acionistas", afirma a Natura na proposta apresentada ontem.
A Natura também pretende mexer na remuneração dos executivos.
A proposta na mesa mira em uma composição entre remuneração fixa e variável, baseada em ações.
A expectativa da direção é de que a metodologia reduza em 32% o valor despendido com a remuneração dos executivos.
O objetivo é gastar, no máximo, R$ 77,81 milhões no período entre maio de 2023 e abril de 2024.
A proposta será levada à apreciação dos acionistas em assembleia convocada para 26 de abril.
O processo de reestruturação da Natura vem sendo tocado por Fabio Barbosa.
Ex-presidente do Santander e da Febraban, ele foi escolhido no ano passado para liderar as mudanças no grupo.
A companhia tem encontrado dificuldades para acomodar as aquisições realizadas nos últimos anos em meio a um movimento de internacionalização da companhia.
No quarto trimestre de 2022, o grupo registrou um prejuízo de quase R$ 900 milhões.
No decorrer dos últimos 12 meses, NTCO3 acumula queda de 46% na bolsa.
Um dos focos do trabalho tocado por Barbosa é otimizar as operações que estão no guarda-chuva da holding Natura&Co.
Há um esforço para promover maior integração da Natura e a Avon na América Latina e de redimensionar a operação da The Body Shop.
O grupo também avalia uma alternativa para a marca australiana Aesop, desde uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) a uma venda de participação.
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