Com incerteza fiscal, Itaú BBA recomenda comprar mais Tesouro IPCA+, de olho nas taxas mais gordas
Títulos públicos atrelados à inflação voltaram a pagar acima de 6% + IPCA, mas volatilidade no mercado de juros fez Tesouro Direto sair do ar novamente nesta sexta

Depois de manter sua carteira recomendada do Tesouro Direto inalterada desde 10 de agosto, o Itaú BBA decidiu, nesta sexta-feira (11), recomendar que os investidores comprem mais Tesouro IPCA+ e aumentem a participação desses títulos públicos atrelados à inflação nos seus portfólios.
Isto é, se eles conseguirem, pois o Tesouro Direto paralisou novamente, hoje, as negociações de Tesouro IPCA+ e Tesouro Prefixado, dada a intensa volatilidade no mercado de juros futuros, diretamente responsável pela formação das taxas dos títulos.
Desde ontem os juros futuros passam por uma forte elevação em razão de dois fatores que aumentaram a incerteza dos investidores em relação ao futuro: a inflação de outubro, que veio acima do esperado, e as sinalizações do governo de transição de que o Bolsa Família pode ficar fora do teto de gastos, o que tem o potencial de deteriorar a saúde fiscal do país, pressionar a inflação e manter a taxa Selic elevada por mais tempo.
Esse movimento fez com que as rentabilidades dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação retornassem a patamares muito atrativos para os investidores em renda fixa. Os prés voltaram a pagar mais de 12% ao ano em todos os vencimentos, e os indexados à inflação voltaram a pagar mais de 6% ao ano + IPCA, também em todos os vencimentos.
Quais títulos Tesouro IPCA+ comprar?
Diante deste cenário, o Itaú BBA recomendou uma redução do peso de Tesouro Selic na carteira, de 60% para 50%; uma elevação do peso de Tesouro IPCA+ 2026 (o mais curto disponível hoje no Tesouro Direto) de 15% para 20%; e uma elevação do peso de Tesouro IPCA+ 2035 de 10% para 15%.
No relatório do banco, o analista Lucas Queiroz diz que a carteira mantinha-se inalterada desde agosto porque, após forte valorização, os títulos prefixados já refletiam a projeção do Itaú de redução de juros à frente - avaliação que também inclui o Tesouro IPCA+, uma vez que parte da sua remuneração é prefixada.
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"Passados exatos três meses desde nossa última alteração, o mercado de renda fixa viu-se, hoje, novamente diante de forte oscilação, razão que nos levou a rever nosso posicionamento", diz o analista.
Queiroz explica ainda que, com o fim das eleições e o início da fase de transição entre os governos, o mercado busca pistas sobre a diretriz de política econômica nos próximos anos e o cenário fiscal à frente. "Nesse período, os múltiplos cenários possíveis e o elevado volume de informações acarretam aumento da volatilidade nas taxas", completa.
Veja como fica agora a carteira do Tesouro Direto do Itaú BBA após as alterações, com base nas taxas do site do Tesouro na última quinta-feira:
| Título | Classificação | Rentabilidade anual | Peso |
| Tesouro Selic 2025 | Pós-fixado | Selic + 0,04% | 50% |
| Tesouro Prefixado 2025 | Prefixado | 12,74% | 10% |
| Tesouro Prefixado 2029 | Prefixado | 12,86% | 5% |
| Tesouro IPCA+ 2026 | Indexado à inflação | IPCA + 6,01% | 20% |
| Tesouro IPCA+ 2035 | Indexado à inflação | IPCA + 6,08% | 15% |
Conteúdo Empiricus
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