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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

BALANÇO DOS INVESTIMENTOS

Dólar e ouro são os melhores investimentos de agosto; bolsa e bitcoin (BTC) têm retorno negativo — veja o ranking

Símbolo de proteção contra crises financeiras e investimento seguro, o ouro ocupa o segundo lugar na ponta positiva do ranking mensal

Camille Lima
Camille Lima
31 de agosto de 2023
18:11 - atualizado às 19:19
Ouro, dólar e bitcoin
Bitcoin, ouro e dólar. - Imagem: Shutterstock

Sem um bom desempenho da bolsa brasileira para chamar de seu, o mês de agosto encontrou outras duas estrelas para ficarem sob os holofotes. O dólar e o ouro foram os grandes destaques positivos do ranking dos melhores investimentos de agosto.

O dólar à vista encerrou o mês em alta de 4,69%, cotado a R$ 4,9511, enquanto o dólar PTAX subiu 3,82% no período, para R$ 4,92. 

Símbolo de proteção contra crises financeiras e investimento seguro, o ouro ocupa o segundo lugar na ponta positiva do ranking após fechar agosto com uma valorização de 4,08%. Vale lembrar que o metal é cotado em dólar no mercado internacional.

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Em terceiro lugar vieram os títulos da dívida pública brasileira, com destaque para o Tesouro Selic 2026, que registrou alta de 1,19% no período, e o Tesouro Selic 2029, que subiu 1,13% no mês. 

Já a lanterna do ranking ficou com o bitcoin, que recuou 6,34% em agosto. A queda mensal é modesta, já que a maior criptomoeda do mercado ainda marca forte valorização neste ano. Em dólar, o BTC avança cerca de 48% em 2023.

Completa o pódio da lanterna a bolsa brasileira o Ibovespa, que fechou no azul em apenas quatro pregões do mês e acumulou desvalorização de 5,09% em agosto, aos 115.741 pontos no fim da sessão desta quinta-feira (31).

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Confira o balanço completo dos investimentos de agosto a seguir:

InvestimentoRentabilidade no mêsRentabilidade no ano
Dólar à vista4,69%-6,23%
Ouro4,08%1,32%
Dólar PTAX3,82%-5,66%
Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)*1,52%7,56%
Tesouro Selic 20261,19%-
Tesouro Selic 20291,13%-
CDI*1,08%8,81%
Índice de Debêntures Anbima - IPCA (IDA - IPCA)*1,04%7,92%
Tesouro Prefixado 20260,73%14,94
Poupança antiga**0,65%4,73%
Poupança nova**0,65%4,73%
IFIX0,49%12,06%
Tesouro Prefixado 2029-0,13%19,85
Tesouro IPCA+ 2029-0,42%-
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033-0,44%18,13
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032-0,57%12,99
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040-1,25%14,87
Tesouro IPCA+ 2035-1,85%15,5
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055-2,66%15,53
Tesouro IPCA+ 2045-4,52%18,21
Ibovespa-5,09%5,47%
Bitcoin-6,34%48,08%
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..

(*) Até dia 30/08.

(**) Poupança com aniversário no dia 28.

Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.

Por que o Ibovespa caiu e o dólar subiu?

É comum ouvir dizer que o mês de agosto não tem fim — e, no caso dos investidores que acompanharam a bolsa brasileira diariamente, parecia que essa luz no fim do túnel realmente não chegaria tão cedo.

O mês de agosto ficou marcado pela sequência histórica de 13 quedas consecutivas do Ibovespa, a maior desde que o índice começou a ser calculado, em 1968. 

Vale lembrar que a maior sequência de quedas da bolsa até então era de 11 pregões seguidos em baixa, registrada em 1984. 

Mas o que fez a bolsa brasileira cair tantas vezes no mês?

Agosto começou marcado pela maior aversão ao risco dos investidores devido ao rebaixamento do rating dos Estados Unidos e de diversos bancos regionais norte-americanos pelas agências de classificação de risco. 

O temor piorou após resultados corporativos mistos divulgados globalmente e com a deterioração do ambiente econômico chinês.

Isso porque a China mostrou cada vez mais sinais de desaceleração econômica, com dados abaixo do esperado e na expectativa do anúncio de novos estímulos econômicos pelo governo chinês. 

Vale lembrar que o desempenho da China pesa sobre os ativos brasileiros, especialmente para aqueles ligados a commodities. 

Mesmo a notícia que parecia ser um gatilho de alta para a bolsa não foi capaz de dar o gás necessário: o tão sonhado corte na taxa básica de juros.

Logo no começo do mês, o Copom reduziu a Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano. Porém, o “desaperto monetário” foi ofuscado pelas incertezas sobre o cenário fiscal do Brasil, segundo o assessor de investimentos na WIT Invest, Jean Martins Mainardi.

As dificuldades no cumprimento das metas estipuladas no arcabouço fiscal voltaram ao radar dos investidores por conta das discussões sobre o orçamento de 2024 em Brasília. 

Não fossem suficientes as questões envolvendo o arcabouço, as alterações na reforma tributária também passaram a desagradar o mercado.

“A curva de juros local empinou, com as taxas de juros de longo prazo penalizadas pela alta dos juros externos. No câmbio, o carrego mais magro e a piora nos termos de troca, com as commodities agrícolas e metálicas caindo, levaram à alta do dólar”, escreveram os analistas de investimentos da Nova Futura, Bruna Sene e Gustavo Biserra. 

A aversão global a risco ainda inverteu uma outra tendência que vinha sendo registrada nos últimos meses na bolsa brasileira: a de entrada de capital estrangeiro na B3. Até 8 de agosto, inclusive, todos os dias tinham sido de resgates de investimento internacional na bolsa. 

Apesar de ter conseguido acalmar os ânimos dos investidores e colocar fim às baixas consecutivas, o Ibovespa não conseguiu marcar alta em agosto. O principal índice acionário da B3 fechou o mês em desvalorização de 5,09%, a 115.741 pontos, enquanto o dólar avançou 4,69%.

As ações com as maiores altas em agosto

Com a queda de mais de 5% na bolsa brasileira em agosto, a maioria dos setores do Ibovespa sofreu no mês.

O segmento menos impactado foi o de utilities, que inclui os segmentos de energia elétrica e saneamento. A ação que mais se destacou no mês de agosto foi a Vibra Energia (VBBR3), com alta de 8,35%. 

Confira as dez ações que mais subiram no mês:

CódigoEmpresaDesempenho
VBBR3VIBRA energia ON8,06%
SMTO3São Martinho7,89%
PETR4Petrobras PN6,56%
EMBR3Embraer ON5,08%
SUZB3Suzano ON4,85%
IRBR3IRB Brasil ON4,43%
CPLE6Copel PN3,95%
BBSE3BB Seguridade ON2,70%
PETR3Petrobras ON2,88%
PRIO3PRIO ON2,06%
Fonte: B3/Broadcast

As ações com as maiores quedas em agosto

Já na ponta negativa da bolsa, o grupo Pão de Açúcar (PCAR3) liderou as perdas do mês, com desvalorização de 42% em agosto. Vale lembrar que parte da queda do ativo é resultado da cisão com o Éxito. Entenda aqui.

CódigoEmpresaDesempenho
PCAR3GPA ON-42,36%
VIIA3Via ON-41,20%
SOMA3Grupo Soma-33,54%
CASH3Meliuz ON-32,12%
GOLL4Gol PN-27,00%
CRFB3Carrefour Brasil ON-25,00%
PETZ3Petz ON-22,29%
RDOR3Rede D'Or ON-20,36%
CIEL3Cielo ON-19,78%
AZUL4Azul PN-18,36%
Fonte: B3/Broadcast

E a renda fixa?

O vencedor entre os títulos do Tesouro Direto foi o Tesouro Selic. O Tesouro Selic 2026 acumulou alta de 1,19% em agosto, seguido pelo Tesouro Selic 2029, com avanço de 1,13%.

Os títulos indexados à inflação sofreram em agosto, com destaque para o Tesouro IPCA+ de prazo mais longo. O Tesouro IPCA+ 2045 entregou rentabilidade negativa de 4,52% no mês, enquanto o Tesouro IPCA+ 2035 recuou 1,85% em igual período.

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Criptomoedas

A montanha-russa das criptomoedas continuou intensa em agosto. Os ativos digitais foram do céu ao inferno — às vezes, no mesmo dia — ao longo deste mês.

O bitcoin (BTC), a maior moeda virtual do mercado, se destacou como o pior investimento de agosto, com desvalorização de 6,34% no mês, cotado a R$ 129.393,91.

Há algum tempo, o desempenho do mercado de ativos digitais mostra-se cada vez mais atrelado aos movimentos macroeconômicos — e isso não foi diferente em agosto. Com maior aversão ao risco, as criptomoedas repercutiram acontecimentos macroeconômicos, como os problemas da incorporadora chinesa Evergrande.

Os boatos de que a empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, pode ter vendido toda a participação em bitcoin também afetaram as moedas digitais em agosto.

Porém, apesar do protagonismo negativo no mês, o bitcoin pode ter chance de retomar o viés de alta. “Acredito que o bitcoin continua sendo atrativo para quem busca retornos no médio-longo prazo, principalmente pela expectativa do mercado da aprovação dos ETFs de BTC e pelo halving da criptomoeda previsto para o próximo ano”, afirma César Félix, gerente de CX da NovaDAX. 

Um dos gatilhos que deve ajudar o BTC é a chance de aprovação de ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) de bitcoin. Nos últimos dias, a gestora Grayscale venceu um processo contra a SEC, a CVM dos EUA, para converter o fundo Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) em um ETF de bitcoin à vista (spot). 

A Grayscale não é a única empresa beneficiada com a decisão. No início deste ano, empresas como a BlackRock e a Fidelity também solicitaram permissão para lançar um ETF de bitcoin. A SEC agora tem outros oito processos para avaliar até esta sexta-feira (1º).

Além dos ETFs de bitcoin, o “halving” do BTC, previsto para acontecer em abril de 2024, deve destravar valor para as criptomoedas. O fenômeno é uma correção técnica prevista no algoritmo de criação do bitcoin, que corta pela metade a oferta de novas moedas no mercado. 

#CriptomoedaVariação no mêsVariação em 2023 
1Bitcoin (BTC)-6,34%48,08%
2Ethereum (ETH)-10,7%38,1%
3Tether USDt (USDT)0,04%0,02%
4BNB (BNB)-11,9%-12%
5XRP (XRP)-26,8%50,6%
6USD Coin (USDC)0,03%-0,01%
7Lido Staked Ether (STETH)-10,7%40,4%
8Dogecoin (DOGE)-17,3%-9,16%
9Cardano (ADA)-16,8%3,76%
10Solana (SOL)-16,1%97,9%
Fonte: Cryptorank às 17h55

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